Instagram e YouTube enfrentam julgamento que os acusa de viciar e prejudicar crianças
Perry Mason
(1957-1966) – William Talman, Wesley Lau, Ray Collins
Empresas
enfrentam acusações de que as suas plataformas causam dependência e são
prejudiciais para a saúde mental dos mais jovens. Espera-se que Mark Zuckerberg
testemunhe no julgamento
As maiores empresas de redes sociais do mundo enfrentam este
ano, nos Estados Unidos, vários julgamentos históricos, que procuram
responsabilizá-las pelos danos causados às crianças que utilizam as suas
plataformas
As alegações iniciais do primeiro julgamento, no Tribunal
Superior do Condado de Los Angeles, começaram segunda-feira, noticiou a agência
Associated Press (AP).
O Instagram, da Meta, e o YouTube, da Google,
enfrentam acusações de que as suas plataformas
causam dependência e prejudicam deliberadamente crianças.
A TikTok e a Snap (Snapchat), que foram
inicialmente citadas no processo, fizeram acordos por valores não divulgados.
Os jurados tiveram um primeiro vislumbre do que será um
longo julgamento, caracterizado por narrativas divergentes dos autores e das
restantes duas empresas de redes sociais nomeadas como rés.
Mark Lanier fez a declaração inicial em nome dos autores e
chamou à Meta e à Google "duas das corporações mais ricas da
história" que "'engenheirizaram' o vício no cérebro das
crianças".
Jovem de 19 anos acusa Meta e Youtube
No centro do caso de Los Angeles está uma jovem de 19 anos
identificada apenas pelas iniciais "KGM", cujo caso poderá determinar
o desfecho de milhares de outros processos semelhantes contra empresas de redes
sociais.
A jovem e outros dois autores foram selecionados para
julgamentos-piloto - essencialmente casos de teste para que ambos os lados
vejam como os seus argumentos se saem perante um júri e que indemnizações, se
houver, podem ser atribuídas, explicou Clay Calvert, investigador sénior não
residente de políticas tecnológicas do American Enterprise Institute.
É a primeira vez que as empresas apresentam os seus
argumentos perante um júri, e o resultado pode ter efeitos profundos nos seus
negócios e na forma como irão lidar com as crianças que utilizam as suas
plataformas.
Lanier apontou que os advogados das empresas "tentarão culpar a menina e os seus pais pela armadilha
que criaram", referindo-se à autora do processo.
A jovem era menor de idade quando disse ter-se tornado
viciada em plataformas de redes sociais, o que, segundo ela, teve um impacto
prejudicial na sua saúde mental.
A juíza Carolyn B. Kuhl referiu que os jurados devem decidir
sobre a responsabilidade da Meta e do YouTube de forma independente durante as
deliberações.
Zuckerberg irá testemunhar
Executivos, incluindo o CEO da Meta, Mark Zuckerberg,
deverão testemunhar no julgamento.
Os especialistas
estabeleceram paralelos com os julgamentos contra as grandes empresas de tabaco,
que levaram a um acordo em 1998 obrigando as empresas de cigarros a pagar
milhares de milhões em custos de cuidados de saúde e a restringir o marketing
dirigido a menores.
As empresas tecnológicas contestam as alegações de que os
seus produtos prejudicam deliberadamente crianças, citando uma série de medidas
de segurança que têm acrescentado ao longo dos anos e argumentando que não são
responsáveis pelo conteúdo publicado nos seus sites por terceiros.
Um porta-voz da Meta sublinhou num comunicado recente que a
empresa discorda veementemente das alegações apresentadas no processo e que
está "confiante de que as provas demonstrarão o nosso compromisso de longa
data com o apoio aos jovens".
José Castañeda, porta-voz da Google, defendeu que as
alegações contra o YouTube são "simplesmente falsas".
Em comunicado, frisou: "Proporcionar aos jovens uma
experiência mais segura e saudável sempre foi fundamental para o nosso
trabalho".
Entretanto, um julgamento separado no Novo México também
estava previsto começar com as alegações iniciais a decorrerem esta
terça-feira. Outros países estão também a promulgar novas leis para limitar o
uso das redes sociais pelas crianças.
Na Austrália, as empresas de redes sociais revogaram o
acesso a cerca de 4,7 milhões de contas identificadas como pertencentes a
crianças desde que o país proibiu o uso das plataformas por menores de 16 anos.
Fonte: SIC Notícias, 10 de fevereiro de 2026
As crianças devem ser integradas na prática desportiva. Isso é bom que as exercita: fortalecendo o corpo e o carácter, preparando-as não só para a saúde física, mas também para os desafios da vida social e profissional e, sobretudo, sexual – lesbiana ou heteronormativamente.


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