BBC contesta jurisdição dos EUA e pede rejeição de processo de Trump
A BBC vai pedir a um tribunal da Florida que rejeite o
processo apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que
reclama uma indemnização de até 10 mil milhões de dólares (8,6 mil milhões de
euros).
Segundo documentos citados pelas agências France Presse
e Efe, a BBC vai argumentar que o tribunal norte-americano não tem
jurisdição sobre a empresa e que Trump “não conseguiu fundamentar” o pedido de
indemnização por eventuais danos.
O processo, apresentado em dezembro, reclama cinco mil
milhões de dólares (cerca de 4,3 mil milhões de euros) por alegada difamação,
acusando a emissora de ter editado de forma enganosa um discurso do republicano
num documentário do programa Panorama, transmitido dias antes das
eleições presidenciais de 05 de novembro de 2024.
Trump exige ainda outros cinco mil milhões de dólares por
alegada violação da lei sobre práticas comerciais.
No âmbito da ação, a BBC
sustentará que a reportagem em causa não foi transmitida nos Estados Unidos, ao
contrário do que alega Trump, e que não lhe causou qualquer prejuízo, uma vez
que o candidato acabou por vencer com uma larga maioria,
assegurando um segundo mandato.
De acordo com os documentos entregues ao tribunal, a BBC
nega que o programa Trump: Uma segunda oportunidade?, exibido no Reino
Unido em 28 de outubro de 2024, tenha sido distribuído na plataforma BritBox.
A empresa defende ainda que o
republicano não conseguiu demonstrar que o conteúdo foi editado com "real
má-fé".
Além de pedir a rejeição da ação, a BBC solicita que, até à
decisão sobre essa moção, seja suspensa toda a fase de recolha de informação e
troca de provas antes do julgamento.
Trump apresentou a queixa depois de o jornal britânico Daily
Telegraph ter divulgado um relatório do antigo consultor da BBC Michael
Prescott, que criticava o documentário por deturpar o discurso proferido pelo
então presidente em 6 de janeiro de 2021.
Segundo Prescott, a edição transmitia a falsa impressão de
que Trump teria incitado diretamente os distúrbios ocorridos no Capitólio, em
Washington.
O programa juntou três excertos de duas partes distintas do
discurso, proferidas com quase uma hora de intervalo, dando a entender
tratar-se de uma única sequência na qual Trump apelava aos seus apoiantes para
marcharem com ele e "lutarem com unhas e dentes".
Entre as partes cortadas estava um trecho em que o
republicano apelava à manifestação pacífica.
Apesar de ter reconhecido o erro e pedido desculpa, a BBC
recusou pagar qualquer indemnização, alegando que o processo carece de base
legal, e garantiu que se defenderá em tribunal.
A controvérsia resultou na demissão do diretor-geral da BBC,
Tim Davie, da diretora de informação, Deborah Turness, e de um membro do
conselho supervisor da emissora pública.
Caso o tribunal da Florida decida que o processo deve
avançar, o julgamento deverá realizar-se em 2027.
Fonte: CNN Portugal, 13 de janeiro de 2026

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