Lança obra sobre luto do marido que terá matado. Julgamento começa amanhã
Uma
mulher norte-americana é acusada de ter assassinado o marido, ao colocar-lhe
uma droga numa bebida. Kourin Richins terá cometido o homicídio por motivos
financeiros, mas também porque queria ficar com o amante. O julgamento arranca
na segunda-feira
Um ano depois de o marido morrer, Kouri Richins, mãe de três, publicou um livro infantil onde falava sobre como ajudou os filhos a lidar com o luto e com a morte do pai. Semanas depois de o livro chegar às bancas, Kouri foi detida. É suspeita de ter assassinado o marido. A obra, intitulada "Are You With Me?" ("Estás comigo?", em português), foi publicada em 2023, depois de o marido morrer, em março do ano anterior. Inicialmente recebido com elogios, o livro é agora uma parte importante do caso contra si. O julgamento vai começar amanhã.
Na noite em que Eric Richins morreu, quem o encontrou e alertou as autoridades para o sucedido foi a sua mulher. Kouri ligou durante a noite ao 911 (número de emergência nos Estados Unidos), alegando que tinha encontrado o marido "frio ao toque", no chão do quarto onde dormiam, aos pés da cama.
Eric foi dado como morto no local, na casa da família em
Kamas, no estado norte-americano do Utah. Na autópsia, mais tarde, o médico
legista determinou que o homem tinha cinco vezes
mais a dose letal de fentanil
no organismo.
O incidente, contudo, não estava isolado. Um mês antes, no
Dia dos Namorados, Eric contou aos amigos que teve uma erupção cutânea e
desmaiou, depois de dar uma dentada numa sanduíche que a mulher lhe tinha
deixado para comer.
O homem, no entanto, ainda foi a tempo de se injetar com uma
Epipen (autoinjetor de adrenalina) do filho e ingerir Benadryl, um medicamento
para as alergias. Depois, adormeceu - um sono profundo, descreveu - e quando
acordou ligou ao amigo.
"Acho que a minha mulher
tentou envenenar-me", terá dito Eric ao amigo, conforme o
testemunho escrito do mesmo.
As autoridades conseguiram também recuperar uma mensagem de
Kouri para o amante nesse mesmo dia: "Se
ele [o marido] desaparecesse… a vida seria tão perfeita."
Segundo a acusação, Kouri comprou a sandes na mesma semana
em que comprou fentanil à sua empregada doméstica, Carmen Lauber.
A testemunha principal da acusação alega que vendeu
comprimidos a Kouri, que ela própria tinha comprado a um traficante uns dias
antes do dia de São Valentim. Mais tarde, ainda no mês de fevereiro, Kouri terá
dito a Lauber que os comprimidos não eram fortes o suficiente e que a empregada
deveria procurar fentanil mais forte.
O traficante que vendeu a droga a Lauber admitiu,
inicialmente, que tinha feito o negócio. Contudo, mais tarde, alegou que estava
na prisão e em processo de desintoxicação (sendo ele próprio toxicodependente)
e que a informação não estava correta. Acabou por afirmar num depoimento sob
juramento que apenas vendeu o opioide OxyContin à empregada.
As autoridades não conseguiram determinar com certeza que a
droga que estava no organismo de Eric foi a que Kouri comprou a Lauber. Mesmo
assim, a acusação acredita que a mulher deitou o fentanil num cocktail, que
ofereceu ao marido, sabendo, de antemão, que isso causaria a sua morte.
A investigação apurou ainda que Eric já se tinha encontrado
com um advogado e com gestor de património em outubro de 2020, depois de
descobrir que a mulher tinha tomado decisões financeiras significativas sem o
seu conhecimento. Kouri tinha a conta bancária em valores negativos e uma
dívida de cerca de 1.6 milhões de euros (1.8 milhões de dólares). A
norte-americana estava também a ser processada por um credor.
Os procuradores defendem que Kouri acreditava que era
herdeira dos bens do marido, tendo em conta o acordo pré-nupcial que tinha
assinado - o que não correspondia à verdade. Além disso, tinha também feito
vários seguros de vida em nome do marido (sem o conhecimento do mesmo), com
benefícios que chegavam aos quase dois milhões de dólares (cerca de 1.7 milhões
de euros).
Kouri, de 35 anos, é acusada de mais de 30 crimes, incluindo
homicídio qualificado, tentativa de homicídio, falsificação, fraude hipotecária
e fraude de seguros. A norte-americana declarou-se
inocente de todas as acusações.
Fonte: Notícias ao Minuto, 21 de fevereiro de 2026


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