Governo do Irão diz que estudantes têm direito a protestar mas com limites
Os
protestos eclodiram em dezembro do ano passado, em Teerão, devido às
dificuldades económicas no país agravadas pelas sanções internacionais e, em
janeiro, as manifestações escalaram para todo o território. O governo iraniano
afirmou esta terça-feira que as manifestações estudantis, levadas a cabo nos
últimos dias, são um “direito” dos cidadãos mas deixou um alerta para as
“linhas vermelhas a proteger e a não ultrapassar”
Com bandeiras da República Islâmica em chamas e apelos à
morte do líder supremo do país ayatollah Ali Khamenei, os estudantes do Irão
voltaram a sair à rua em protestos contra o regime a vigorar no país.
Em resposta às mobilizações dos últimos dias, a porta-voz do
governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, afirmou que os estudantes “têm
naturalmente o direito de protestar” ao mesmo tempo que “devem compreender os
limites”.
Dando como exemplo “os locais sagrados” e “a bandeira” da
República Islâmica, a responsável do poder político iraniano disse que há
“linhas vermelhas a proteger e a não ultrapassar, mesmo no auge da ira”.
O surgimento de novos protestos universitários no sábado, no
arranque do novo semestre, surgem agora como uma forma de resistência e desafio
redobrados ao regime iraniano, depois de os movimentos civis contra o custo de
vida terem enfrentado uma repressão violenta por parte das forças policiais
iranianas, com um custo de milhares de mortes.
Os números não são exatos e variam consoante as fontes mas,
de acordo com a Agência de Notícias de Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA),
citada pela Rádio Renascença, a repressão causou a morte de mais de 7000
cidadãos. Apesar de, no início deste mês, as autoridades iranianas terem
reconhecido a morte de milhares de pessoas, afirmam que na sua grande maioria
eram membros das forças de segurança ou transeuntes mortos por terroristas ao
serviço dos Estados Unidos e de Israel.
Os protestos eclodiram em dezembro do ano passado, em
Teerão, devido às dificuldades económicas no país agravadas pelas sanções
internacionais e, em janeiro, as manifestações escalaram para todo o
território.
Um Tribunal Revolucionário do Teerão condenou esta
terça-feira à pena de morte um iraniano envolvido nos protestos de janeiro.
Está acusado de crimes de "hostilidade contra Deus", segundo conta
uma fonte próxima do homem indiciado à Reuters. O visado na alegada sentença é
Mohammad Abbasi, acusado do homicídio de um
agente de segurança e, a ser confirmada, esta será a primeira
condenação à morte relacionada com as recentes manifestações.
De acordo com a mesma fonte, a filha do réu, Fatemeh Abbasi,
também foi condenada a 25 anos de prisão por ações ligadas aos protestos de
janeiro.
Donald Trump, que está atualmente a negociar com
Teerão sobre o programa nuclear iraniano, já ameaçou intervir com ações
militares no Irão caso o país insista em sanções como a pena de morte.
A acrescentar à tensão entre os Estados Unidos e o Irão,
cada vez mais pressionado por Trump, foi, entretanto, detetada atividade
militar iraniana ao longo do Golfo.
De acordo com uma televisão iraniana, o Corpo de Guardas da
Revolução Islâmica começou a concentrar-se esta terça-feira "na costa sul
e nas ilhas" adjacentes, preparando operações que incluem mísseis,
artilharia, drones, forças especiais e veículos blindados. Segundo o comandante
das forças terrestres do exército comandado pela República Islâmica, Mohammad
Karami, os exercícios dos militares estão a ser realizados "com base nas
ameaças existentes".
Essas operações são realizadas “com base nas ameaças
existentes”, precisou Mohammad Karami.
Numa mensagem publicada na segunda-feira na rede Social
Truth, Donald Trump escreveu ter preferência por um acordo com Teerão, acrescentando,
porém, que caso não haja consenso entre os dois Estados "as coisas vão
correr muito mal" para o Irão.
Fonte: RTP, 24 de fevereiro de 2026
Que diferença abissal em relação às democracias, onde os estudantes não têm linhas vermelhas — nem de qualquer outra cor — e chegam mesmo a gritar “Palestina livre” em plena liberdade. E se lhes der para matar polícias serão agraciados, e não executados.

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