Zelensky culpa países como Portugal por deixarem a Ucrânia à beira de um apagão no pior inverno da guerra
Perry Mason
(1957-1966) – Linda Marshall
Depois
de ter virado o discurso no Fórum Económico Mundial de Davos, o presidente da
Ucrânia mostrou que está mesmo a adotar uma estratégia
mais agressiva para com a Europa,
na esperança de que a pressão resulte em mais ajuda e menos palavras
Desta vez, Volodymyr Zelensky decidiu acusar os europeus de
deixarem as defesas aéreas da Ucrânia totalmente expostas aos ataques
sucessivos que a Rússia tem realizado contra a infraestrutura energética.
Numa altura em que grande parte do país está a combater uma
brutal vaga de frio - em algumas cidades há mesmo relatos de temperaturas a
bater os 30 graus negativos -, a Rússia tem intensificado os ataques que deixam
os ucranianos sem eletricidade ou aquecimento, numa
tentativa de pressionar o poder político a ceder.
A Ucrânia está mesmo “à beira de um apagão”, referiu
Volodymyr Zelensky, que decidiu atirar para cima de países como Portugal parte
das culpas.
A lógica do presidente
ucraniano é fácil de perceber: de acordo com o próprio, a promessa
feita pelos parceiros europeus de uma entrega de intercetores de mísseis Pac-3
- os mísseis que funcionam nos sistemas Patriot - foi
cumprida com um dia de atraso por uma falha no pagamento.
Isso resultou, de acordo com Kiev, em milhões de pessoas sem
acesso a energia. O mesmo é dizer que ficaram sem luz, mas também aquecimento
ou até água. E tudo isto no pico do pior inverno desde que a guerra começou.
“A transferência ao abrigo da iniciativa da Lista de
Requisitos Prioritários para a Ucrânia (PURL) não foi paga. Os mísseis não
chegaram”, afirmou, ainda que sem referir um país responsável em concreto.
Em todo o caso, e tendo em conta os países que contribuem
para o PURL - uma iniciativa europeia que permite encomendar aos Estados Unidos
desejos da Ucrânia -, Portugal é um dos alvos destas declarações.
Em conjunto com Alemanha,
Noruega, Polónia, Países Baixos, Bélgica, Canadá, Luxemburgo, Eslovénia ou
Espanha, também Portugal contribui
para este mecanismo.
De acordo com o Financial Times, dois responsáveis do
Ocidente garantem que as acusações de Volodymyr Zelensky, que se referem a um
ataque ocorrido a 20 de janeiro, não são corretas.
“[O PURL] continua a providenciar o equipamento crucial dos
Estados Unidos para a Ucrânia, financiado pelos aliados da NATO e parceiros”,
garantiu um responsável da Aliança Atlântica, referindo que isso incluiu
equipamento e munições que “continuam a fluir”.
O PURL foi uma iniciativa lançada pela NATO e pelos Estados
Unidos para que os aliados possam comprar armamento norte-americano para depois
enviar para a Ucrânia. Entre esse material estão os conhecidos Patriots, uma
das principais armas na defesa da Ucrânia.
Voltando ao Fórum Económico Mundial de Davos, já aí
Volodymyr Zelensky tinha deixado a entender a sua frustração pela alegada falta
de pagamentos deste género, até porque têm sido dias e dias de falhas de
energia e de água.
“Imaginem isto: eu sei que os mísseis balísticos estão a vir
contra a nossa infraestrutura energética, eu sei que os sistemas Patriot estão
destacados e eu sei que não vai haver eletricidade, porque não há mísseis para
os intercetar”, disse em Davos.
“Essa é a situação em que eu estou. E estou a negociar
mísseis PAC-3 que chegaram um dia depois de termos sido deixados à beira de um
apagão”, reiterou nesse mesmo discurso.
Fonte: CNN Portugal 30 de janeiro
de 2026

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