Panamá retira concessão de portos do canal a empresa chinesa. EUA saúdam decisão
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Citizen (2009) - Jamie Foxx, Bruce McGill
José
Raúl Mulino, presidente panamiano, afirmou que, até a decisão do tribunal ser
executada --- num período que não especificou ---, a Autoridade Marítima do
Panamá trabalhará com a Panama Ports Company, subsidiária da chinesa CK
Hutchison, para garantir a continuidade das operações portuárias
O presidente do Panamá assegurou esta sexta-feira que os
principais portos do Canal do Panamá continuarão a operar, após o Supremo Tribunal do país declarar inconstitucional a
concessão desta infraestrutura à concessionária chinesa, decisão já saudada por
Washington.
José Raúl Mulino, presidente panamiano, afirmou que, até a
decisão do tribunal ser executada --- num período que não especificou ---, a
Autoridade Marítima do Panamá trabalhará com a Panama Ports Company,
subsidiária da chinesa CK Hutchison, para garantir a continuidade das operações
portuárias.
"O Panamá prossegue em frente, os seus portos
continuarão a operar sem interrupções e continuaremos
a servir o mundo como o centro de excelência logística que somos",
disse Mulino num comunicado gravado em vídeo.
Assim que a concessão for formalmente encerrada, adiantou
Mulino, uma subsidiária local da empresa de
logística dinamarquesa A.P. Moller-Maersk irá operar os portos numa fase de transição, até que uma nova
concessão possa ser licitada e adjudicada.
O canal
movimenta entre 3% e 6% do comércio mundial.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, saudou hoje a decisão do Supremo Tribunal do Panamá - no sentido da
qual Washington vinha pressionando - "de declarar inconstitucionais as
concessões portuárias concedidas à China".
No início do seu segundo mandato, o presidente
norte-americano, Donald Trump, ameaçou assumir o
controlo do Canal do Panamá devido ao que entendia ser a influência da China
sobre esta infraestrutura fundamental para o comércio global.
Rubio
visitou o Panamá em fevereiro do ano passado, na sua primeira viagem ao
estrangeiro como secretário de Estado, e reuniu-se com o presidente panamiano,
que prometeu uma auditoria às concessões do canal.
Na quinta-feira, o Supremo Tribunal do Panamá declarou
inconstitucional a renovação, em 2021, da concessão de 25 anos para operar os
portos localizados nas duas extremidades do Canal do Panamá atribuída à Panama
Ports Company, subsidiária do grupo CK Hutchison, baseado na região
administrativa chinesa de Hong Kong.
A decisão seguiu-se a uma auditoria que apontou graves
irregularidades, pagamentos em falta, erros contabilísticos e até a existência
de uma alegada "concessão fantasma" em operação desde 2015. As
autoridades panamianas estimam perdas de 300 milhões de dólares (250 milhões de
euros) desde a renovação do contrato e um total de 1,2 mil milhões de dólares
(mil milhões de euros) ao longo da vigência do contrato original, iniciado em
1997.
Em paralelo, a CK Hutchison anunciou no ano passado um
acordo para vender a sua participação maioritária nos portos panamianos - e
noutros ativos internacionais - a um consórcio
que inclui a norte-americana BlackRock Inc., mas o negócio terá sido
travado devido à oposição do governo chinês.
E reação à decisão judicial, a China afirmou hoje que tomará
"todas as medidas necessárias" para proteger os interesses das suas
empresas.
Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos
Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun recordou que a empresa afetada já se
pronunciou sobre o caso e que considera a decisão judicial panamiana
"contrária à base legal" sob a qual os direitos de concessão foram
aprovados.
"A CK Hutchison reserva todos os seus direitos,
incluindo o recurso à via judicial", afirmou o porta-voz, acrescentando
que "o governo chinês tomará todas as medidas necessárias para
salvaguardar firmemente os direitos e interesses legítimos das empresas
chinesas".
Guo Jiakun evitou comentar o conteúdo do acórdão ou as
decisões do sistema judicial panamiano.
Também hoje, a Autoridade do Canal do Panamá publicou os
documentos de pré-qualificação para um gasoduto e dois novos portos,
representando investimentos superiores a 6 mil milhões de dólares (5 mil
milhões de euros), no âmbito da diversificação das atividades da via navegável
interoceânica.
Fonte: Negócios, 30 de janeiro de 2026

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