Veja por que as pessoas mestiças são frequentemente vistas como “atraentes”

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É um fenómeno frequentemente observado, mas raramente explicado cientificamente: as pessoas mestiças são muitas vezes percebidas como “particularmente atraentes”. Um estudo conduzido pelo investigador Michael B. Lewis (Universidade de Cardiff, País de Gales) lança luz científica sobre esta perceção.

A ciência por detrás da atração: o efeito heterose (a)

O estudo, publicado no PubMed, baseou-se na análise de mais de 1200 rostos de pessoas negras, brancas e mestiças. Esses rostos foram avaliados quanto à atratividade percebida, e os resultados foram claros: os rostos mestiços receberam pontuações de atratividade mais elevadas, em média, com uma diferença pequena, mas estatisticamente significativa.

Os investigadores propõem o conceito de heterose, também conhecido como “vigor híbrido”. Trata-se de um mecanismo biológico pelo qual descendentes resultantes do cruzamento genético entre dois grupos distantes apresentam, geralmente, melhor “aptidão genética”: maior resistência a doenças, maior diversidade genética e, neste caso, características faciais consideradas mais harmoniosas.

Uma influência cultural e social

Seria simplista reduzir este fenómeno apenas à biologia. A perceção da atratividade é profundamente influenciada pela cultura, pela história e pelos média. Durante várias décadas, as indústrias da moda e do cinema valorizaram a diversidade de características, e os rostos mestiços são frequentemente promovidos como padrões “ideais” de beleza. Esta exposição mediática pode reforçar tendências naturais de apreciação visual.

Também é importante lembrar que a beleza continua a ser subjetiva e contextual. O que algumas culturas consideram particularmente atraente pode não o ser para outras. O estudo de Michael B. Lewis não classifica belezas; observa apenas tendências percetivas gerais numa amostra específica.

Em suma, a perceção de atratividade das pessoas mestiças resulta de uma combinação de fatores biológicos, visuais e culturais. No entanto, é essencial sublinhar que esta “atração” percebida nunca legitima a sexualização ou objetificação dos indivíduos. Este fenómeno destaca simplesmente quão rica e fascinante é a diversidade humana. Em vez de tentar classificar ou comparar, trata-se de celebrar a singularidade e a harmonia que emergem do encontro de múltiplas heranças. Apreciar a estética de um rosto não confere qualquer direito sobre a pessoa em si.

Fonte: The Body Optimist, 26 de outubro de 2025

(a) Heterose vem do grego: “heteros” (ἕτερος) = diferente + “-osis” (-ωσις) = processo ou condição. Portanto, heterose significa literalmente “condição de diferença” ou “resultado do cruzamento de diferentes linhagens”.

O termo começou a ser usado formalmente em genética e melhoramento de plantas e animais no século XX, especialmente em estudos de cruzamento de raças para produção agrícola ou pecuária mais eficiente.

Modelo: Asis A, 1,73 m, 85-65-92, cabelo castanho, nascida na Ucrânia.







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