Itália abre investigação a restauro em igreja de Roma depois de anjo ficar igual a Giorgia Meloni
Polémica
atraiu centenas de pessoas à capela da basílica — que já foi apelidada de
"Capela Meloni"
Uma pintura numa igreja de Roma levou à abertura de uma
investigação, depois de surgirem queixas de que a imagem de um anjo
recentemente restaurado apresenta uma notável semelhança com a líder do país,
Giorgia Meloni.
A polémica envolve trabalhos de restauro realizados numa
pintura da Capela das Almas do Purgatório, na Basílica de São Lourenço em
Lucina, no centro de Roma.
Embora a obra tenha sido concluída em dezembro, imagens
colocadas lado a lado nas redes sociais nos últimos dias — comparando a pintura
restaurada com fotografias de Meloni — mostram uma semelhança impressionante.
Se muitos políticos gostariam certamente que os eleitores os vissem como figuras angelicais, a primeira-ministra italiana recorreu ao Instagram no fim de semana para afirmar que “definitivamente” não se parece com um anjo, numa publicação acompanhada por um emoji a rir.
O ministro da Cultura italiano, Alessandro Giuli, ordenou
uma investigação para apurar se o restaurador terá adicionado intencionalmente
o rosto de Meloni ao fresco.
A Superintendência de Roma, entidade responsável pela
supervisão do património arqueológico e histórico da capital italiana, foi
instruída pelo ministério da Cultura a dar início à investigação.
“A Superintendência iniciou uma pesquisa arquivística para
identificar documentação — fotográfica ou desenhos de projeto — da pintura
original existente na capela do Crucifixo, em São Lourenço em Lucina, criada em
2000. A investigação visa compará-la com a decoração atual resultante do
restauro realizado em 2025”, afirmou o gabinete de Daniela Porro, responsável
pela Superintendência Especial de Roma, num comunicado partilhado com a CNN.
“A decoração remonta a 2000. Não é um bem cultural; de
facto, nem sequer está protegida”, explicou Porro aos jornalistas reunidos à
porta da basílica na segunda-feira, após uma inspeção.
“Quaisquer modificações são
permitidas, por se tratar de uma obra contemporânea, mas, se
existirem, devem ter sido acordadas com as instituições competentes”,
acrescentou, sublinhando que as investigações vão prosseguir.
O restaurador, Bruno
Valentinetti, negou ter feito a imagem parecer-se com a líder italiana, dizendo
aos meios de comunicação locais que se limitou a copiar o desenho original de
2000, acrescentando ainda que realizou o trabalho gratuitamente, como voluntário.
O vigário da capela, o cardeal Baldo Reina, emitiu uma
declaração sobre o assunto, mas não se pronunciou sobre se o rosto do anjo é ou
não o da primeira-ministra.
“Ao renovar o compromisso da Diocese de Roma com a
salvaguarda do seu património artístico e espiritual, reiteramos firmemente que
as imagens da arte sacra e da tradição cristã não podem ser utilizadas de forma
indevida ou exploradas”, afirmou Reina num comunicado divulgado no sábado.
“A modificação do rosto do querubim foi uma iniciativa do
decorador e não foi comunicada às autoridades competentes. O Vicariato
comprometeu-se a investigar a situação juntamente com o pároco, monsenhor
Daniele Micheletti, e a avaliar possíveis iniciativas”, acrescenta o texto.
Partidos da oposição sublinharam que a basílica é uma das
mais antigas da Cristandade.
A polémica atraiu centenas de pessoas à capela da basílica —
que já foi apelidada de “Capela Meloni” — para avaliarem por si próprias se o
rosto próximo do monumento votivo dedicado ao último rei de Itália, Umberto II,
se assemelha à primeira-ministra. O caso gerou uma avalanche de comentários
online, tanto de apoiantes como de opositores da líder populista.
O pároco Micheletti confirmou a semelhança, mas não
considera que se trate de um escândalo.
“Não percebo todo este
alarido. Os pintores sempre colocaram todo o tipo de coisas nos frescos; até Caravaggio pintou o rosto de
uma prostituta”, disse ao jornal La Repubblica no fim
de semana.
“Não quero que a paróquia seja considerada meloniana.”
Fonte: CNN Portugal, 3 de fevereiro de 2026
Retrato de uma Cortesã (Fillide): Um retrato de 1597, destruído na Segunda Guerra Mundial
"A Morte da Virgem" - algumas fontes sugerem que Caravaggio teria usado o corpo de uma prostituta retirada do Tibre como modelo, o que teria contribuído para a rejeição da obra pela Igreja. Contudo, isso não é confirmado por documentos contemporâneos. É uma hipótese que circula desde o século XVII, reforçada pela reputação turbulenta do pintor e pelo realismo extremo da obra.
A pintura A Morte da Virgem (1601–06) foi rejeitada pela Igreja de Santa Maria della Scala por ser considerada imprópria e desprovida de santidade. O tratamento cru e realista da morte de Maria — ventre inchado, ausência de idealização — chocou o clero da época.





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