Diplomacia russa classifica como "necropropaganda" acusações de envenenamento de Navalny
O.P.J.
Pacifique Sud (2019) - Nathan Dellemme, Yaëlle Trules, Marion Campan, Sébastien
Fioux
A diplomacia russa classificou como
"necropropaganda" e "ultraje aos mortos" as acusações dos
governos de cinco países ocidentais sobre o envenenamento do líder da oposição
Alexei Navalny com uma toxina letal extraída de uma espécie de rã
sul-americana. "O método escolhido
pelos políticos do Ocidente, a necropropaganda, desperta verdadeiro
estupor", assinalou a Embaixada da Rússia em Londres, num comunicado
divulgado pela agência TASS, na véspera de se assinalar o segundo aniversário
da morte do opositor numa prisão do Ártico.
Segundo a missão diplomática, as acusações feitas pela
Alemanha, Reino Unido, França, Suécia e Países Baixos "não são uma busca
de justiça, mas um ultraje aos mortos".
"Mesmo após a morte de um cidadão russo, Londres e as
capitais europeias não conseguem deixá-lo descansar em paz, o que demonstra de
forma muito eloquente a índole dos promotores desta campanha",
acrescentou.
A Embaixada criticou também os meios de comunicação que se
"afiliaram servilmente a estruturas políticas e serviços de informações do
Ocidente".
"O objetivo deste irrisório espetáculo circense é
transparente: acender na sociedade ocidental a agonizante chama antirrussa. Se
não existem motivos, inventam-nos à força", concluiu.
Por seu lado, a porta-voz do ministério dos Negócios
Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, qualificou as acusações europeias como
uma "campanha informativa para desviar a atenção dos graves problemas do
Ocidente".
"No momento em que seria necessário apresentar os
resultados das investigações sobre (os gasodutos) Nord Stream 1 e 2,
recordam-se de Navalny", afirmou.
Zakharova recordou que, na altura, a Rússia pediu sem
sucesso à Europa os resultados das análises que a incriminariam nos
envenenamentos de Navalny e do ex-espião russo Serguei Skripal.
O Reino Unido, a Suécia, a França, a Alemanha e os Países
Baixos denunciaram no sábado que Navalny morreu envenenado com uma toxina letal
presente em rãs-dardo venenosas da América do Sul.
Estes países sublinharam que os respetivos governos chegaram
a esta conclusão com base em amostras recolhidas a Navalny, que confirmaram de
forma conclusiva a presença desta substância denominada epibatidina.
A Rússia sempre afirmou que Navalny morreu de causas
naturais na prisão, em fevereiro de 2024. No entanto, dada a toxicidade da
epibatidina e os sintomas relatados, é muito provável que o envenenamento tenha
sido a causa da sua morte, acrescenta a nota conjunta.
Estima-se que este veneno seja 200 vezes mais potente do que
a morfina, segundo noticiaram hoje meios de comunicação britânicos.
O comunicado conjunto salienta que o líder da oposição russa
perdeu a vida aos 47 anos, enquanto se encontrava numa prisão na Sibéria, o que
significa que a Rússia tinha os meios, o motivo e a oportunidade para lhe
administrar este veneno.
Fonte: RTP, 15 de fevereiro de 2026
De facto, matar um tipo numa prisão é muito difícil. Tão difícil que é preciso pagar as tarifas de Donald Trump importando rãs-dardo venenosas da América do Sul.


Comentários
Enviar um comentário