Europa proíbe software chinês nos carros à semelhança dos EUA
Lucifer - Tom Ellis, Dennis Haysbert
A União Europeia está a seguir os passos dos Estados Unidos no que toca à imposição de
restrições na tecnologia automobilística da China. Esta semana, o governo
norte-americano anunciou a intenção de proibir a utilização de tecnologia
chinesa que conecta automóveis à internet nas suas estradas, apontando "riscos de espionagem,
vigilância e sabotagem". A comissária europeia Margrethe Vestager partilhou
preocupações semelhantes, referindo-se
aos veículos conectados como "computadores sobre rodas", que podem
recolher e transmitir dados sensíveis.
Vestager afirmou que os serviços da UE estão a analisar o
tema em conjunto com especialistas em segurança económica, sublinhando que é
legítimo questionar se esta
tecnologia pode ser usada para fins maliciosos. A discussão em torno
da tecnologia automóvel chinesa abre uma nova frente na disputa global pelo
controlo de tecnologias críticas, como a inteligência artificial, microchips e
até o 5G. Tanto a UE como os EUA têm receios de que estas tecnologias possam
ser usadas para espionagem ou coação económica.
Um novo capítulo no confronto
económico entre o oeste e a China
A preocupação surge num contexto em que a UE já impôs, anteriormente,
tarifas a veículos elétricos subsidiados pela China, para impedir que
inundem o mercado europeu. No entanto, a questão da cibersegurança automóvel
marca um novo capítulo, sendo a primeira vez que o foco recai especificamente
sobre as ameaças digitais. Outros países, como o Canadá e o Reino Unido, também
estão a considerar restrições similares.
A UE tem trabalhado, de forma discreta, em medidas para
enfrentar os riscos potenciais da tecnologia chinesa nos carros importados. Uma
das possibilidades é a criação
de uma "toolbox" para a cadeia de fornecimento de
Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), semelhante à caixa de
ferramentas de segurança do 5G, que levou vários estados-membros a limitar o
uso de tecnologia da Huawei.
Esta
"toolbox", ainda em fase de finalização, incluiria diretrizes para a conectividade
de veículos elétricos e energias renováveis, no entanto, tal como outros
documentos do género, não seria vinculativo. A sua eficácia dependerá da
vontade dos governos nacionais de transformar essas recomendações em restrições
concretas. A UE já tem um conjunto de leis sobre cibersegurança em setores
críticos, como o transporte, no entanto, estas ainda não são direcionadas para
países específicos.
Medidas que já revelam
impacto significativo
As novas regras de cibersegurança para automóveis já começaram a ter impacto no
mercado europeu. Em julho, a Comissão Económica das Nações Unidas para a
Europa implementou um regulamento que obriga os fabricantes a garantir a
proteção dos dados dos utilizadores. Esta medida afetou tanto marcas chinesas
quanto europeias, com a Porsche a retirar o modelo Macan do mercado da UE, e a
MG, detida pela chinesa SAIC, a registar zero vendas em alguns países europeus.
Com os EUA a avançarem com proibições mais agressivas, a
indústria automóvel europeia teme que estas medidas possam ter repercussões
graves, especialmente para marcas que dependem de fornecedores chineses ou que
produzem veículos na China para exportação.
Fonte; 4gnews, 27 de setembro de 2024
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