Livro de banda desenhada belga retirado das bancas após polémica com personagens negras e mulheres


O livro de banda desenhada belga "Spirou et la Gorgone bleue" [Spirou e a Górgona Azul na tradução livre], da autoria de Dany e Yann, foi retirado das bancas pela sua editora Dupuis, na sequência de protestos devido à representação racista de personagens negras e à hipersexualização de mulheres.

A obra foi lançada em setembro do ano passado, mas só recentemente se viu envolvida em polémica depois de diversas pessoas terem mostrado o seu descontentamento nas redes sociais. Os críticos acusam a publicação de transmitir estereótipos racistas, com destaque para características simianas dos personagens africanos como lábios enormes.

"Estranhamente, quando vemos pessoas brancas vemos claramente que são humanos, mas quando são negros parecem claramente macacos", observou uma internauta num vídeo na rede social TikTok. "E todas as mulheres são hipersexualizadas", acrescentou.

Agora, a editora franco-belga veio a público reconhecer o erro. "Estamos profundamente desolados por a obra ter sido considerada chocante e dolorosa. Este álbum faz parte de um estilo caricatural de representação de outra era", lê-se num comunicado da Dupuis na rede social X.

"Mais conscientes do que nunca do nosso dever moral e da importância da banda desenhada como editora e, mais amplamente, dos livros na evolução das sociedades, assumimos hoje total responsabilidade por este erro de avaliação", acrescentou ainda.

O criador de "Spirou et la Gorgone bleue", Daniel Henrotin, que usa o pseudónimo Dany, reagiu à polémica dizendo que se inspirou no estilo do falecido artista de banda desenhada belga, André Franquin. "Tenho total admiração pelo Franquin e usei o seu estilo. Não voltarei a repetir, reconheço que cometi um erro."

O cartoonista negou ainda quaisquer intenções racistas ou misóginas, afirmando que nunca pretendeu fazer troça ou denegrir pessoas de cor e mulheres. "Ouvi dizer que não podemos desenhar assim hoje em dia. Respondo que o humor e a caricatura estão no ADN da escola belga da banda desenhada."

O livro, que conta com 30 000 exemplares vendidos, é um conto satírico que aborda “eco-terroristas”, junk food e o lixo plástico.

Fonte: CNN Portugal, 8 de novembro de 2024

Não é apenas na banda desenhada que os estereótipos racistas superabundam. Os outros veículos de entretenimento e comunicação, com personagens reais, de carne e osso, também difundem características simianas nos africanos retratando-os com lábios enormes, que em português se designa pela, atualmente racista, beiçolas de preto.


Reginald the Vampire - Garfield Wilson

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