Os Jogos Olímpicos de Inverno têm um problema: as medalhas não param de se partir

Perry Mason (1957-1966) – Barbara Hale, Erin O'Brien-Moore, Hollis Irving

Vários atletas já viram os cobiçados objetos sofrer danos de diversa índole. Os organizadores garantem empenho na solução do caso, que pode ter origem num mecanismo colocado no fio que segura a medalha

Treinam durante anos com um objetivo. Seguem instruções, fazem sacrifícios, cumprem ordens à risca, dedicam-se, qualificam-se, derrotam os melhores dos melhores.

Depois do longo processo que conduz a uma medalha olímpica, espera-se a glória, a recompensa, o descanso. Certo? Bem, não.

Ainda há mais instruções a seguir. “Não saltem com elas, tenham cuidado!”, avisa Breezy Johnson, consciente dos riscos que os objetos de 80 milímetros de diâmetro e 10 milímetros de espessura correm. A norte-americana, ouro no esqui downhill em Milão-Cortina 2026, viu o pedaço de ouro partir-se pouco depois da cerimónia de pódio.

“Eu estava a saltar em festa quando se partiu do nada. Não está drasticamente estragada, só um pouco”, notou Johnson, de 30 anos.

As queixas de anomalias vão-se sucedendo. Quando Justus Strelow, alemão que foi bronze na estafeta mista do biatlo, estava em celebração com os companheiros, o fio da medalha rompeu-se e esta caiu. Gerou-se uma cena algo cómica, com Strelow tentando recolocar o símbolo do terceiro lugar no sítio, sem êxito.

Os relatos semelhantes sucedem-se. Ebba Anderson, sueca do esqui cross‑country, garante que a sua prata “caiu na neve e desfez-se em duas”; Alysa Liu, norte-americana da patinagem artística, mostrou como o ouro que lhe deram também perdeu o fio que o segurava

Mathis Desloges, prata no esqui de fundo, observou como o fecho da medalha não sobrevivia ao abraço de triunfo da equipa francesa.

Perante as queixas, a organização dos Jogos Olímpicos de inverno já reagiu. Andrea Francisi, chefe de operações de Milão-Cortina 2026, assegurou “empenho” na resolução do tema. “Estamos plenamente conscientes da situação, vocês têm visto as imagens tal como nós. Daremos máxima atenção às medalhas. Tudo ficará perfeito, porque é algo muito importante para os atletas”, garantiu o responsável.

Há já uma suspeita quanto à possível causa. Devido a exigências de segurança, o fio da medalha tem de ter um mecanismo de libertação, concebido para se soltar automaticamente quando puxado com força, para assim prevenir estrangulamento.

Os campeões adaptam-se e, perante a avalanche de problemas, já há táticas de prevenção. Danny O'Shea, campeão na patinagem artística, disse andar a “evitar saltar com a medalha posta”. Ellie Kam, a sua colega de equipa, levou a proteção mais longe: “Durmo com ela debaixo da almofada, sem lhe mexer, para a manter segura”, disse à CBS News.

As medalhas dos Jogos de inverno representam “discos de gelo”, conta a organização, feitos de duas metades, uma representando o esforço individual do atleta, a outra a rede que sustenta o êxito (família, equipa, treinadores). As medalhas de ouro pesam 500 gramas, contendo seis gramas de ouro e o resto de prata.

Já nos passados Jogos de verão, em Paris, registaram-se problemas semelhantes. Houve, então, mais de 200 pedidos de troca de medalhas devido a defeitos.

Fonte: Tribuna, 10 de fevereiro de 2026

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Eva Vlaardingerbroek

Tomás Taveira: as cólicas de um arquiteto