Divulgada nova vaga de ficheiros do caso Epstein
Com
mais três milhões de páginas agora tornadas públicas, o caso Epstein regressa
ao centro do debate nos EUA
Foram divulgadas esta sexta-feira mais de três milhões de
novas páginas dos chamados Epstein Files, acompanhadas por 2000 vídeos e 180
mil fotografias, entre outros materiais recolhidos ao longo de quase 20 anos de
investigações, informou o Procurador-geral adjunto dos Estados Unidos, Todd
Blanche, citado pela CNN.
É um momento de viragem num caso que continua a assombrar as
instituições norte‑americanas. Esta difusão, realizada ao abrigo do Epstein
Files Transparency Act, surge após meses de tensão entre o Congresso e o
Departamento de Justiça, acusado por vários legisladores de atrasar o processo
para proteger interesses politicamente sensíveis.
Os documentos agora tornados públicos revelam a complexidade
e a extensão das investigações federais. Incluem relatórios internos, registos
de interrogatórios, trocas de correspondência entre procuradores, avaliações
sobre a conduta de agentes envolvidos no caso e referências a figuras
politicamente expostas cuja identidade continua protegida.
As fotografias e vídeos são em grande parte
"pornografia", reconheceu Blanche, 'número dois' do Departamento de
Justiça, mas os rostos de todas as mulheres
foram ocultados, com exceção do da cúmplice de Epstein, Ghislaine
Maxwell.
Na última leva de documentos divulgados em dezembro, como
recorda o Independent, o Departamento de Justiça tornou acessíveis
registos que evidenciam a comunicação entre investigadores e procuradores
envolvidos no caso de Ghislaine Maxwell, antiga parceira de Jeffrey Epstein que
o acompanhou durante anos.
As autoridades norte‑americanas acusaram Epstein e Maxwell
de sustentarem, ao longo de décadas, um esquema de exploração sexual que
envolvia jovens mulheres e menores. Recorde-se que Epstein morreu numa prisão
federal, em 2019, antes de ir a julgamento. Maxwell acabou por ser julgada e
considerada culpada em 2021 por crimes relacionados com tráfico sexual de
menores e outras infrações, recebendo uma pena de 20 anos de prisão.
A pressão sobre o Departamento de Justiça, para explicar
como um predador sexual condenado conseguiu prolongar os seus crimes durante
décadas, com acesso privilegiado a círculos de poder económico, político e
académico, é cada vez maior e muitos observadores creem que a verdadeira
extensão da rede de
proteção a Epstein continua por esclarecer.
Pressão do congresso
Em dezembro, o Departamento de Justiça já tinha avisado que
seriam necessárias "várias semanas" para analisar tudo, anunciando
que precisava de processar "mais de um milhão" de novos documentos
potencialmente relacionados com o caso, descobertos por um procurador de Nova
Iorque e pelo FBI (agência federal norte-americana de serviços secretos
internos).
Além disso, invocou a necessidade de proteger as vítimas,
ocultando nomes, até mesmo excertos inteiros, ou cobrindo rostos em fotos.
Congressistas republicanos e democratas uniram forças para
pressionar à divulgação deste enorme acervo, contra a vontade do presidente
norte-americano, que depois, perante pressão público, se tornou um defensor da
sua disponibilização.
A relutância de Donald Trump indignou alguns dos seus
apoiantes, que veem o caso Epstein - terreno fértil para todo o tipo de teorias
da conspiração - como confirmação das suas suspeitas sobre a depravação das
elites.
Entre os documentos divulgados em dezembro, chamaram
particularmente a atenção as fotos do ex-presidente democrata Bill Clinton na
companhia de Jeffrey Epstein ou de mulheres cujos rostos foram ocultados.
Outros documentos confirmaram a relação de proximidade que
existiu na época entre o abastado homem de negócios e Donald Trump, que nunca
foi acusado de atividades criminosas relacionadas com Jeffrey Epstein.
O atual presidente norte-americano reconhece ter-se dado com
Epstein na década de 1990, mas afirma ter cortado relações antes de este estar
a braços com a Justiça. Em janeiro de 2024, declarou na sua rede social, Truth
Social: "Nunca voei no avião de Epstein".
No entanto, o nome de Donald Trump aparece oito vezes na
lista de passageiros do avião privado de Jeffrey Epstein entre 1993 e 1996,
como denunciou um investigador numa mensagem de correio eletrónico de 2020
divulgada no âmbito das declarações iniciais.
Fonte: Expresso, 30 de janeiro de 2026

Comentários
Enviar um comentário