Ex-secretário de Estado de Sócrates revelou em tribunal que recebia 25 mil euros por mês por informações
Perry Mason
(1957-1966) – Meg Wyllie, Beulah Bondi
José
Conde Rodrigues integrou os dois governos de José Sócrates e teve uma prestação
de serviços para a empresa de Carlos Santos Silva após sair da governação
Um ex-secretário de Estado do antigo primeiro-ministro José
Sócrates disse esta terça-feira, em tribunal que
conheceu Carlos Santos Silva após sair do governo e que recebeu 25 mil euros por mês por
informações transmitidas verbalmente e recolhidas em fontes abertas.
A propósito do julgamento do processo Operação Marquês, José
Conde Rodrigues foi chamado a testemunhar no tribunal de Lisboa, uma vez que
ocupou os cargos de secretário de Estado Adjunto e da Justiça entre 2005 e 2009
e de secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna entre 2009 e 2011
- governos liderados por José Sócrates -, tendo depois assinado contratos com o
arguido Carlos Santos Silva, ligado ao grupo Lena e considerado pela acusação
do Ministério Público um dos testas-de-ferro de Sócrates entre 2005 e 2011.
Esta terça-feira, em tribunal, José Conde Rodrigues explicou
que só conheceu Carlos Santos Silva quando saiu do Governo liderado por José
Sócrates.
"Foi-me apresentado por um amigo meu que tinha sido
colega dele [de Carlos Santos Silva] no [Instituto Superior] Técnico",
explicou.
Carlos Santos Silva terá dito que queria investir noutros
países, sobretudo na Venezuela, tendo José Conde Rodrigues referido que
prestava serviços de consultoria e, com esta informação, foi assinado um
contrato de 25 mil euros mensais entre a sociedade XMI e José Conde Rodrigues,
explicou o ex-secretário de Estado.
De acordo com a acusação do Ministério Público, José Conde
Rodrigues recebeu 161 mil euros das contas da sociedade XMI através de dois
contratos - um relacionado com informações sobre a Venezuela e outro sobre
Marrocos.
"Na execução dos
alegados contratos de prestação de serviços, José Conde Rodrigues manteve
reuniões com o arguido Carlos Santos Silva, na sua maioria no decurso de
almoços, em que de forma apenas verbal lhe terá transmitido o resultado do seu
alegado trabalho", lê-se na acusação.
Esta terça-feira, José Conde Rodrigues admitiu que as
informações que transmitia a Carlos Santos Silva eram recolhidas através de
fontes abertas e que nunca foram pedidos relatórios, sendo a informação
transmitida durante encontros, essencialmente almoços.
O principal arguido do processo Operação Marquês é o
ex-primeiro-ministro José
Sócrates, de 68 anos, que está pronunciado (acusado após instrução) de
22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo
Espírito Santo (GES) e o 'resort' algarvio de Vale do Lobo.
No total, o processo conta com 21 arguidos que têm, em
geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente
lhes são imputados.
Os crimes terão sido praticados entre 2005 e 2014 e no
primeiro semestre deste ano podem prescrever, segundo o tribunal, os crimes de
corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo.
O julgamento começou em 3 de julho de 2025 e tem sessões
agendadas, pelo menos, até 15 de julho de 2026.
Fonte: SIC Notícias, 3 de
fevereiro de 2026

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