"Escândalo de pedofilia foi coorganizado pelas secretas russas". Polónia vai investigar supostas ligações de Epstein ao Kremlin

Perry Mason (1957-1966) – Hugh Marlowe, Ron Starr

Nomes de políticos, empresários e mulheres da Rússia são comuns nos ficheiros e Tusk questionou se os crimes de Epstein podem ter sido um esquema do Kremlin, herdado do KGB — e com efeitos na Polónia

São mais de 3 milhões e meio de páginas, 2 mil vídeos e 180 mil imagens. Entre os milhões de documentos relacionados com Jeffrey Epstein, publicados pelo Departamento de Justiça norte-americano na passada sexta-feira, há nomes que se repetem milhares de vezes. Um deles é o de Vladimir Putin, que aparece mencionado diretamente 1056 vezes. As repetidas referências à Rússia levaram a Polónia a abrir uma investigação à relação entre o criminoso sexual e o Kremlin, anunciou o primeiro-ministro polaco esta terça-feira.

“Mais e mais pistas, mais e mais informação, mais e mais comentário na imprensa internacional, tudo está relacionado com a suspeita de que este escândalo de pedofilia sem precedentes foi coorganizado pelos serviços de informação russos”, declarou Donald Tusk, citado pela agência Reuters. Face a este cenário, Varsóvia criou uma equipa especial, focada em investigar esta suposta relação e as possíveis consequências para a Polónia.

“Não preciso de vos dizer um quão séria a possibilidade crescente de os serviços de informação russos terem organizado esta operação é para a segurança do Estado polaco”, argumentou. “Isto só pode querer dizer que eles também têm materiais comprometedores contra muitos líderes que ainda estão no ativo hoje”, justificou.

É verdade que a referência a políticos e mulheres russas é muito frequente nos milhares de páginas. Porém, a referência direta nos chamados “ficheiros Epstein” não significa necessariamente que tenham sido cometidos crimes. Aquilo a que o chefe do Executivo polaco descreve é algo mais específico do que uma mera ligação entre Epstein e a alta sociedade russa: é uma “armadilha romântica”, como caracteriza Tusk, ou um “kompromat“, como refere uma jornalista ucraniana independente, citada pelo The Telegraph.

Trata-se de um esquema utilizado pelo KGB — os serviços secretos soviéticos, a que Putin pertenceu —, em que empresários e políticos influentes são atraídos por mulheres para supostos encontros sexuais de forma a obter “materiais comprometedores” (daí a abreviatura “kompromat”) que depois pudessem ser utilizados como material de chantagem.

“Epstein tinha contacto com oficiais russos e com o próprio Putin. Muitas das raparigas eram russas. Elites ocidentais poderosas passaram pela sua órbita. Quais são as chances de isto não ser uma clássica operação russa de ‘kompromat‘ — e o Departamento de Justiça está só a ignorar o elefante na sala?”, questionou a jornalista Tanya Kozyreva. No entanto, não existe, nos ficheiros ou em qualquer investigação paralela, provas de que Jeffrey Epstein tenha, efetivamente, criado o seu esquema de tráfico humano e crimes sexuais por ordens de Moscovo.

O ministério dos Negócios Estrangeiros e a embaixada russa em Varsóvia não responderam às questões colocadas pela Reuters. Porém, no final do ano passado, a porta-voz do ministério russo, Maria Zakharova, já se tinha pronunciado sobre os ficheiros Epstein. “Aqui, segundo percebi, estavam todos os ‘professores da vida’ ocidentais que olhavam para a Rússia com desprezo e que nos davam lições sobre ‘democracia e direitos humanos’ em poses interessantes com parceiros de lazer igualmente interessantes”, escreveu no seu canal de Telegram.

Fonte: Observador, 2 de fevereiro de 2026

A mão que lava a Mossad. 

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