Trump avisa Londres para “não ceder” base militar nas ilhas Chagos

 

O presidente norte-americano mudou novamente de posição ao avisar hoje o Reino Unido para “não ceder” uma base militar estratégica no oceano Índico, argumentando que será fundamental se os Estados Unidos atacarem o Irão

“Não cedam Diego García!”, escreveu Donald Trump, em letras maiúsculas, na sua rede social Truth Social, horas depois de o Departamento de Estado norte-americano ter reiterado o apoio ao acordo britânico destinado a restituir as ilhas Chagos à Ilha Maurícia e ao arrendamento do terreno dessa base.

Na terça-feira, o Departamento de Estado indicou que ia iniciar na próxima semana conversações com a Maurícia sobre a base conjunta EUA-Reino Unido de Diego García, de elevada importância estratégica.

A decisão tomada por Londres de devolver as Chagos à Maurícia irritou inicialmente Trump, que acabou por dizer, no início deste mês, compreender “tal acordo”, ao mesmo tempo que defendia a presença militar dos EUA na zona, que considerou sensível.

Mas na publicação de hoje, Donald Trump afirmou que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, “não deverá, em caso algum, perder o controlo de Diego García ao assinar um contrato de arrendamento de 100 anos que é, no mínimo, precário”.

“Esse território não deve ser retirado do Reino Unido e, se isso acontecer, será um ataque ao nosso grande aliado”, acrescentou.

O chefe de Estado norte-americano declarou que “se o Irão decidir não chegar a um acordo [sobre o programa nuclear], os EUA podem ver-se obrigados a utilizar Diego García e o aeródromo localizado em Fairford, Inglaterra, para repelir qualquer potencial ataque de um regime altamente instável e perigoso”.

Trump ameaçou várias vezes Teerão com uma intervenção militar se as negociações em curso não resultarem num acordo sobre o programa nuclear iraniano.

Questionada sobre esta aparente mudança de posição, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, respondeu: “Esta publicação deve ser considerada a política do governo Trump”.

“Quando se vê isto na [rede] Truth Social, sabe-se que vem diretamente do presidente Trump”, acrescentou, perante a comunicação social.

Fonte: Lusa, 18 de fevereiro de 2026

"Não entreguem Diego Garcia", disse Trump ao Reino Unido num novo ataque ao acordo de Chagos

"Não entreguem Diego Garcia", disse o presidente norte-americano, Donald Trump, ao criticar o plano do Reino Unido de ceder as ilhas Chagos às Maurícias e arrendar de volta uma importante base militar.

Trump afirmou que "esta terra não deve ser retirada do Reino Unido" e que, se isso acontecesse, seria "uma mancha para o nosso grande aliado", numa publicação nas redes sociais.

Isto apesar de Washington ter dado o seu apoio oficial, na terça-feira, ao plano de Londres de ceder a soberania do território britânico no Oceano Índico às Maurícias.

Em resposta a Trump, o ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido disse que o acordo das Ilhas Chagos era "crucial para a segurança do Reino Unido e dos nossos principais aliados, e para manter o povo britânico em segurança".

"O acordo que alcançámos é a única forma de garantir o futuro a longo prazo desta base militar vital", afirmou em comunicado. O primeiro-ministro Sir Keir Starmer já tinha insistido que o acordo era necessário para proteger a continuidade das operações da base, no meio de tentativas anteriores das Maurícias de contestar a legalidade da soberania britânica sobre as ilhas.

Diego Garcia é a maior ilha do arquipélago e é utilizada como base militar conjunta pelas forças armadas do Reino Unido e dos Estados Unidos.

Segundo o acordo – anunciado em maio último – o Reino Unido vai arrendar Diego Garcia por um período de 99 anos.

Os comentários mais recentes de Trump surgem antes das negociações entre os EUA e as Maurícias, previstas para a próxima semana.

Numa publicação na plataforma Truth Social, na quarta-feira, Trump escreveu: "Tenho dito ao primeiro-ministro Keir Starmer, do Reino Unido, que os arrendamentos não são bons quando se trata de países, e que está a cometer um grande erro ao assinar um arrendamento de 100 anos..."

O presidente norte-americano realçou que Diego Garcia está "estrategicamente localizada no Oceano Índico".

O primeiro-ministro Keir Starmer está a perder o controlo desta importante ilha devido a reivindicações de entidades nunca antes conhecidas”, afirmou.

Estaremos sempre prontos, dispostos e capazes de lutar pelo Reino Unido, mas eles têm de se manter fortes face ao wokismo e a outros problemas que lhes são colocados.”

E, referindo-se às conversações em curso entre os Estados Unidos e o Irão sobre o controverso programa nuclear de Teerão, Donald Trump afirmou: “Se o Irão decidir não chegar a um acordo, poderá ser necessário que os Estados Unidos utilizem Diego Garcia… para eliminar um potencial ataque por parte de um regime altamente instável e perigoso.

O presidente republicano ameaçou repetidamente utilizar a força militar contra o Irão devido à repressão violenta dos protestos antigovernamentais e das suas atividades nucleares.

Os EUA e os seus aliados europeus suspeitam que o Irão está a caminhar para o desenvolvimento de uma arma nuclear, algo que Teerão sempre negou.

Questionada pela BBC sobre os últimos comentários de Trump, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou: "A publicação deve ser considerada como a política da administração Trump, vem diretamente da fonte.

Quando se vê isto no Truth Social, sabe-se que é diretamente do presidente Trump, essa é a beleza deste presidente na sua transparência e na transmissão das políticas do seu governo."

Mas na terça-feira, o Departamento de Estado dos EUA deu o seu apoio oficial à planeada transferência das Ilhas Chagos.

Em comunicado, afirmou que "apoia a decisão do Reino Unido de avançar com o seu acordo com as Maurícias em relação ao arquipélago de Chagos".

A posição de Trump sobre o assunto sofreu rápidas mudanças nos últimos meses - desde descrever a transferência planeada como um "ato de grande estupidez" até dizer que o acordo era o "melhor" que o primeiro-ministro podia fazer.

A secretária-sombra dos Negócios Estrangeiros, Priti Patel, afirmou que os comentários mais recentes de Donald Trump constituem “uma humilhação absoluta” para Keir Starmer.

“Está na altura de Starmer finalmente ganhar bom senso, dar o dito por não dito e abandonar por completo este acordo deplorável”, declarou.

O líder do Partido Liberal Democrata, Sir Ed Davey, afirmou que a mais recente mudança de posição de Trump demonstra que o Reino Unido precisa de reforçar os laços com a Europa.

"As constantes mudanças de posição de Trump sobre as Ilhas Chagos mostram porque é que a abordagem de Starmer está condenada ao fracasso", escreveu Davey numa publicação no X.

"A Grã-Bretanha não pode depender dos EUA enquanto Trump estiver na Casa Branca. É tempo de reforçar os nossos laços com aliados em quem podemos confiar, começando pelos nossos vizinhos na Europa."

Em resposta à mais recente publicação do presidente norte-americano, o líder do Reform UK, Nigel Farage – um crítico acérrimo do plano de transferência de soberania do Reino Unido – elogiou as críticas de Trump à forma como Londres lidou com a questão.

"Keir Starmer corre o risco de alienar o nosso aliado mais importante ao entregar as Ilhas Chagos, o pior acordo da história britânica", escreveu no X.

"O presidente Trump tem razão ao dizer que o primeiro-ministro está a cometer um grande erro". Starmer deve cancelar este acordo".

No início desta semana, quatro habitantes das ilhas Chagos — que se opõem ao acordo de transferência — desembarcaram no remoto atol de Chagos em protesto contra o acordo.

Recusaram-se a abandonar o local, apesar da ameaça de despejo por parte de uma patrulha marítima britânica.

Fonte: BBC, 18 de fevereiro de 2026

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