Rabino israelita é criticado por chamar 'macacos' aos negros
O
rabino-chefe da comunidade sefardita utilizou dois termos pejorativos no seu
discurso
O rabino-chefe sefardita de Israel, Yitzhak Yosef, é hoje [22
de março de 2018], alvo de duras críticas, após o seu último sermão semanal, no
qual comparou negros a macacos ao explicar a bênção das árvores em flor durante
o mês hebraico de Nisan.
Imagens do seu sermão foram publicadas pelo site de notícias
israelita Ynet. No vídeo, o rabino fala sobre os negros nas ruas da
América cujos pais são brancos e, de seguida, chama macaco ao filho negro de um
casal branco. Também usa a palavra hebraica "kushi" para descrever os
negros, o que é amplamente considerado um termo pejorativo em Israel.
O gabinete do rabino respondeu dizendo que Yosef estava a citar o Talmude, o livro das leis e tradições judaicas.
A Liga Antidifamação (Anti-Defamation League), um grupo de defesa dos direitos dos judeus sediado em Nova Iorque que trabalha para combater o antissemitismo e o racismo em todo o mundo, tweetou que o comentário era "totalmente inaceitável".
Uma deputada do Knesset israelita, Pnina Tamano-Shata, a
primeira deputada israelita de origem etíope, disse ao Ynet que
considera os comentários de Yosef "degradantes". Ela lembrou ao
rabino que o seu pai e outro dos rabinos-chefes de Israel, o falecido Ovadia
Yosef, apoiaram a imigração de judeus etíopes, que são negros, para Israel.
O grupo ativista pró-Palestina BDS África do Sul emitiu um
comunicado afirmando que os comentários "vis" são um exemplo do
tratamento dado por Israel aos requerentes de asilo africanos e aos seus
vizinhos palestinianos: "As opiniões do rabino israelita são vis, mas,
infelizmente, também refletem o racismo contínuo e generalizado de Israel
contra os africanos, bem como contra o povo nativo palestiniano."
Israel tem dois rabinos-chefes: um lidera a comunidade
sefardita, que inclui judeus que imigraram para Israel de países árabes do
Médio Oriente e do Norte de África, e o outro lidera a comunidade asquenaziita,
composta por judeus que emigraram maioritariamente da Europa.


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