"Um acordo é um acordo". UE exige garantias dos EUA depois de decisão sobre tarifas
Perry Mason
(1957-1966) – Patricia Blair, Peter Walker, George Petrie
Comissão
Europeia sublinha que a atual situação "não é propícia à concretização de
um comércio e investimento transatlânticos justos, equilibrados e mutuamente
benéficos", tal como determinado pelo acordo de julho de 2025 e exige
"total clareza"
A Comissão Europeia exige
garantias dos Estados Unidos de que o acordo comercial alcançado em julho do
ano passado que fixou as tarifas de 15% para os produtos importados da União
Europeia seja cumprido e pede "total clareza" a Washington sobre o
que pretende fazer depois da decisão do Supremo Tribunal norte-americano.
"Um acordo é um acordo", afirma o Executivo
comunitário num comunicado emitido este domingo, 22 de fevereiro, depois do
presidente norte-americano ter anunciado que vai impor tarifas de 15% para
todos os países para fazer face à decisão judicial de considerar ilegais as
taxas aduaneiras recíprocas anunciadas em abril do ano passado.
"Enquanto maior parceiro comercial dos Estados Unidos,
a UE espera que os EUA honrem os compromissos assumidos na Declaração Conjunta
- tal como a UE cumpre os seus." Em causa está o acordo alcançado
em julho do ano passado na Escócia que prevê taxas aduaneiras de 15% sobre as
exportações europeias para os Estados Unidos, mas a abolição de tarifas
relativamente às exportações norte-americanas para a UE.
O
entendimento prevê ainda investimentos de 550 mil milhões de euros da UE nos
EUA até 2029 e compras de produtos energéticos no valor de 700 mil milhões de
euros.
No comunicado divulgado neste domingo, Bruxelas pede
"total clareza sobre as medidas que os Estados Unidos pretendem adotar na
sequência da recente decisão do Supremo Tribunal", acrescentando que
"a situação atual não é propícia à concretização de um comércio e
investimento transatlânticos 'justos, equilibrados e mutuamente benéficos', tal
como acordado por ambas as partes e consagrado na Declaração Conjunta UE-EUA de
agosto de 2025."
O Executivo comunitário lembra que "os produtos
europeus devem continuar a beneficiar do tratamento mais competitivo, sem
quaisquer aumentos aduaneiros que excedam o teto claro e abrangente previamente
acordado." Ou seja, Bruxelas teme perder competitividade para outros
concorrentes, caso as tarifas venham a sofrer um agravamento.
Na nota, a Comissão sublinha que "quando aplicadas de
forma imprevisível, as tarifas são intrinsecamente perturbadoras, minando a
confiança e a estabilidade nos mercados globais e gerando maior incerteza nas
cadeias de abastecimento internacionais." Bruxelas insiste que "as tarifas são impostos que fazem aumentar os custos
tanto para os consumidores como para as empresas, como estudos recentes
confirmam claramente", contrariando os argumentos da Casa
Branca sobre os impactos das tarifas.
O Executivo comunitário adianta que "mantém um contacto
estreito e contínuo com a administração dos EUA", revelando que no sábado,
21 de fevereiro, o comissário da UE para o Comércio, Maroa Sefcovic, falou com
o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, e com o Secretário do
Comércio, Howard Lutnick."
A CE garante, por outro lado que continuará a
"trabalhar no sentido da redução das tarifas, conforme previsto na
Declaração Conjunta. A prioridade da UE é preservar um ambiente comercial
transatlântico estável e previsível, atuando simultaneamente como âncora global
de um comércio assente em regras."
Fica ainda a nota de que a União Europeia "continua a
expandir a sua rede de acordos comerciais abrangentes e ambiciosos de 'tarifa
zero' a nível mundial, bem como os esforços para reforçar o sistema comercial
aberto e baseado em regras."
O Parlamento Europeu, que agendou para esta segunda-feira
uma sessão extraordinária para avaliar o impacto da decisão do Supremo
Tribunal, pode adiar a aprovação do acordo selado no verão do ano passado entre
Washington e Bruxelas. O presidente da comissão de Comércio Internacional vai
propor o congelamento da ratificação do acordo até que os EUA deem mais
detalhes sobre as novas tarifas globais de 15%.
"Puro caos alfandegário
por parte da Administração dos EUA", escreveu Bernd Lange nas
redes sociais este domingo. "Ninguém consegue perceber o que se passa - só
há perguntas sem resposta e incerteza crescente para a UE e outros parceiros
comerciais dos EUA."
Fonte: Negócios, 22 de fevereiro de 2026


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