Von der Leyen quer União Europeia simplificada e a duas velocidades
Perry Mason
(1957-1966) – Milton Selzer
A
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu hoje uma União
Europeia (UE) simplificada, a duas velocidades quanto à cooperação financeira e
com preferência comunitária para aumentar o crescimento económico face a outros
blocos concorrentes
Na véspera de um retiro de
líderes europeus sobre como
aumentar a competitividade comunitária, que decorre na quinta-feira no castelo
belga de Alden Biesen, a cerca de uma hora de Bruxelas, Von der Leyen avisou:
"Se levamos a simplificação a sério, temos de combater o excesso de
transposição e a fragmentação, [pelo que] está
na altura de uma profunda limpeza regulatória a todos os níveis".
Intervindo na sessão plenária do Parlamento Europeu num
debate sobre ações urgentes para relançar a competitividade da UE, na cidade
francesa de Estrasburgo, a presidente do executivo comunitário anunciou uma
proposta de "Europa simplificada" para "concentração total do
mercado único", que será apresentada em março.
"Precisamos de derrubar as barreiras uma a uma e é por
isso que, no próximo mês, proporemos o 28.º regime. Chamamos-lhe EU Inc, um
conjunto único e simples de regras que se aplicará de forma harmoniosa em toda
a nossa União, para que as empresas possam operar entre Estados-membros com
muito mais facilidade", elencou.
Esta será uma proposta sobre um conjunto único de regras
administrativas opcionais que funcione em toda a UE, a par das leis nacionais,
dirigida às empresas inovadoras e de menor dimensão.
Numa altura em que a UE conta com 27 sistemas financeiros
diferentes, cada um com o seu supervisor, e mais de 300 plataformas de
negociação em toda a União, Von der Leyen quer acabar com esta
"fragmentação levada ao extremo" através de "um mercado de
capitais grande, profundo e líquido" com iniciativas como a União da
Poupança e do Investimento, a integração da supervisão e a angariação de
capital, a avançar "ainda este ano".
Nos Estados Unidos, em comparação, existe "um único
sistema financeiro, uma única capital financeira e alguns outros centros
financeiros", apontou.
"O Plano A é avançar com os 27 [países], mas se tal não
for possível, o Tratado [da UE] permite a cooperação reforçada. Temos de
progredir e derrubar as barreiras que nos impedem de sermos um verdadeiro
gigante global", considerou a responsável, numa alusão à ideia de Europa a
duas velocidades, em que alguns Estados-membros podem avançar mais rapidamente
na integração em determinadas áreas, enquanto outros optam por acompanhar esse
processo mais tarde ou não participar.
Nesta intervenção, Ursula von der Leyen defendeu ainda a
ideia de "preferência europeia", dando prioridade a empresas,
produtos ou investimentos da UE em setores estratégicos, para assim
"reforçar a base produtiva da própria Europa", num "equilíbrio
delicado".
"Devemos agir com o maior sentido de urgência" e
"o que importa agora é a rapidez na execução", concluiu.
Em causa estão reformas nacionais, mas também europeias, ao
nível da simplificação administrativa (para
gerar poupanças de 15 mil milhões de euros por ano), da remoção de
barreiras no mercado único (com as barreiras internas a equivaleram a uma
tarifa de 45% sobre bens e 110% sobre serviços), da aposta na inovação e da
atração do investimento.
A ideia é combater a falta
de investimento e de inovação na UE, diversificar o fornecimento energético
para obter preços mais baixos e reforçar a resiliência e segurança económicas,
principalmente face aos principais concorrentes, China e Estados Unidos.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, convidou os
líderes da UE para um retiro informal dedicado à competitividade, que decorre
esta quinta-feira num castelo histórico fora de Bruxelas.
Fonte: RTP, 11 de fevereiro de 2026

Comentários
Enviar um comentário