Se não era do Hamas, passou a ser
Israel passou grande parte da sua história a discutir consigo próprio. A pergunta agora é mais difícil: conseguirá deixar de viver em estado de emergência sem deixar de ser Israel? Em diferentes momentos, essa discussão assumiu formas distintas: guerra ou diplomacia, colonatos ou retirada, soberania ou ocupação, medo ou contenção. Por baixo de todas essas disputas havia, porém, uma questão mais profunda. Poderá um Estado moldado por uma longa experiência de insegurança encontrar uma forma diferente de viver sem perder aquilo que mantém unido? Desde 7 de outubro de 2023, essa pergunta tornou-se impossível de adiar. A vulnerabilidade israelita foi exposta da forma mais devastadora da sua história recente e o sistema político entrou num estado de emergência permanente. A guerra passou a dominar o debate público, a segurança a justificar quase tudo e o futuro a ser tratado como uma ameaça que convém não imaginar demasiado depressa. E, no entanto, ainda existe uma saída. É estreita, incert...