Epstein: de Bill Gates e Sarah Fergunson a Elon Musk o que dizem os novos ficheiros libertados
Perry Mason
(1957-1966) – Davey Davison
O
Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) tornou públicos mais de três
milhões de páginas de documentos relacionados com Jeffrey Epstein, no âmbito da
aplicação da Epstein Files Transparency Act
A nova divulgação inclui cerca de 180 mil imagens e dois mil
vídeos, bem como emails, relatórios internos, documentos judiciais e registos
prisionais. As autoridades garantem que toda a informação que pudesse
identificar vítimas foi removida ou ocultada.
Os ficheiros revelam múltiplos contactos de Epstein com
figuras públicas e empresários de grande notoriedade, como Elon Musk, Richard
Branson, Bill Gates, Sarah Ferguson, Peter Mandelson e o príncipe Andrew. Em
vários casos surgem trocas de emails sobre encontros, viagens ou apoios
financeiros, embora o Departamento de Justiça sublinhe que a simples menção nos
documentos não constitui prova de envolvimento em crimes. Algumas das figuras
visadas já reagiram, rejeitando categoricamente qualquer irregularidade.
Entre os documentos mais sensíveis estão fotografias e mensagens que voltam a colocar sob escrutínio o príncipe Andrew, sugerindo uma relação próxima com Epstein após a sua condenação em 2008. Também surgem referências a convites para encontros com mulheres jovens, bem como mensagens trocadas após Epstein ter cumprido pena por crimes sexuais envolvendo menores. O príncipe Andrew mantém a negação de qualquer comportamento ilegal.
A divulgação inclui ainda um rascunho de acusação com 32
crimes que chegou a ser preparado contra Epstein, documentos sobre a sua
estadia na prisão e detalhes das falhas de
vigilância no dia da sua morte, em 2019. E segundo a BBC estes
elementos alimentam novamente dúvidas públicas sobre a forma como o caso foi
tratado pelas autoridades.
Apesar da dimensão da divulgação, sobreviventes dos abusos
de Epstein criticam duramente o processo, acusando o DOJ de expor nomes e
imagens de vítimas enquanto continua a omitir a identificação de outros homens
envolvidos nos abusos. Advogados e organizações de defesa das vítimas
classificam a divulgação como “traumatizante” e exigem a publicação integral
dos ficheiros.
Politicamente, o processo está longe de encerrado.
Democratas acusam o Departamento de Justiça de reter cerca de metade dos
documentos recolhidos, violando a lei aprovada pelo Congresso, enquanto o DOJ
sustenta que o trabalho está concluído e que novas divulgações colocariam em
risco vítimas ou investigações. A controvérsia mantém viva a suspeita pública
de que figuras poderosas continuam protegidas.
As vítimas de Jeffrey Epstein reagiram com indignação à
libertação dos últimos ficheiros pelo Departamento de Justiça dos EUA. Muitas
tiveram os seus nomes ou informações pessoais divulgadas, incluindo algumas que
nunca tinham sido identificadas publicamente.
A advogada Gloria Allred descreveu a situação como “um
desastre absoluto” e afirmou que o DoJ atingiu um “novo ponto baixo” ao não
proteger adequadamente as vítimas. As
sobreviventes consideram injusto
que os homens que as abusaram permaneçam protegidos, enquanto elas são expostas
e revivem o trauma. Pedem transparência total e exigem que todos os documentos
legalmente obrigatórios sejam libertados e que todos os abusadores e cúmplices
sejam identificados.
Annie Farmer,
Elon Musk
Os documentos mostram que Elon Musk trocou emails com
Epstein em 2012 e 2013, aparentemente a tentar
combinar uma visita à ilha do empresário. Musk referiu que
provavelmente estaria acompanhado apenas da ex-mulher, Talulah Riley, e
perguntou a Epstein qual seria o dia ou noite em que haveria a “festa mais
selvagem” na ilha. Epstein respondeu que a proporção de pessoas na ilha poderia
deixar Talulah desconfortável, ao que Musk replicou que “a proporção não é um
problema para Talulah”. Apesar dos contactos, Musk nunca visitou a ilha devido
a “questões logísticas”. Publicamente, Musk afirmou na rede X ter tido “muito
pouca correspondência” com Epstein e ter recusado repetidos convites para
visitar a ilha ou voar no “Lolita Express”.
Richard Branson
Entre os emails divulgados, um de 2013 mostra Branson a
escrever a Epstein: “Sempre que estiver na zona, adoraria vê-lo. Desde que
traga o seu harém.” Epstein agradeceu pela hospitalidade recente e pelos
conselhos de relações públicas. A Virgin clarificou que o termo “harém” se
referia apenas a três membros adultos da equipa de Epstein, e que Branson não
teria contacto com a pessoa se conhecesse os factos completos. A empresa
reiterou que o contacto de Branson com Epstein ocorreu apenas algumas vezes, em
eventos de grupo ou de caridade, há mais de doze anos.
Bill Gates
Nos ficheiros surgem alegações de Epstein sobre Gates, incluindo uma suposta infeção sexualmente transmissível
e pedidos de assistência médica, embora não se confirme que os emails tenham
sido enviados a Gates. Bill Gates respondeu oficialmente que as alegações eram
“absolutamente absurdas e completamente falsas” e que se tratavam apenas de
tentativas de Epstein de o difamar. Não há evidências de qualquer comportamento
impróprio por parte de Gates nos documentos divulgados.
Sarah Ferguson
Emails de 2009 indicam que a ex-duquesa de York tinha uma
relação próxima com Epstein, descrevendo-o como
“o irmão que sempre desejei ter”. Sarah Ferguson pedia ajuda
financeira para pagar rendas e despesas após falhanços de negócios, e os
documentos sugerem que Epstein a ajudou financeiramente durante 15 anos.
Paralelamente, Epstein enviava mensagens depreciativas sobre Sarah Ferguson a terceiros,
evidenciando um comportamento manipulador por trás das costas da ex-duquesa.
Não há indícios de crime da parte de Sarah Ferguson nos emails.
Peter Mandelson
Emails de 2009 mostram Mandelson a pedir a Epstein para
ficar na sua propriedade em Nova Iorque durante um fim de semana, enquanto
Epstein cumpria parte da sua pena de prisão. Mandelson, que ocupava cargos
governamentais de topo, afirmou depois à BBC que tinha sido “muito claro” sobre
a sua relação com Epstein, que nunca presenciou ou suspeitou de crimes, e que
“caiu nas mentiras de Epstein”.
Príncipe Andrew
Os documentos incluem fotografias em que Andrew aparece
ajoelhado sobre uma mulher no chão, bem como emails de Epstein a convidá-lo
para jantar com uma mulher russa de 26 anos. Alguns emails datam de 2010, dois
anos após Epstein ter sido condenado por solicitar sexo a uma menor. Os
ficheiros revelam contactos com o apelido “The Duke”, incluindo propostas de
encontros privados. Andrew tem negado consistentemente qualquer comportamento
ilícito e afirma não ter testemunhado ou suspeitado de qualquer crime relacionado
com Epstein. As novas imagens e emails voltam a colocar pressão sobre o
príncipe, reacendendo o escrutínio público sobre a sua amizade passada com
Epstein.
Fonte: 24 Notícias, 31 de janeiro
de 2026


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