Divulgados os beneficiários da fortuna de Epstein

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Dois dias antes de se ter suicidado em agosto de 2019 na prisão federal onde estava detido, Jeffrey Epstein assinou um documento onde estipulou quem recebia a sua fortuna, na altura avaliada em mais de 630 milhões de dólares (cerca de 530 milhões de euros), após a sua morte. O documento, denominado “1953 Trust”, revelou que o milionário condenado por tráfico sexual planeava distribuir os seus bens por 43 beneficiários, que incluem familiares, amigos próximos e a sua então namorada, Karina Shuliak, que iria receber cerca de 100 milhões de dólares (aproximadamente 85 milhões de euros) e a maior parte das suas propriedades.

O documento revelou ainda que Jeffrey Epstein planeava pedir Karina Shuliak



em casamento e oferecer-lhe um anel com um diamante de 33 quilates. Shuliak é, de longe, a maior beneficiária do “1953 Trust” e o plano era que esta recebesse 50 milhões de dólares (mais de 42 milhões de euros) de imediato, e outros 50 através de uma anuidade. Numa nota redigida à mão no documento, Epstein escreveu que deu à sua então namorada 48 diamantes avulsos, que lhe passariam a pertencer “caso o casamento não fosse consumado”.  As propriedades que o milionário planeava deixar a Karina Shuliak incluíam a sua mansão em Manhattan, o apartamento em Paris, o rancho no México e as suas duas ilhas privadas nas Ilhas Virgens, de acordo com o Business Insider.

A dentista bielorrussa

mudou-se para os Estados Unidos em 2009 e a sua relação com o milionário durou entre 8 a 10 anos, mas só veio a público meses depois da morte por enforcamento de Epstein. Shuliak foi a última pessoa que se conhece que falou com o condenado por tráfico sexual fora do estabelecimento prisional em Manhattan onde este se encontrava. De acordo com os registos do Departamento Penitenciário, Epstein passou 20 minutos a falar com a sua então namorada na noite anterior à sua morte, através de uma chamada telefónica que não foi gravada.

Uma cópia do documento, que tem ao todo 32 páginas, foi incluída nos cerca de três milhões de páginas em ficheiros de investigação sobre o milionário norte-americano que o Departamento de Justiça dos EUA divulgou. Embora a sua existência tenha sido mencionada no seu testamento público, e em litígios sobre o seu património nas Ilhas Virgens, o seu conteúdo permaneceu em segredo nos anos que se seguiram à sua morte.

O “1953 Trust” visava substituir um documento de janeiro de 2019 onde Epstein planeou a distribuição da sua fortuna mas não chegou a entrar em vigor, sendo concebido como um “fundo de transferência”, que distribuiria os bens do milionário após a resolução das questões relativas ao seu património, segundo o Business Insider. Em conjunto, os documentos oferecem informações sobre o círculo íntimo de Jeffrey Epstein: no documento anterior, a maior beneficiária seria Celina Dubin, a filha mais velha da ex-namorada do condenado por tráfico sexual, Andersson Dubin, e do multimilionário Glenn Dubin.

Não é clara a quantia que cada beneficiário vai receber, dado que o património de Jeffrey Epstein diminuiu consideravelmente nos últimos sete anos, após o pagamento de impostos, indemnizações a centenas de vítimas e elevados honorários de advogados. De acordo com o New York Times, um relatório judicial recente avaliou o património do milionário em mais de 120 milhões de dólares (cerca de 100 milhões de euros), que pode valer mais, uma vez que vários investimentos de capital de risco ainda estão avaliados à data da sua morte.

Os maiores beneficiários do “1953 Trust”, para além da Shuliak, são o advogado pessoal de Epstein, Darren Indyke, que receberia 50 milhões de dólares, e Richard Kahn, o seu contabilista, que receberia 25 milhões. Após a morte do condenado por tráfico sexual, ambos criaram um fundo de restituição que pagou cerca de 121 milhões de dólares às vítimas.

Mark Epstein, e Ghislaine Maxwell, condenada em 2011 por conspiração com Epstein e por tráfico sexual de adolescentes, também aparecem na lista de beneficiários. O “1953 Trust” afirmava que cada um deles deveria receber 10 milhões de dólares. Jeffrey Epstein pretendia ainda deixar 5 milhões de dólares a Martin Nowak, um professor de matemática da Universidade de Harvard, com quem mantinha uma relação de amizade há vários anos. A maior parte dos beneficiários eram pessoas que tinham trabalhado para o milionário e alguns nomes foram omitidos da cópia de 32 páginas do documento.

Fonte: Observador, 4 de fevereiro de 2026

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