Diplomata francês implicado no caso Epstein

Perry Mason (1957-1966) – Marie Worsham

Fabrice Aidan, antigo diplomata francês em cargo na ONU entre 2010 e 2013, manteve contactos com o milionário Jeffrey Epstein, este último acusado de tráfico de influências e abusos sexuais

O caso Jeffrey Epstein, que se suicidou na sua cela em 2019, continua a dar que falar após a divulgação de mais de 3 milhões de documentos.

Um antigo diplomata francês, Fabrice Aidan, que trabalhava para o gigante da energia, Engie, tem o seu nome citado em vários documentos e trocas de mensagem com o milionário.

Segundo os documentos divulgados pela justiça norte-americana, Fabrice Aidan transmitiu a Jeffrey Epstein informações diplomáticas, ajuda com serviços e ofereceu a sua rede de contactos internacionais.

Fabrice Aidan estava na ONU entre 2010 e 2013 quando este começou a trocar mensagens com Jeffrey Epstein, oferecendo os seus serviços e divulgando documentos da ONU.

Em 2013, quando o FBI inicia a sua investigação, Fabrice Aidan volta para França e deixa as suas funções.

Ultimamente ele estava a trabalhar para o gigante da energia, Engie, mas acabou por ficar suspenso das suas funções na terça-feira 10 de fevereiro após a divulgação dos documentos.

No entanto, as trocas de mensagens não implicariam o antigo diplomata francês no esquema de crimes sexuais de Jeffrey Epstein.

Jean-Noël Barrot, ministro francês dos Negócios Estrangeiros, afirmou que estava “indignado” com os documentos revelados pela justiça norte-americana. Uma investigação foi iniciada pelo ministro, visto que Fabrice Aidan ocupava a função de secretário do ministério dos Negócios Estrangeiros, mesmo se o lugar estava vago.

Neste caso tentacular, uma mulher apresentou uma queixa em Paris contra Daniel Siad, argelino naturalizado sueco, que tinha por missão presumível recrutar manequins para Jeffrey Epstein. Segundo Ebba Karlsson, que tinha 20 anos nos anos 90, Daniel Siad violou-a na Côte d’Azur, no Sul da França.

Daniel Siad também é um dos nomes citados muitas vezes nos documentos divulgados, no entanto em declarações à imprensa, ele negou que tivesse tido conhecimento dos abusos sexuais cometidos por Jeffrey Epstein.

Entretanto, o antigo ministro francês da Cultura, Jack Lang, cujo nome também está presente nos documentos, demitiu-se das suas funções de presidente do Instituto do Mundo Arabe em Paris, um instituto cultural francês dedicado ao mundo árabe.

Fonte: RFI, 11 de fevereiro de 2026

Entre as elites globais — essa nata das sociedades — poderá estar a ocorrer um fenómeno curioso, semelhante aos tempos do programa da RTP “Contra Informação”. Nessa altura, as figuras da elite portuguesa ambicionavam ter direito a um boneco satírico no programa, feito de raiz para si e não reciclado a partir de outros já fabricados; a ausência equivalia a um atestado de irrelevância política ou social.

Algo semelhante parece surgir agora em torno dos Ficheiros Epstein: num jogo natural de vaidades, não será a menção que envergonha, mas a omissão. Como se, para todos, não constar da lista fosse um verdadeiro sinal de insignificância social, de não ter estado com os kids mais populares.

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