Starmer tenta acalmar deputados trabalhistas e sobreviver a escândalo com embaixador ligado a Epstein


Perry Mason (1957-1966) – Strother Martin, Kathleen Crowley, Richard Derr

Escolha do histórico Peter Mandelson para embaixador em Washington, onde esteve apenas sete meses, criou uma crise política no Partido Trabalhista ao saber-se das profundas ligações que tinha com Jeffrey Epstein. Primeiro-ministro britânico enfrenta pressões e pede desculpa às vítimas do milionário pedófilo, esperando que a demissão do seu chefe de gabinete baste para acalmar as hostes. Mas, entretanto, também o seu diretor de comunicação se demitiu

O chefe de gabinete de Keir Starmer, primeiro-ministro britânico, apresentou a demissão após assumir toda a responsabilidade pela nomeação de Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido em Washington. Morgan McSweeney referiu que tinha conhecimento da amizade próxima entre Mandelson, histórico do Partido Trabalhista e antigo ministro e comissário europeu, com Jeffrey Epstein.

McSweeney explicou num comunicado enviado aos meios de comunicação britânicos que foi ele que insistiu com Starmer para nomear Mandelson para a embaixada nos Estados Unidos da América. Nesse sentido, referiu ter ponderado “de forma cuidada” abandonar o cargo no gabinete do chefe de governo. Por fim refere-se à indicação de Mandelson como “um grande erro”.

Starmer aceitou a renúncia, mas ainda se defronta com uma crise dentro do próprio partido. O governante está a fazer de tudo para recuperar a credibilidade e controlo do mesmo, explica o jornal The Guardian, próximo dos trabalhistas. O diário londrino reuniu analista e membros do partido que defendem que a situação pode beneficiar Starmer, dando-lhe “tempo para recuperar a autoridade”. Já outros creditam que o primeiro-ministro está “mortalmente ferido” do ponto de vista político.

Starmer já estava sob pressão no início da semana, devido à publicação de documentos do caso Epstein — acusado de múltiplos crimes de tráfico sexual de mulheres jovens e raparigas menores de idade, tendo sido condenado e cumprido pena por alguns deles —, que davam conta de que Mandelson encaminhou informações confidenciais ao milionário pedófilo enquanto era ministro do Comércio do governo trabalhista de Gordon Brown, em 2009.

A situação agravou-se, na quarta-feira, quando o primeiro-ministro admitiu no Parlamento que sabia que Mandelson mantivera contacto com Epstein depois de este ter sido condenado, em 2008, por aliciar uma rapariga de 14 anos para ter relações sexuais, e que mesmo assim aprovou a sua nomeação para embaixador nos EUA.

O primeiro-ministro reconheceu a gravidade do momento e usou um discurso, na quinta-feira, para pedir desculpas públicas às vítimas de Epstein por ter “acreditado nas mentiras de Mandelson” sobre a relação com o pedófilo, que o agora ex-embaixador terá dito ser “vaga”.

O Guardian avança, entretanto que Tim Allan, diretor de comunicação de Starmer, também se demitiu, apenas cinco meses depois de ter assumido o cargo. “Decidi demitir-me para permitir que uma nova equipa do n.º 10 seja formada. Desejo ao primeiro-ministro e à sua equipa o maior sucesso”, declarou Allan, citado pelo jornal.

Reação da Casa Real face à ligação do ex-duque de Iorque a Epstein

Paralelamente, o príncipe e a princesa de Gales manifestaram-se pela primeira vez em público sobre o tema. William (herdeiro do trono) e Kate declaram-se “profundamente preocupados” e sublinham que os seus pensamentos estão “centrados nas vítimas”, explica a emissora estatal BBC.

A declaração surge num contexto de renovado escrutínio sobre André Mountbatten-Windsor, tio de William, irmão do rei Carlos III e antigo duque de Iorque, devido às suas ligações prolongadas com Epstein, que se mantiveram mesmo após a condenação do empresário.

Nos documentos divulgados no dia 30 de janeiro, o nome de André reaparece depois de uma das vítimas de Epstein ter afirmado que o ex-príncipe (a quem o monarca retirou os títulos devido ao escândalo) mantivera relações sexuais com ela quando era menor, aos 17 anos. André foi alvo de um processo judicial nos EUA, mas as partes chegaram a acordo antes do início do julgamento num tribunal de Nova Iorque. O aristocrata terá pagado 12 milhões de libras (13,7 milhões de euros) para não se sentar no banco dos réus, grande parte financiada pela sua mãe, a rainha Isabel II.

Num dos emails agora revelados, Mountbatten-Windsor, que foi obrigado a deixar o palácio onde vivia em consequência do escândalo, convida Epstein para almoçar no Palácio de Buckingham, mas não há confirmação de que esse encontro se tenha realizado. O ex-príncipe sempre negou qualquer ilegalidade no seu comportamento, mas a reputação não foi recuperável, ao que não ajudaram, nos últimos dias, fotos suas de gatas sobre uma rapariga em casa de Epstein.

Fonte: Expresso, 9 de fevereiro de 2026

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