Convocado pelo governo, embaixador dos EUA em França não aparece e alega compromissos pessoais
Perry Mason
(1957-1966) – David Lewis
Uma
fonte diplomática disse que o embaixador norte-americano em Paris, Charles
Kushner, se fez representar por um responsável da embaixada dos Estados Unidos,
alegando ter compromissos pessoais. A embaixada norte-americana ainda não
comentou a situação
O embaixador norte-americano em Paris, Charles Kushner, não
compareceu esta segunda-feira a uma convocatória do ministério dos Negócios
Estrangeiros francês, na sequência dos comentários do governo dos Estados
Unidos pela morte de um estudante de extrema-direita.
"Face a esta aparente
incompreensão dos requisitos básicos da missão de um embaixador que tem a honra
de representar o seu país, o ministro [dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noel
Barrot] solicitou que deixasse
de ter acesso direto aos membros do governo francês",
afirmou o ministério.
"É claro que continua a ser possível que o embaixador
Charles Kushner exerça a missão e se apresente ao Quai d'Orsay [sede do ministério
dos Negócios Estrangeiros francês] para que possamos ter as trocas diplomáticas
que permitam aplainar os atritos que, inevitavelmente, podem surgir numa
relação de amizade com 250 anos", precisou, no entanto.
Uma fonte diplomática disse à agência de notícias France-Presse
(AFP) que o embaixador se fez representar por um responsável da embaixada dos
Estados Unidos, alegando ter compromissos pessoais.
A embaixada norte-americana ainda não comentou a situação.
Charles Kushner foi convocado a pedido de Barrot, que
criticou no domingo os comentários da administração do presidente, Donald
Trump, republicados pela embaixada norte-americana em Paris na rede social X,
sobre a morte de um estudante de extrema-direita radical francesa.
A administração Trump denunciou na sexta-feira a violência política da extrema-esquerda numa primeira reação oficial após a morte na França do militante de extrema-direita radical Quentin Deranque, apelando para que os responsáveis fossem levados à Justiça.
A agência de notícias Associated Press (AP) disse que
Deranque, um ativista de extrema-direita, morreu na semana passada devido a
lesões cerebrais causadas por espancamento na cidade francesa de Lyon.
Foi atacado durante uma luta à margem de uma reunião
estudantil, onde uma legisladora de extrema-esquerda, Rima Hassan, era a
oradora principal.
O assassínio deixou evidente um clima de profundas tensões
políticas antes das eleições presidenciais do próximo ano.
"Recusamos qualquer instrumentalização deste drama
(...) para fins políticos", sublinhou Barrot no domingo na rádio,
considerando que a França "não tem nada a aprender em matéria de
violência, em particular da parte da reação internacional".
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, também
comentou a morte de Quentin Deranque, provocando uma troca de argumentos com o presidente
francês, Emmanuel Macron, que lhe pediu para parar de "comentar o que se
passa nos outros países".
O embaixador norte-americano em França, que assumiu o cargo
no verão passado, já havia sido convocado no final de agosto ao ministério dos
Negócios Estrangeiros, depois de críticas consideradas inaceitáveis por Paris,
sobre a "ausência de ação suficiente" contra o "antissemitismo
de Emmanuel Macron".
Na ausência do embaixador em Paris foi o encarregado de
negócios da embaixada norte-americana que compareceu à convocação.
Fonte: SIC Notícias, 23 de fevereiro de 2026



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