Afinal, que nomes portugueses aparecem nos ficheiros de Epstein?
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Os
ficheiros de investigação a Jeffrey Epstein, divulgados recentemente pelo
Departamento de Justiça dos EUA, mencionam vários nomes portugueses. Entre eles
estão Luís Amado, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos Pires, atual
embaixador de Singapura, e Maria Gomes de Melo, mulher do mordomo de Epstein em
Paris
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou, no
início deste mês de fevereiro, cerca de 3,5 milhões de documentos da
investigação a Jeffrey Epstein, reacendendo controvérsias que atingem figuras
políticas, instituições internacionais e até a realeza. Entre os nomes citados,
há também vários portugueses.
Luís Amado, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros
O primeiro nome português a ser revelado foi o de Luís Amado, ministro dos Negócios Estrangeiros entre 2006 e 2011, que aparece numa lista de 15 personalidades estrangeiras num e-mail de 1 de outubro de 2010, que foi reenviado por Epstein ao então líder do Barclays Bank, Jess Staley.
Mais tarde, a 31 de outubro de 2010, o nome de Luís Filipe Marques Amado voltou a aparecer num e-mail que tinha outra lista de personalidades e sugeria datas entre 5 e 8 de novembro para o encontro.
O ex-ministro do governo socialista de José Sócrates, numa
reação à SIC Notícias, referiu nunca ter estado com Epstein: "Acho
ridículo isso. Nunca vi esse senhor na minha vida".
Carlos Pires, adjunto de Luís Amado e atual embaixador
de Singapura
Outro português a surgir nos documentos de Jeffrey Epstein é o de Carlos Pires, atual embaixador de Portugal em Singapura. O nome aparece numa troca de e-mails de novembro de 2010, quando Pires era adjunto do então ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado.
"Aguardo ansiosamente a sua visita a Nova Iorque. Venha
em breve", escreveu Epstein a Carlos Pires.
Em resposta, o agora diplomata afirmou: "Obrigado,
Jeffrey. Foi um prazer conhecê-lo e aguardo também a sua visita a Portugal
muito em breve! Manteremos o contacto".
Em declarações ao Correio da Manhã, Carlos Pires
sublinhou que o teor dos e-mails é "meramente circunstancial" e
afirmou que "nunca houve, obviamente, qualquer encontro em Nova Iorque ou
Portugal".
"O teor da troca de emails apresentada, da qual não
guardo memória, é meramente circunstancial, comum no exercício das minhas
funções, em que prima a cortesia, pelo que daí não há qualquer extrapolação a
fazer. Não privei com Jeffrey Epstein e sublinho que nunca houve, obviamente,
qualquer encontro em Nova Iorque ou Portugal", afirmou.
"Ao longo de quase três décadas ao serviço do Estado
português, tenho pautado o desempenho dos meus diversos cargos pela seriedade,
ética e transparência. Refuto qualquer tipo de
associação caluniosa ao referido indivíduo, através de insinuações e
conjeturas, e repudio, de forma veemente, qualquer tentativa de ataque à minha
honra, bom-nome e reputação", acrescentou.
Maria Gomes de Melo, mulher do mordomo de Epstein em
Paris
Surge também o nome Maria Gomes de Melo, mulher de Valdson
Vieira Cotrin, que foi mordomo do predador sexual durante 18 anos. O nome da
cidadã portuguesa aparece em vários bilhetes de avião que faziam,
maioritariamente, o percurso entre Nova Iorque e Paris, onde o casal trabalhava
num apartamento de luxo de Epstein.
No site do Departamento de Justiça norte-americano há cinco páginas onde aparece o nome da portuguesa, sendo que na sua maioria o conteúdo são reservas de viagens e bilhetes de avião e era a secretária pessoal de Epstein, Lesley Groff, quem tratava de tudo.
Em declarações ao jornal britânico The Telegraph,
Maria Gomes de Melo afirmou que, "em cerca de 20 anos", nunca viu
"nada de impróprio com mulheres menores de idade, nem em Nova Iorque, nem
na sua ilha privada, nem em Paris".
Avião privado de Epstein fez escala dos Açores
O avião privado do predador sexual - batizado de
"Lolita Express" numa referência ao livro de Vladimir Nabokov, que
conta a história de um professor de literatura sexualmente obcecado por uma
menina de 12 anos - esteve, pelo menos, quatro vezes na ilha de Santa Maria,
nos Açores, entre 2002 e 2003.
Ficheiros de Epstein mencionam Casa Pia e Madeleine
McCann
Há também uma menção à Casa Pia e ao desaparecimento de
Madeleine McCann numa denúncia remetida às autoridades norte-americana, que
dava conta de que "milionários americanos" viajavam até Portugal para
abusar sexualmente de menores na Casa Pia.
"Um documentário de 2019, atualmente em exibição na Netflix Canadá, intitulado O Desaparecimento de Madeleine McCann, é sobre a menina inglesa de quatro anos que desapareceu de Portugal, em 2007, enquanto estava de férias com os pais e irmãos. Nunca foi encontrada. Na temporada 1, episódio 3, jornalistas portugueses referem-se a um escândalo ocorrido anos antes, relacionado com abuso infantil num orfanato português. É referido como o Pacto do Silêncio. Em relação ao orfanato, Casa Pia, uma jornalista afirma que é um facto conhecido que milionários americanos voavam para Portugal em jatos particulares com o objetivo de abusar sexualmente dessas crianças. Esta pode ser uma linha de investigação que podem querer seguir", lê-se na denúncia, que foi enviada na noite do dia 23 de julho de 2019.
Jeffrey Epstein, recorde-se, foi encontrado morto na sua
cela de uma prisão federal em Nova Iorque, com um lençol atado ao pescoço, em
2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de exploração sexual.
Fonte: Notícias ao Minuto, 16 de fevereiro de 2026






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