Japão extrai com sucesso terras raras em missão em águas profundas no Pacífico
Perry Mason
(1957-1966) – Harry Lauter
Um
grupo de investigadores japoneses extraiu elementos de terras raras de um
depósito marinho junto à ilha Minami Torishima, no oceano Pacífico, a dois mil
quilómetros a sul de Tóquio, confirmou o ministro da Educação e Ciência
"A Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia
Marinha-Terrestre (JAMSTEC), sob a jurisdição do ministério da Educação,
Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, recuperou com sucesso lama rica em
terras raras a uma profundidade de seis mil metros, utilizando o navio de
investigação Chikyu", escreveu o ministro Yohei Matsumoto, na rede social
X, no domingo.
Matsumoto afirmou que a JAMSTEC divulgará mais detalhes
sobre a operação em comunicado na terça-feira.
O Chikyu iniciou em 12 de janeiro uma missão inédita com o
objetivo de extrair terras raras das águas profundas junto a Minami Torishima,
uma ilha desabitada, visando reduzir a dependência económica do país face à
China.
A missão do navio de perfuração científica em águas
profundas deverá durar até 14 de fevereiro.
O teste ocorre num momento em que a China, de longe o maior
fornecedor mundial de terras raras, aumenta a pressão sobre o país vizinho.
A viagem do Chikyu pode levar à produção nacional de terras
raras, afirmou em 12 de janeiro o diretor de programas do gabinete do
primeiro-ministro japonês, Shoichi Ishii.
"Estamos a considerar diversificar as nossas fontes de
abastecimento e evitar uma dependência excessiva de determinados países",
afirmou aos jornalistas.
Estima-se que a zona em torno de Minami Torishima contenha mais de 16 milhões de toneladas de terras raras,
o que a tornaria, segundo o jornal económico Nikkei, a terceira maior
jazida do mundo.
As “terras raras”, 17 elementos metálicos não
particularmente raros, mas difíceis e caros de extrair, são essenciais para
setores inteiros da economia – automóvel, energias renováveis, digital, defesa
–, servindo para a fabricação de ímanes potentes, catalisadores e componentes
eletrónicos.
A China representa quase dois terços da produção mineira
mundial de terras raras e 92% da produção refinada, de acordo com a Agência
Internacional de Energia.
O país usa há muito tempo
como alavanca geopolítica o seu
domínio na área, inclusive na guerra comercial com os Estados Unidos.
O Japão depende da China para 70% das importações de terras
raras, apesar de ter-se esforçado para diversificar as fontes de abastecimento
desde um conflito anterior em 2010, durante o qual Pequim suspendeu as
exportações por vários meses.
Tóquio e Pequim atravessam uma crise diplomática,
desencadeada por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que
admitiu uma reação militar em caso de um ataque chinês a Taiwan, cuja soberania
é reivindicada por Pequim.
Sinal do agravamento das tensões bilaterais, Pequim anunciou
no início de janeiro que iria reforçar os controlos sobre a exportação para o
Japão de bens chineses de dupla utilização civil e militar, o que pode incluir
os metais raros.
Fonte: Lusa, 2 de fevereiro de 2026
A mineração em águas profundas será mais uma boa ideia da humanidade, como sempre o foram todas as destruições de habitats.

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