Melania: glamour em Washington, polémica internacional e estreia hoje em Portugal

 

O documentário da primeira-dama divide atenções antes de chegar às salas portuguesas

O documentário Melania, centrado na vida de Melania Trump, chega hoje às salas de cinema portuguesas, com exibição assegurada em grande parte dos complexos da NOS Audiovisuais. A estreia acontece num contexto particularmente tenso a nível internacional, depois de o filme ter sido retirado das salas sul-africanas ainda antes da sua estreia naquele país, invocando-se de forma vaga o “clima atual”.

O contraste não podia ser maior: enquanto em Washington o documentário foi apresentado numa noite de luxo, poder político e celebridades, na África do Sul o mesmo filme foi afastado silenciosamente da programação, levantando questões sobre política, diplomacia e liberdade de exibição cultural.

Uma estreia de alto perfil no coração do poder americano

A estreia mundial de Melania decorreu no Trump Kennedy Center, em Washington, perante uma plateia onde se misturaram membros do governo norte-americano, figuras da música, empresários e personalidades mediáticas. Donald Trump marcou presença e descreveu o documentário como “uma história moderna da Casa Branca”, elogiando o seu potencial de sucesso junto do público.

Melania Trump surgiu como anfitriã da noite, vestida com um conjunto preto da Dolce & Gabbana, e acompanhada pelo realizador Brett Ratner e pelos produtores Fernando Sulichin e Marc Beckman. A primeira-dama afirmou estar “muito orgulhosa” do trabalho desenvolvido, destacando a coesão da equipa criativa.

Entre os convidados estiveram Robert F. Kennedy Jr., Nicki Minaj, Gianni Infantino, Waka Flocka Flame, dr. Phil McGraw e Jordan Belfort, numa lista que sublinha a dimensão simbólica e mediática do evento.

Um filme retirado das salas sul-africanas antes da estreia

Quase em simultâneo com o brilho da estreia em Washington, surgiu a notícia de que Melania tinha sido retirado das principais cadeias de cinema da África do Sul, a Nu Metro e a Ster Kinekor, poucas horas antes da sua estreia internacional, prevista para 30 de janeiro.

Em declarações ao portal News24, Thobashan Govindarajulu, responsável de marketing da distribuidora Filmfinity, afirmou que “tendo em conta o clima atual, o filme não será mais exibido em salas no território”, sem especificar a que clima se referia. A agência France-Presse acrescenta que não foi possível obter esclarecimentos adicionais junto da empresa.

A decisão surge num momento de relações particularmente tensas entre o governo sul-africano e a administração Trump, marcadas por divergências diplomáticas profundas, incluindo críticas de Washington à política externa de Pretória e à acusação apresentada pela África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça.

Cinema, imagem e política — tudo no mesmo ecrã

Melania apresenta-se como um retrato próximo de 20 dias decisivos antes da tomada de posse de Donald Trump, acompanhando a primeira-dama num momento de transição e reposicionamento político. Mais do que um simples documentário biográfico, o filme assume-se como um exercício de controlo narrativo e de afirmação pública, algo que ajuda a explicar tanto o aparato da estreia americana como o desconforto gerado noutros contextos internacionais.

A chegada do documentário às salas portuguesas acontece, assim, envolta em polémica e curiosidade. Entre glamour, diplomacia e cinema político, Melania promete não passar despercebido — nem dentro, nem fora do grande ecrã.

Fonte: Clube de Cinema, 30 de janeiro de 2026

Os bastidores e as polémicas: críticas antes da estreia de documentário sobre Melania Trump

Rotina privada e polémicas antecipam lançamento do documentário sobre a vida da primeira-dama dos EUA. Filme custou cerca de 37 milhões de euros à Amazon e há quem preveja fraca bilheteira. "Melania" fica fora dos cinemas franceses

O filme sobre Melania Trump, assinado pela sua própria produtora, Muse Films, chega aos cinemas a 30 de janeiro em todo o Mundo, mas não será exibido nas salas francesas. "Decidiu-se não o difundir no cinema em França", explicou a Prime Video France, sem avançar datas para a disponibilização na plataforma de streaming. A decisão prende-se com as regras da cronologia dos média no país, que impõem prazos entre a estreia nos cinemas e a transmissão online.

O projeto, financiado pela Amazon, tornou-se um dos maiores contratos de licenciamento de documentário da história. Custou cerca de 37 milhões de euros e dá à plataforma Prime Video os direitos exclusivos de distribuição.

O filme acompanha a primeira-dama nos dias que antecederam a investidura de Donald Trump, mostrando encontros com líderes internacionais, os preparativos para o baile presidencial, com a criação da sua elegante roupa assinada por Hervé Pierre, e cuidados com a segurança e deslocações. O trailer mostra Melania com Donald em momentos de bastidores, incluindo reuniões privadas e conversas confidenciais.

Cartazes vandalizados

Apesar da estreia e da antestreia no Trump Kennedy Center marcada para 29 de janeiro, especialistas da indústria de entretenimento nos Estados Unidos preveem uma abertura modesta nas bilheteiras. Analistas afirmam que a história da organização da investidura presidencial carece do drama e conflito que o público procura, e o preço do bilhete, 25 dólares (cerca de 23 euros), tem sido criticado. Nas redes sociais comparam o filme a um "vlog de transição" ou a um "anúncio de campanha de alto orçamento", enquanto cartazes promocionais chegaram a ser vandalizados em algumas cidades.

O realizador Brett Ratner, envolvido na produção, também enfrenta críticas devido a acusações passadas de má conduta sexual e polémicas associadas a Jeffrey Epstein. Outra controvérsia prende-se com a ausência de Ivanka Trump do filme, uma escolha deliberada de Melania enquanto produtora executiva, segundo fontes.

Para além da vida pública, o filme mostra momentos privados. O casal Trump celebrou ontem 21 anos de casamento e tem um filho em comum, Barron, de 19 anos, que estuda na Universidade de Nova Iorque, mas acompanha as aulas a partir de Washington.

"Melania" promete uma perspetiva inédita da primeira-dama dos EUA, convidando os espectadores a conhecer o lado mais pessoal de quem, mesmo na retaguarda, não escapa ao escrutínio.

Fonte: Jornal de Notícias, 22 de jane de 2026

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