Jorge Vadio exige um milhão de euros a Rui Veloso

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O músico Rui Veloso foi alvo de uma queixa em tribunal apresentada pelo cantor Jorge Vadio, que foi a sua primeira “aposta” aquando da abertura da editora Maria Records, em 2004. Na ação, Vadio exige que Veloso seja condenado ao pagamento de uma indemnização de quase 954 mil euros por alegadamente ter “sabotado intencionalmente e de má-fé” a sua carreira musical, avançou o Correio da Manhã. Já foram realizadas duas audiências, estando agendada uma terceira para dia 20 de fevereiro.


O valor pedido no processo, instaurado no início de fevereiro, seria uma forma de “compensar” o artista de Mafra pelos “danos de natureza patrimonial” (sendo requeridos 903 745 mil euros) e “danos de natureza não patrimonial” (num valor mínimo de 50 mil euros). O processo decorre no Tribunal da Propriedade Intelectual, no Palácio da Justiça, em Lisboa. Nas sessões de 2 e 3 de fevereiro foram já ouvidos Rui Veloso, tendo chamou como testemunha de defesa Manuel Moura dos Santos. A favor de Jorge Vadio falou o artista José Cid.

Vadio alega ter sofrido “graves prejuízos” e sublinha o “sofrimento emocional e perda de reputação” pela sociedade com Veloso, além de alegar ter perdido a oportunidade de assinar com a empresa musical norte-americana Founder of Ekle Music. Os documentos revelam, segundo o Correio da Manhã, que a promessa do contrato celebrado com a Maria Records incluía a edição de um novo disco a cada dois anos, a promoção do trabalho musical e uma avença mensal. No entanto, apenas o álbum Anjo da Noite acabou por ser editado. Vadio alega que não recebeu qualquer pagamento pelo trabalho prestado, que não foram produzidos outros álbuns e que a promoção do único trabalho concluído não foi realizada de forma adequada. Vadio esteve ligado à editora durante quatro anos antes de terminar o seu vínculo.


Em 2013, Veloso terá voltado ao contacto com Vadio, convidando o artista a ter um álbum editado pelo próprio músico, e já não pela Maria Records, que no ano seguinte também deixaria de estar ligada ao músico. A promessa de sucesso, que trazia consigo uma digressão inicial de 20 concertos com cachés entre 5 a 6 mil euros cada, terá levado a um “perdão” de Vadio. A frase “estás a falar com o Rui Veloso!”, dizem Vadio e a sua agente na altura, foi o que celebrou o acordo, sem nenhum documento assinado. Terá surgido aí uma confusão entre a “pessoa singular” Rui Veloso e a “pessoa coletiva”, que seriam as suas empresas.

Nove anos depois, em setembro de 2022, Veloso foi acusado de ter “utilizado uma sociedade que já não existia para se desvincular pessoalmente de qualquer obrigação para com Jorge Vadio, denunciando assim, unilateralmente o contrato de edição verbal, celebrado entre eles”. Em 2025, Vadio disse ao CM que a sua ligação com Veloso “revelou-se uma grande desilusão”.

Fonte: Observador, 7 de fevereiro de 2026

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