Língua na Lama
Perry Mason
(1957-1966) – Barbara Hale, Erin O'Brien-Moore, Hollis Irving
Agora,
ao ver Dalai Lama nos ficheiros Epstein, quem justificou que pedisse a uma
criança para lhe chupar a língua, quem amortizou as suas atitudes com questões
culturais, hábitos ou idade, devia colocar a mão na consciência
Em 2023, Dalai Lama, sob forte aplauso e incentivo de uma plateia, beijou na boca um miúdo de 6 ou 7 anos e, de seguida, mandou-o chupar-lhe a sua língua. Assim, tal e qual.
Eu, bem como muitas outras pessoas, logo condenámos este abuso sexual e
logo fomos apelidadas de conspiracionistas e chalupas.
Como é que é possível que, entre tanta gente letrada, culta
e vivida, surgisse a defesa de um Guru de 87 anos perante o abuso de uma
criança visivelmente repugnada e sob a forte pressão de grupo, posto que à
volta muitos adultos se riam?
Como é que é possível que perante esse visco poucos
reclamassem as sanções criminais que exigiriam a um Zé Ninguém?
Sendo um miúdo, ainda por cima violentado em público,
deveríamos ou não ter considerado que a vítima tinha ainda menos defesas e
menos recursos para escapar? O ato repulsivo é ou não ainda mais condenável? Se
Dalai Lama se comportava assim à frente de dezenas de pessoas, o que faria em
privado?, interroguei também nessa altura. Aliás, duvidei ainda que aquele
tivesse sido o seu único ato abusivo, tal foi a naturalidade com que o fez e os
automatismos que usou.
Agora, ao vê-lo nos ficheiros Epstein, quem o justificou ou
desculpou, quem amortizou as suas atitudes com questões culturais, hábitos ou
idade, devia colocar a mão na consciência. No mínimo! Não precisa de pedir
desculpas a quem adjetivou de negacionista, mas precisa reconhecer que não
apenas Dalai Lama está bem ciente do que são costumes e práticas sociais, como
ele, mais do que muitos outros, tem uma responsabilidade especial. Aliás,
deixar passar este comportamento incólume, como também sublinhei à época,
enviava um perigoso sinal aos pedófilos e aos abusadores sexuais de todo o
globo.
Pois, o resultado está à vista. Há uma rede global de elites
pedófilas.
Mesmo perante indícios tão fortes, em rigor, ainda não
podemos ter a certeza de que Dalai Lama fazia parte desses círculos satânicos.
Mas de uma coisa temos a certeza absoluta: a nossa sociedade e a nossa
comunicação social continuam a branquear todos estes crimes, como aconteceu no
episódio em causa, nas referências a Portugal no escândalo Epstein e em muitas
outras situações similares. Afinal, esta barbárie cometida contra inocentes
deveria ser assunto de abertura e fecho de telejornais. Só que não. Por mais
realeza, academia, poderosos que envolva, os principais média tentam esconder
este escândalo de proporções bíblicas o mais possível. Ontem éramos chalupas,
hoje eles procuram disfarçar.
Ou seja, os direitos das crianças continuam secundarizados e
desqualificados. Muitas ainda são cordeiros sacrificiais; mesmo nas sociedades
ditas civilizadas. Mesmo agora, neste preciso momento.
Epstein? Estamos a falar de tráfico de crianças, raptos,
torturas, assassinatos. Sadismo e perversão em altas rodas e cúpulas. E quando
se conhece o crime mais repugnante do mundo e os cidadãos continuam impávidos,
a humanidade morreu. Cortar-lhe a língua seria pouco.
Joana Amaral Dias
Fonte: SAPO, 11 de fevereiro
de 2026
Dalai Lama é defendido após comentário sobre criança chupar a língua
Um importante dirigente tibetano defendeu o Dalai Lama após um vídeo em que aparece a pedir a uma criança para lhe chupar a língua
Penpa Tsering, chefe do governo tibetano no exílio, classificou as ações do líder espiritual como "inocentes" e disse que demonstram o seu "comportamento afetuoso".
O vídeo gerou indignação após se tornar viral nas redes sociais, com os utilizadores a considerarem as suas ações inapropriadas.
O gabinete do Dalai Lama pediu desculpa pelo incidente.
Na quinta-feira, Tsering afirmou que as ações do Dalai Lama foram mal interpretadas e que a controvérsia feriu os sentimentos dos seus seguidores.
Disse ainda que o Dalai Lama sempre viveu em "santidade e celibato" e que os seus anos de prática espiritual o levaram "para além dos prazeres sensoriais".
Tsering alegou ainda que as investigações sugerem que "fontes pró-China" estiveram por trás da viralização do vídeo nas redes sociais. Não apresentou provas para a alegação. Acrescentou que o "aspeto político deste incidente não pode ser ignorado".
Embora o incidente pareça ter ocorrido no templo do Dalai Lama, em Dharamshala, no dia 28 de fevereiro, o polémico vídeo tornou-se viral nas redes sociais no início deste mês. Já foi visto mais de um milhão de vezes no Twitter.
No vídeo, ouve-se o Dalai Lama a pedir ao menino que o beije na bochecha e depois nos lábios, depois de o menino lhe perguntar se lhe podia dar um abraço.
O líder encosta então a sua testa à do menino, antes de mostrar a língua, dizendo "e chupa a minha língua".
O vídeo gerou críticas internacionais, com alguns ativistas de direitos humanos a afirmarem que as ações do líder espiritual equivalem a abuso infantil.
Num comunicado divulgado pelo seu gabinete, o Dalai Lama disse que queria pedir desculpa à criança e à sua família "pela dor que as suas palavras possam ter causado".
"Sua Santidade costuma brincar com as pessoas que conhece de forma inocente e descontraída, mesmo em público e perante as câmaras. Lamenta o incidente", disse o seu gabinete.
O Dalai Lama vive exilado na Índia desde que fugiu do Tibete, em 1959, após uma revolta contra o domínio chinês na região.
Já tinha causado polémica em 2019, quando, numa entrevista à BBC, afirmou que qualquer futuro Dalai Lama deveria ser "atraente". O seu gabinete pediu posteriormente desculpas pelas suas declarações.
Fonte: BBC, 14 de abril de 2023

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