Justiça dá murro na mesa e obriga TVI a eliminar reportagens difamatórias
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A justiça portuguesa impôs uma derrota pesada à TVI,
obrigando o canal a remover conteúdos das suas plataformas digitais. Em causa
estão duas peças transmitidas no programa “Exclusivo com Sandra Felgueiras”,
nos dias 15 e 16 de maio de 2025, que o Tribunal Judicial da Comarca de Coimbra
considerou violarem os direitos de personalidade do antigo presidente da
Unidade Local de Saúde de Coimbra.
O veredito, que resulta do processo n.º 2523/25.0T8CBR,
exige ainda que o canal emita a retificação oficial de Alexandre Lourenço no
arranque do mesmo formato televisivo.
A análise do Juízo Central Cível concluiu que o canal falhou nos deveres de rigor, veracidade e boa-fé, utilizando música e imagens descontextualizadas para criar um efeito sensacionalista em horário nobre. As peças visadas acusavam o gestor hospitalar de realizar viagens financiadas pela indústria farmacêutica e de gastos excessivos na decoração do gabinete, mas a sentença sublinha a inexistência de uma base factual sólida para tais afirmações.
O antigo dirigente da ULS de Coimbra reagiu à decisão
judicial com satisfação, sublinhando o impacto negativo que o caso teve na sua
imagem pública durante vários meses. Para este especialista em administração
hospitalar: “Esta sentença faz justiça. Durante meses, fui alvo de uma campanha
mediática que procurou destruir a minha reputação pessoal e profissional,
baseada em insinuações sem fundamento. O tribunal veio agora confirmar aquilo
que sempre afirmei: as reportagens da TVI não respeitaram os mais elementares
princípios do jornalismo — o rigor, a verdade e a boa-fé”.
Perante o desfecho deste litígio, o profissional de saúde
sente-se reabilitado após o que descreve como um ataque injustificado à sua
carreira de mais de vinte anos no setor público. “A verdade prevaleceu”,
afiançou ainda.
Fonte: A Televisão, 17 de fevereiro de 2026
Tribunal condena TVI a eliminar reportagens sobre
ex-presidente da ULS de Coimbra
As duas
reportagens acusaram Alexandre Lourenço de ter viajado pelo mundo à custa da
indústria farmacêutica enquanto continuava a ser pago pela ULS de Coimbra
O Tribunal de Coimbra condenou a TVI a eliminar
permanentemente as duas reportagens do programa “Exclusivo com Sandra
Felgueiras” transmitidas em maio de 2025 sobre o ex-presidente da Unidade Local
de Saúde (ULS) de Coimbra, Alexandre Lourenço. A TVI vai recorrer da
condenação, disse à Lusa fonte da direção do canal televisivo.
Na altura, as reportagens televisivas acusaram o gestor
hospitalar Alexandre Lourenço de ter viajado pelo mundo à custa da indústria
farmacêutica como presidente da Associação Portuguesa de Administradores
Hospitalares, enquanto continuava a ser pago pela ULS de Coimbra, e de ter
gastado 60 mil euros do erário público para decorar o seu gabinete.
Na sentença, proferida sexta-feira, a que a agência Lusa
teve acesso, o Tribunal Judicial da Comarca de Coimbra condenou a TVI —
Televisão Independente S.A. pela violação dos direitos de personalidade de
Alexandre Lourenço ao extravasar “os limites
toleráveis do exercício da liberdade de expressão e informação”, ao
difundir factos sem base factual sólida e de forma sensacionalista.
A juíza Carolina Belo Lucas considerou que “as notícias que a ré veiculou sobre o autor são
integralmente baseadas em factos falsos e omissões e não obedecem aos critérios
do rigor e do interesse público” e que o canal televisivo “decidiu
ocultar dos telespetadores toda a informação que lhe tinha sido transmitida
pelo autor relativamente às matérias abrangidas pelas reportagens”.
O acórdão refere que a TVI imputou a Alexandre Lourenço
“factos que, além de ofensivos da sua honra, bom-nome, reputação e prestígio
profissional e pessoal, são de tal modo graves que exigiam um acrescido dever
de investigação acerca da veracidade dos mesmos”. O Tribunal de Coimbra decidiu
condenar a TVI a “eliminar, total e permanentemente, de todas as plataformas
digitais e audiovisuais, a reportagem emitida em duas partes, nos dias 15 e 16
de maio de 2025, no segmento televisivo ‘Exclusivo com Sandra Felgueiras'”.
Condenou ainda o canal televisivo a publicar o documento de
resposta e retificação de Alexandre Lourenço no início do programa “Exclusivo
com Sandra Felgueiras”, que foi recusado durante meses, “imediatamente seguinte
ao trânsito em julgado da presente decisão”, e ao pagamento das custas
processuais.
Em comunicado enviado à agência Lusa, o gestor hospitalar
considerou que “formalmente” se fez justiça, mas que, na prática, “todos os
objetivos de quem montou o circo mediático foram cumpridos”. “Esta sentença faz
justiça. Durante meses, fui alvo de uma campanha mediática que procurou
destruir a minha reputação pessoal e profissional, baseada em insinuações sem
fundamento”, salientou.
Para Alexandre Lourenço, o tribunal veio confirmar o que
sempre afirmou: “As reportagens da TVI não respeitaram os mais elementares
princípios do jornalismo — o rigor, a verdade e a boa-fé”. “A TVI ultrapassou
os limites. Falhou no rigor, na veracidade e na boa-fé. Fez jornalismo
sensacionalista, em horário nobre, com música e imagens manipuladas, repartido
por dois dias para maximizar o dano”, prosseguiu. O ex-presidente da ULS de
Coimbra frisou que “as reportagens serviram um propósito que ia muito além do
jornalismo. Serviram uma agenda. E quem a orquestrou ficará com esta mácula
para sempre”.
“Dediquei mais de vinte anos da vida ao serviço público de
saúde e vou continuar a fazê-lo”, sublinhou Alexandre Lourenço, salientando que
“não poderia estar mais orgulhoso” dos resultados alcançados pela ULS de
Coimbra, que dirigiu entre os meses de dezembro de 2023 e 2025, por ser
recentemente reconhecida como “a unidade com desempenho mais destacado do
Serviço Nacional de Saúde”.
Alexandre Lourenço é professor universitário na Escola
Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, onde dirige o Centro
Colaborativo da Organização Mundial da Saúde para a Gestão em Saúde, e em
janeiro iniciou funções como presidente da European Association of Hospital
Managers, após ter sido escolhido pelos seus pares para representar os
diretores de hospitais ao nível europeu.
Numa declaração enviada à Lusa, a direção da TVI avançou que
vai recorrer da decisão. “O relatório preliminar da IGAS [Inspeção-Geral das
Atividades em Saúde] confirmou o trabalho jornalístico da TVI e foi por essa
razão que a ministra demitiu este senhor. Mas talvez uma juíza de Coimbra, um
jornalista de Coimbra e um médico de Coimbra achassem isso tudo uma perseguição
do ‘poder central’. Neste caso do poder mediático”, afirmou a TVI.
Fonte: Observador, 17 de fevereiro de 2026


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