"Foram mercenários": Saif Kadhafi, filho de Muammar Kadhafi, baleado mortalmente
Perry Mason
(1957-1966) – William Hopper, Raymond Burr
O filho de Muammar Kadhafi, Saif al-Islam Kadhafi, foi
abatido nesta terça-feira no nordeste da Líbia. O filho do ditador líbio, que
governou o país durante mais de 40 anos, era alvo de um mandado de detenção do
Tribunal Penal Internacional por crimes contra a Humanidade.
Considerado como o sucessor do seu pai, o líder de 53 anos
tinha sido candidato às eleições presidenciais inicialmente previstas em 2021,
mas que nunca chegaram a ser organizadas devido à instabilidade política.
Ele vinha recebendo ameaças há cerca de dez dias, segundo o
seu advogado Marcel Ceccaldi que em entrevista com Adélia Teixeira, dá conta do
que se conseguiu apurar sobre as circunstâncias do assassínio do seu cliente.
“Foi precisamente às 14h30. Ele estava no pátio da sua casa
quando quatro homens armados entraram lá e o abateram. Na altura ele estava
sentado no pátio de sua casa. As câmaras de videovigilância tinham sido
previamente desativadas.
O que é facto é que desde há cerca de dez dias alguns dos
seus familiares estavam bastante preocupados com a sua segurança, com muitos
boatos e rumores. O chefe da tribo Kadhafa tinha-lhe ligado a dizer que ia
enviar-lhe homens para garantir a sua segurança! Ele recusou, pensando não ter
nada a temer.
Foram mercenários que atuaram, não foi um comando recrutado à pressa, eram profissionais a sério.”
Em 2015, ele foi condenado à morte pelo tribunal de Trípoli
após um julgamento sumário, antes de receber uma amnistia. Vivia desde então na
cidade de Zintan, no nordeste do país. Segundo o advogado, ele vivia
discretamente, mas não recluso, e viajava frequentemente entre Zintan e o sul
da Líbia.
Uma investigação foi aberta pelo Ministério Público de
Trípoli. O gabinete do procurador informou que uma equipa de médicos legistas
se deslocou ao local na terça-feira para examinar o corpo.
Antes de prometer um banho de sangue para os manifestantes
da Primavera Árabe, ele foi considerado durante algum tempo uma esperança
progressista e moderada da política líbia.
Desde 2011 e a queda espetacular
de Muammar Kadhafi, a Líbia vive uma situação política instável: o
Governo de Unidade Nacional (GNU) de Trípoli, liderado por Abdelhamid Dbeibah e
reconhecido pela ONU, disputa o poder com o marechal Haftar, que controla o sul
e o leste do país.
As eleições presidenciais, nas quais Saif al-Islam Kahafi
era candidato, foram adiadas desde 2021 e, até ao momento, não foram
realizadas. Segundo o seu advogado, a sua candidatura era motivo de tensão e
tornava-o vulnerável:
“Há Estados que não tinham
qualquer interesse em que o Saif voltasse ao poder. Se o Saif tivesse voltado
ao poder, o Catar, que se apoderou de certas zonas de gás líbio, teria sido
obrigado a devolvê-las. Há também a Turquia, que apoia o marechal Haftar, e a
Rússia, que também o apoia.”
Nem o governo de Trípoli nem o clã do general Haftar
emitiram comentários sobre o sucedido desde esta terça-feira.
Fonte: RFI, 4 de fevereiro de 2026

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