Durão Barroso sucede a Morais Sarmento na presidência da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento

Milú, Maria Eugénia em “O Leão da Estrela” (1947), antestreia terça-feira, 25 de novembro de 1947 no São Luiz – Durão Barroso era o Leão da Avenida da Igreja

A nomeação, formalizada por despacho de Luís Montenegro, produz efeitos a partir de 15 de janeiro. Durão Barroso, de 69 anos, vai presidir tanto ao conselho de administração como ao conselho executivo da FLAD

O antigo primeiro-ministro e presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, vai substituir Nuno Morais Sarmento como presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), segundo um despacho assinado esta segunda-feira pelo chefe do executivo.

De acordo com o despacho assinado por Luís Montenegro, a que a agência Lusa teve acesso, Durão Barroso substitui a partir de quinta-feira Nuno Morais Sarmento, que pediu a demissão da presidência da FLAD por motivos de saúde.

Com 69 anos, José Manuel Durão Barroso vai presidir tanto ao conselho de administração como ao conselho executivo da FLAD, de acordo com os dois primeiros pontos do documento assinado pelo primeiro-ministro português.

"Nos termos do disposto nos n.ºs 1 e 2 do artigo 8.º dos Estatutos da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, aprovados em anexo ao Decreto-Lei n.º 168/85, de 20 de maio, na sua redação atual, designo, como membro do conselho de administração da Fundação, José Manuel Durão Barroso, que preside", refere o primeiro ponto do despacho.

O segundo ponto designa o antigo líder da Comissão Europeia como presidente do conselho executivo da FLAD. O despacho "produz efeitos a 15 de janeiro".

Durão Barroso foi presidente da Comissão Europeia durante 10 anos, entre 2004 e 2014, tendo desempenhado o cargo de primeiro-ministro de Portugal entre abril de 2002 e julho de 2004.

José Manuel Durão Barroso foi nomeado em 2004, então com 57 anos, para a presidência do executivo comunitário, tornando-se o 11.º presidente da Comissão, e primeiro português a ocupar o cargo, para o qual foi reconduzido em 2009, para um novo mandato que terminou em 31 de outubro de 2014.

Professor universitário, Durão Barroso ocupou o cargo de presidente não-executivo do Banco Goldman Sachs International, depois de ter deixado a liderança do executivo comunitário. Atualmente, desempenha, entre outros, os cargos de presidente da Assembleia Geral do Conselho da Diáspora Portuguesa e Chairman do seu EurAfrican Forum.

Durão Barroso nasceu em Lisboa em 23 de março de 1956 e é tido, na forma como vê a política, como "frio, calculista, formal e racional".

Fonte: CNN Portugal, 12 de janeiro de 2026

Meio mundo político fez das suas sentado às mesas da pastelaria Biarritz

Santana, Durão Barroso e Fernando Seara foram algumas das figuras que aqui conspiraram durante anos a fio

Durão Barroso? Café, pastel de nata e garrafa de água. António Costa? Galão e dois croissants com fiambre. António Vitorino? Pão de leite torrado com fiambre, galão e bica a rematar. Os vícios matinais das figuras públicas são conhecidos de cor e salteado na pastelaria Biarritz, ou não fosse a estas mesas que se forjaram muitos dos planos da política nacional nas últimas décadas. Já sem o glamour que a transformou numa instituição não só do bairro de Alvalade como de Lisboa, a casa fez esta semana meio século de existência.

"Conspirava-se muito", recorda o presidente da Câmara de Sintra, o social-democrata Fernando Seara, que por ali parou muito durante mais de uma década, entre os anos 80 e o início do novo século. "Houve primeiras páginas de jornal saídas dessas conspirações." Quais, não conta: guarda essas memórias para os seus diários. Tal como Durão Barroso, e outras personalidades, Fernando Seara morava ali perto e fazia da Biarritz ponto de encontro obrigatório. "Acho que discutimos ali a primeira vinda do Fundo Monetário Internacional a Portugal", relata. E nem só de gente da direita se fazia a clientela: Francisco Louçã e Jorge Sampaio também foram habituais, juntamente com Luís Villas-Boas, do jazz, e António Coimbra, presidente da Vodafone. A este último, o dono da Biarritz, Rui Roque Silva, não augurava bom destino: "Era um maluco a andar de mota aqui à volta. Eu costumava dizer que ainda se matava."

Rui Roque Silva é dos primeiros tempos da casa, que tinha aquilo a que se chamava um ambiente selecionado. Servia "todas as qualidades de champanhe francês". Os empregados apresentavam-se irrepreensivelmente fardados e não era qualquer um que entrava no estabelecimento, conta um dos empregados mais antigos, Mário Almeida. Vindo da província, começou a trabalhar na Biarritz no pós-25 de Abril com apenas 13 anos. Rui Roque Silva tornou-se uma espécie de segundo pai para ele, a quem a fome apertava. "Eu escondia muitas vezes o bolo inglês no armazém, entre as garrafas de champanhe, e ia comendo umas fatias", descreve Mário.

O fruto proibido é o mais apetecido. Fosse por isso ou por genuína necessidade, o certo é que o mistério das bolas de berlim desaparecidas da pastelaria da Avenida da Igreja ainda hoje não se resolveu, malgrado os esforços do dono da Biarritz. Seria Santana Lopes ou outro qualquer aluno do liceu Padre António Vieira, ali ao pé, a quem a casa servia de sala de estudo? Depois de os ver já homens feitos, Rui Roque Silva tentou tirar o caso a limpo: "Olhe, isto agora já é passado, mas quando andava aqui a estudar quantas bolas comeu cá de borla?" Ninguém se descoseu. "Entre a fábrica, que era na porta ao lado, e a pastelaria havia uns bolos que desapareciam do tabuleiro", confirma outro frequentador da casa, João Pessoa e Costa, antigo vice-presidente do Sporting.

António Prôa, deputado do PSD, recorda o dia em que ele e os colegas transportaram uma experiência da aula de Química para o lago em frente da pastelaria. "Resolvemos atirar para lá uma pedra de potássio", relata. "Metade da água saiu do lago e metade dos clientes da esplanada fugiram, assustados." Mais tarde, decidiu que os comícios dos finais campanha eleitoral do PSD saíam dali. Foi assim com Cavaco Silva, Durão, Santana... "A Biarritz confunde-se com a minha própria existência", descreve António Prôa.

O cinquentenário celebra-se na terça-feira com um almoço para notáveis. Pode ser que Rui Roque Silva fique finalmente a saber quem era o guloso das bolas de berlim.

Fonte: Público, 8 de abril de 2012

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