Polícia usou metralhadoras e machetes durante protestos
Perry Mason
(1957-1966) – Barbara Hale, Raymond Burr
As forças de segurança iranianas utilizaram um vasto conjunto de armas, incluindo metralhadoras, espingardas e pistolas durante os protestos que marcaram o país no último mês, de acordo com uma análise da BBC a centenas de vídeos e fotografias.
O arsenal utilizado pelas forças de segurança iranianas
incluía, de acordo com a investigação,
metralhadoras pesadas, armas de precisão Dragunov (normalmente usadas por
snipers) fuzis de assalto como a Kalashnikov AK-47, espingardas pistolas, armas
de chumbo metálico (de paintball), gás lacrimogéneo, facas, machetes, cassetetes
e bastões de madeira. Também foram usados lasers verdes para tentar cegar os
manifestantes.
A repressão das autoridades iranianas às manifestações antigovernamentais,
que começaram por questões económicas, mas rapidamente se intensificaram,
representa, para analistas, um nível de violência sem precedentes na história
do Irão. “Este é o maior massacre em massa da história contemporânea iraniana e
um dos maiores do mundo”, afirmou o canadiano-iraniano Payam Akhavan,
ex-procurador da ONU, à BBC.
Um representante da Thames Valley Guns, empresa sediada no
Reino Unido especializada em análises de armas de fogo militares, também
confirmou à BBC que os carros dos militares que aparecem nas imagens divulgadas
estavam equipados com metralhadoras DShK.
Nas cidades de Teerão, Isfahan, Yazdanshahr e Shahsavar,
imagens verificadas pelo mesmo jornal mostram metralhadoras DShK e PK de
grandes dimensões montadas em carrinhas pick-ups do Corpo da Guarda
Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla inglesa), utilizadas para controlar as
multidões. Na região de Yazdanshahr, manifestantes foram atingidos por “fogo
contínuo de metralhadoras”, segundo relatos de testemunhas.
Também a utilização de munições serviu para destruir carros
e estruturas. Segundo a Thames Valley Guns, “munições são destinadas a destruir
estruturas, carros e alvos reforçados, incluindo veículos blindados leves de
transporte de pessoal”.
Testemunhas e vídeos indicam, também, a utilização de armas
de precisão no norte do país, onde manifestantes foram mortos à distância. O
representante da Thames Valley Guns explicou o impacto de um sniper bem posicionado. “Para civis sem
treinamento, o efeito é ainda mais severo. A maioria das pessoas não sabe como
reagir a uma ameaça distante e invisível — e o medo resultante certamente
desencadeia pânico em massa”, disse.
Além disso, os agentes de segurança utilizaram, relata a
investigação, roupas civis e atacaram manifestantes com pistolas, machetes,
facas e cassetetes. Vídeos analisados pelo jornal britânico mostram mulheres
atingidas na cabeça com machetes e cidadãos mortos após serem espancados, mesmo
depois de terem sido baleados.
Os protestos espalharam-se por cerca de 200 cidades do Irão
e embora o número exato de vítimas mortais ainda não seja conhecido, imagens,
testemunhos e relatórios de organizações de direitos humanos indicam que
milhares de pessoas terão sido mortas.
Os protestos no Irão intensificaram-se a partir do final de
dezembro, impulsionados pelo agravamento da crise económica, pela elevada
inflação e pelo descontentamento generalizado com o regime iraniano e a falta
de liberdades civis.
A sigla BBC é suficiente para se desconfiar de história mal contada.




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