UE acaba com isenção aduaneira nas encomendas até 150 euros e cria taxa de três euros
Grace (2021) - Tobias Jowett, Oaklee Pendergast
A União Europeia deu hoje luz verde final a novas regras de
direitos aduaneiros para pequenas encomendas no espaço comunitário, eliminando
a atual isenção para bens abaixo de 150 euros e criando uma taxa provisória de três euros.
"O Conselho aprovou hoje, formalmente, novas regras de
direitos aduaneiros aplicáveis a artigos contidos em pequenas encomendas que
entram na UE, sobretudo através do comércio eletrónico. As novas regras respondem ao facto de estas encomendas
entrarem atualmente na União isentas de direitos aduaneiros, o que cria concorrência desleal
para os vendedores europeus", anunciou em comunicado a
estrutura que junta os Estados-membros.
Com esta decisão, deixa então de existir a isenção baseada
no limiar de 150 euros para pequenas encomendas, pelo que todas as mercadorias
que entrem na UE passam a ficar sujeitas a tarifas aduaneiras quando esteja
operacional o novo centro de dados aduaneiros europeu, previsto no âmbito de
uma reforma mais ampla do sistema aduaneiro e atualmente estimado para 2028.
Até à entrada em funcionamento desse sistema, os
Estados-membros acordaram a aplicação de uma taxa fixa provisória de três euros
por cada categoria de artigo incluída em encomendas de valor inferior a 150
euros enviadas diretamente aos consumidores na UE.
A partir de 1 de julho de 2026, a taxa será calculada por
categoria distinta de produto, identificada segundo as subposições pautais, o
que significa, por exemplo, que uma encomenda com uma blusa de seda e duas de
lã passe a ser considerada como contendo duas categorias diferentes e implique
o pagamento de seis euros de direitos aduaneiros.
Segundo o Conselho da UE, o
novo regime terá impacto positivo no orçamento da União e nas finanças públicas
nacionais, uma vez que os direitos aduaneiros constituem um recurso
próprio tradicional, sendo parte das receitas retida pelos Estados-membros a
título de custos de cobrança.
A medida é distinta da chamada taxa de manuseamento, ainda
em discussão no âmbito do pacote global de reforma aduaneira.
De acordo com dados da Comissão Europeia, o número de
pequenas encomendas que chegam à UE duplicou anualmente desde 2022 e só em
2024, entraram no mercado europeu 4,6 mil milhões de remessas deste tipo, 91%
das quais provenientes da China.
A União Europeia encontra-se atualmente a negociar, entre o
Conselho e o Parlamento Europeu, a reforma estrutural do sistema aduaneiro,
incluindo a criação de um centro de dados europeu supervisionado por uma nova
autoridade aduaneira comunitária.
Fonte: RTP, 11 de fevereiro de 2026
Governar é ter talento para criar novos impostos disfarçados sob o desígnio de ajudar as pessoas. No entanto, a criação de um centro de dados europeu supervisionado por uma nova autoridade aduaneira comunitária vai custar uma pipa de massa para uma pipa de novos burocratas.

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