Assim cantou no início, quando Jorge ainda não era "o Palma": entre o namoro com o inglês e a procura de uma identidade artística
Da jukebox que o desviou do piano clássico ao asilo político na Dinamarca: os anos de formação que moldaram um dos maiores cantautores portugueses Na sua toada entre a folk e o prog, não é possível uma canção soar mais setentista: os arranjos de cordas melancólicos, a guitarra delicadamente titubeante, as teclas de elegância clássica, os coros fantasmagóricos. Em The Nine Billion Names Of God , julgamo-nos perante um qualquer single saído da pródiga safra do rock progressivo que ecoava a partir do Reino Unido nesta altura. Mas depois ouvimos a voz e dá-se um caso agudo de dissonância cognitiva: “não pode ser, mas isto é o Jorge Palma… a cantar em inglês?!” Morreu a 21 de setembro, aos 76 anos, um dos maiores titãs da música portuguesa, responsável por ajudar a balizar o que significa ser um cantautor nesta língua. Mas antes de Só , de Frágil , de Bairro do Amor ou de Dá-me Lume , Jorge Palma teve de começar por algum lado. Desde que se sentou pela primeira vez à frente de um piano até...