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A cultura de direita em Portugal (1)

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Em 1983 foi criado o jornal Semanário por Marcelo Rebelo de Sousa, Daniel Proença de Carvalho, José Miguel Júdice, João Lencastre, Vítor Cunha Rego, João Amaral, entre outros. Nos outdoors da campanha publicitária de lançamento surgiam, o que é significativo, os rostos dos fundadores desse jornal. Mais tarde, em 1988, O Independente usaria Winston Churchill nos seus outdoors promocionais, um outro sinal de que Portugal mudara – e muito – desde os tempos do PREC. O Semanário teria como repórter, que entrevistava em Paris figuras da «grande direita» europeia, sobretudo francesa (e não anglo-saxónica, note-se), um jovem chamado Paulo Sacadura Cabral Portas . Não era uma estreia: com uma notável precocidade, Paulo Portas já tinha trabalhado no jornal A Tarde , dirigido por Vítor Cunha Rego, ao lado de personalidades como Vasco Pulido Valente, António Barreto, Manuel de Lucena ou Francisco Saarsfield Cabral. Regressemos ao Semanário . Além da política, num tempo em que o jornalismo e...

Tomás Taveira: as cólicas de um arquiteto

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Lucifer - Brianna Hildebrand Sim, é um facto que, na melhor das hipóteses, o arquiteto Tomás Taveira será recordado no futuro como o distinto autor das Torres das Amoreiras, em Lisboa, mas também, ou sobretudo, como o não menos distinto ator (e produtor e realizador) daqueles filminhos caseiros que causaram um clamor danado nos idos anos 90 e que ainda hoje são lembrados, proeza a dele, como a maior escandaleira sexual na história do Portugal democrático . Como então disse Joaquim Vieira, “o episódio é um marco na história social portuguesa” e, graças a ele, Taveira entrou “definitivamente na mitologia nacional” (cf. Expresso-R , de 14/10/1989). Portanto, destino oscilante entre o trágico e o cómico, e porventura injusto, já que o arquiteto Tomás, para a posteridade crismado “o Taveira”, rubricou, além daquelas fitas escaldantes, obras igualmente polémicas noutros domínios artísticos, v.g. no campo da arquitetura e do design de mobiliário (fez também os cenários da SIC, em comandit...

Tomás Taveira e idade de ouro portuguesa

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O filme “Tavares o Arquiteto Quebra-bilhas” (2010), merecia justo lugar na Torre do Tombo, pareado com a bula Manifestis Probatum, o relatório da sanidade mental do beato Nuno Álvares, os “Apelos da Mensagem de Fátima” da irmã Lúcia, ou o fado da Mariquinhas. O argumento não versa o traumatizante encerramento, pela Opus Dei, do Quebra Bilhas do Campo Grande, mas um facto fulcral da História lusa, do final da década de 80. Proctólogo amador, o arquiteto Papa do pós-modernismo lusitano e papa de outras coisas, recebia na poltrona do seu atelier, as esposas da elite nacional e, como um monge budista * , _ * “… julgava eu que Emmanuelle Arsan se iniciara nos arcanjos erótico-místicos do tantrismo indiano. Ela conta como entregou o corpo a um bonzo do pagode do Buda da Esmeralda, num mosteiro budista de Banguecoque, que em vez de a tomar pela frente a penetrou com o pénis escaldante nas nádegas, empalando-a com a fúria de um sátiro”, Ernest de Gengenbach em “Judas ou o Vampiro Surrea...