Milhares marcham em Berlim pelo fim do regime dos ayatollahs no Irão
Daryl
Dixon: The Book of Carol (2023) – Lukerya Ilyashenko, Nassima Benchicou
Milhares de pessoas, membros da oposição iraniana no exílio
e seus apoiantes, apelaram este sábado, em Berlim, à queda do regime de Teerão,
responsável pela recente repressão de manifestações de protesto em janeiro, que
terão feito mais de 30 000 mortos. Registaram-se na cidade alemã duas marchas
diferentes, com o objetivo de derrubar a República Islâmica e apelar a eleições
livres.
Segundo uma contagem atualizada da polícia alemã, junto às
Portas de Brandeburgo juntaram-se cerca de 10 000 pessoas, em resposta à
convocatória do Conselho Nacional da Resistência
do Irão. O Conselho é o braço político do grupo de oposição exilado
Mujahedin do Povo do Irão (PMOI ou MEK), considerado uma organização
"terrorista" por Teerão.
Outra manifestação, desta vez organizada pelos apoiantes de Reza Pahlavi, filho do Xá que
vive exilado, juntou 1600 pessoas, segundo a polícia.
Percorreu a grande avenida de Berlim, Unter den Linden (Sob
as Tílias), com os participantes a agitarem bandeiras com listas horizontais
verdes, brancas e vermelhas e um emblema de um leão e um sol, imagem
correspondente à antiga bandeira do país sob os Pahlavi, bem como bandeiras israelitas, americanas e alemãs.
Apelo aos líderes mundiais
No comício em frente às Portas de Brandemburgo, muitos
manifestantes usaram chapéus cor de ocre com a inscrição "Irão Livre"
e lenços da mesma cor, distribuídos
gratuitamente pelos organizadores.
No seu discurso à multidão, a líder da Organização Mujahedin
do Povo do Irão (PMOI), Maryam Rajavi, apelou aos líderes mundiais para que
atendessem ao clamor do povo iraniano pela liberdade. No mesmo comício, Samin
Sabet, de 40 anos, funcionária de um hotel em Heidelberg (sudoeste da
Alemanha), que chegou à Alemanha com um ano de idade, pediu eleições livres no
Irão: "não queremos mais uma ditadura nem uma monarquia", disse à
AFP.
Iraj Abedini, um psicólogo de 61 anos que viajou de
autocarro, desde Gotemburgo, na Suécia, e que chegou a Berlim sexta-feira,
disse à AFP que participava na manifestação para "apoiar o povo
iraniano".
O iraniano que deixou o seu país há 40 anos, afirmou
"ter perdido dois sobrinhos durante as manifestações de janeiro", em
Isfahan (centro do Irão).
Segundo disse, as negociações entre o Irão e os Estados
Unidos, que decorreram no dia anterior em Omã, "não levarão a lado
nenhum".
"O regime iraniano está a tentar usar as negociações
para se manter no poder. E o governo norte-americano, que tem outros planos,
não está a apoiar o povo iraniano", afirmou.
Fonte: RTP, 7 de fevereiro de 2026


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