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Nunca fui a uma casa de fados até ter quase 30 anos

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“A primeira memória que tenho da Amália é a de ouvir uma cassete —ouvida e reouvida, nem sei como é que aquela cassete sobreviveu —, nas viagens de carro com os meus pais. Lembro-me que a nossa música preferida era “O Namorico da Rita”. A gente achava um piadão àquilo. Fazíamos sempre viagens muito longas e aquele era um dos hits. Depois houve um hiato, entrei na adolescência e comecei a ouvir outras coisas. Nunca fui a uma casa de fados até ter quase 30 anos. Não sabia que gostava. Sabia que tinha uma memória de criança, de achar piada a algumas músicas. Embora a minha família sempre tivesse gostado de fado, e eu tivesse sempre tendência para me escapulir para os discos do meu avô para ouvir umas coisas de fado, não havia esse hábito. Já em adulta, fui uma vez, por uma ocasião de celebração, ao Senhor Vinho, onde conheci um grande amigo meu, o Duarte, que é fadista. Ficámos muito amigos, e eu relembrei-me que gostava daquilo. A partir daí, nunca mais saí das casas de fado. A Amáli...