Trump prepara revogação histórica das leis de regulamentação climática nos EUA
Perry Mason
(1957-1966) – Milton Selzer, Joan Tetzel
O governo dos Estados Unidos pretende revogar, esta
quinta-feira, as regulamentações climáticas, através
da eliminação da conclusão científica que aponta os riscos das emissões de
gases de efeito de estufa para a saúde humana. Trata-se da revogação
da chamada “constatação de perigo” - a conclusão científica de 2009 que
reconhece que a emissão de gases de efeito estufa representa riscos à saúde
humana, segundo a Reuters.
A medida elimina o principal fundamento jurídico que
sustenta as regulamentações climáticas federais nos Estados Unidos (EUA).
Esta será a reversão mais ampla da política climática dos
EUA, promovida pela atual administração de Donald Trump até o momento,
aprofundando uma série de cortes regulatórios destinados a facilitar o
desenvolvimento de combustíveis fósseis e a travar a implementação de energia
limpa.
A “constatação de perigo”,
adotada pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) com base na Lei do Ar Limpo de
1963, permitiu que o órgão regulasse emissões de dióxido de carbono, metano e
outros quatro poluentes que retêm calor na atmosfera. Com a revogação, as exigências federais americanas para
medir, relatar, certificar e cumprir padrões de emissão de gases de efeito
estufa para automóveis devem ser eliminadas.
Dados da própria Agência de Proteção Ambiental indicam que
os setores de transporte e energia respondem a cerca de um quarto das emissões
de gases de efeito estufa no EUA, o que evidencia o alcance potencial da
decisão.
Trump já declarou
publicamente que considera a mudança climática “uma farsa” e
retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris, afastando o maior contribuinte
histórico para o aquecimento global dos esforços internacionais de mitigação.
Embora parte da indústria apoie a flexibilização de normas
rigorosas para emissões de veículos, há cautela quanto ao apoio público à
anulação da “constatação de perigo”.
Especialistas citados pela Reuters alertam para um possível
aumento de processos jurídicos. A reversão pode reabrir espaço para ações
conhecidas como de “perturbação da ordem pública”, que haviam sido praticamente
bloqueadas após decisão da Supremo Tribunal em 2011.
Na ocasião, o tribunal determinou que a regulamentação dos
gases de efeito estufa deveria ser conduzida pela EPA, e não pelos tribunais.
Para Robert Percival, professor de direito ambiental numa Universidade dos EUA,
a medida pode ter efeito contrário ao pretendido. “Este
pode ser mais um caso clássico em que a ambição excessiva da administração
Trump acaba por se virar contra ele”, afirmou.
Grupos ambientais reagiram com críticas, classificando a
proposta como um risco ao clima. Analistas apontam ainda que futuras
administrações que desejem restabelecer regras federais para emissões
provavelmente terão de reinstaurar formalmente a “constatação de perigo” - um
processo descrito como politicamente sensível e juridicamente complexo.
A decisão, se confirmada, esta quinta-feira, marca um ponto
de afastamento da política ambiental norte-americana, com potenciais impactos
regulatórios, jurídicos e climáticos que podem alonga-se além do atual mandato
presidencial de Donald Trump.
Fonte: RTP, 12 de fevereiro de 2026
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