Jovens marcham no Dia de Jerusalém e pedem "morte de árabes"

Dezenas de milhares de jovens israelitas, alguns adolescentes, participaram na quinta-feira num acontecimento anual conhecido como Marcha das Bandeiras, em Jerusalém – e, mais uma vez, a marcha ficou marcada por confrontos, agressões e cânticos contra os palestinianos. Segundo a polícia, acabou com 16 pessoas detidas a marcha que, dizem palestinianos que vivem ou trabalham naquela zona, “a cada ano é mais violenta”.

A marcha é uma celebração anual da tomada de Jerusalém Oriental por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Ainda antes do início oficial do desfile, grupos de jovens israelitas percorreram o “Bairro Muçulmano” a insultar residentes, jornalistas e ativistas, gritando frases como “morte aos árabes” e pedindo “que a aldeia arda”. Foram também registados episódios de vandalismo, arremesso de cadeiras, garrafas e café, além de confrontos físicos em várias ruas estreitas da Cidade Velha.

Milhares de agentes da polícia foram mobilizados para a operação de segurança, com estradas cortadas e restrições à circulação na zona histórica de Jerusalém.

A marcha, tradicionalmente organizada por grupos ultranacionalistas israelitas, atravessou zonas sensíveis da Cidade Velha, incluindo o chamado “Bairro Muçulmano”. Muitos comerciantes palestinianos encerraram as lojas por receio de violência, prática que, segundo residentes locais, se repete todos os anos.

Entre os episódios relatados esteve a agressão verbal a jornalistas, incluindo a uma repórter do jornal israelita Haaretz, que denunciou ter sido empurrada por um polícia e alvo de insultos homofóbicos e agressões por parte de jovens manifestantes.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, também participou nas celebrações e visitou o complexo da Mesquita de Al-Aqsa, declarando: “Mais do que nunca, o Monte do Templo está nas nossas mãos”.

Os palestinianos “têm de ir embora”, defendeu o ministro. “Este é o nosso país. E não podem simplesmente ficar aqui a tentar esfaquear-nos ou matar-nos”, acrescentou.

O local, conhecido pelos judeus como Monte do Templo e pelos muçulmanos como complexo de Al-Aqsa, é um dos pontos religiosos mais sensíveis do Médio Oriente. Apesar de os judeus poderem visitar o recinto, as regras em vigor proíbem orações judaicas no espaço administrado por autoridades islâmicas jordanas.

Organizações judaico-árabes e grupos antiocupação estiveram presentes no Bairro Muçulmano para tentar reduzir os confrontos e proteger residentes palestinianos. Mas vários voluntários relataram um agravamento da violência nos últimos anos, com episódios de intimidação, agressões e destruição de lojas.

Durante a marcha, uma mulher palestiniana em trabalho de parto teve de ser retirada de casa numa maca, escoltada por paramédicos ortodoxos judeus, que a protegeram de grupos de jovens que gritavam palavras de ordem racistas enquanto tentavam aproximar-se.

Apesar dos incidentes, o comandante da polícia israelita, Danny Levy, classificou a operação como “exemplar” e afirmou que o evento decorreu “com relativa calma”, garantindo que os responsáveis por agressões e atos de vandalismo foram detidos.

Fonte: Observador, 15 de maio de 2026

Deus deu a terra, o governo do chanceler Adolf Hitler ofereceu a estrutura política do Estado com a figura de uma extrema direita dura, e uma posição social assertiva com andar em público com símbolos identificativos visíveis.  

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Eva Vlaardingerbroek

Tomás Taveira: as cólicas de um arquiteto