Alemanha vira costas à Rússia e desata bronca nos Paralímpicos de Inverno
Gesto
da alemã Linn Kazmaier e do guia, Florian Baumann, aquando da entrega da
medalha de ouro paralímpica à dupla russa formada por Anastasiia Bagiian e
Sergei Siniakin, está a dar que falar
A cerimónia de entrega das medalhas relativas à prova de ski
'cross-country', nos Jogos Paralímpicos de Inverno, que decorrem nas regiões
italianas de Milão e Cortina d'Ampezzo, até ao próximo domingo, dia 15 de
março, ficaram, esta terça-feira, marcadas por um momento que promete fazer
correr muita tinta.
Isto porque a alemã Linn Kazmaier e o guia, Florian Baumann,
que ficaram no segundo lugar,
viraram, literalmente, as costas à dupla vencedora, composta pela russa
Anastasiia Bagiian e pelo respetivo guia, Sergei Siniakin, quando o hino se
fazia ouvir, num gesto de protesto para com o facto de o país ter sido
autorizado a competir sob a própria bandeira, quatro anos após o início da
invasão por parte das forças militares à Ucrânia.
"A cerimónia de entrega de medalhas pareceu-me
completamente estranha. Eu não conheço as pessoas. Não as conheço, e talvez
elas também não apoiem o regime da Rússia. Talvez sejam pessoas muito
simpáticas, com as quais até poderíamos ser amigas", começou por afirmar
Linn Kazmaier.
"No entanto, é, simplesmente, uma vergonha que a
política esteja a ofuscar tudo o resto. Por isso, decidimos manter os gorros e
não nos virarmos na direção das bandeiras, porque não os apoiamos",
acrescentou, em declarações prestadas à estação televisiva germânica ARD.
Já Florian Baumann, foi ainda mais longe, em entrevista
concedida ao jornal ZDF: "Há quatro anos, em Pequim, construímos
uma relação fantástica com os ucranianos. Quisemos demonstrar solidariedade
para com eles. Isto não tem a ver com os atletas russos. É difícil para eles,
neste momento".
"Ainda assim, simplesmente, não acho que seja correto
que o Comité Paralímpico Internacional [IPC] tenha decidido que a Rússia
poderia competir, aqui, sob a sua própria bandeira, com o seu próprio hino, e
com o seu contingente completo, ao mesmo tempo que os ucranianos que também
estão cá", rematou.
Linn Kazmaier e Florian Baumann também recusaram tirar a
tradicional selfie com Anastasiia Bagiian e Sergei Siniakin. Isto, depois de a
delegação da Alemanha ter boicotado (tal como várias outras) a cerimónia de
abertura, realizada em Verona, em protesto para com a inclusão nos Jogos
Paralímpicos de Inverno, não só da Rússia, como também da Bielorrússia.
Rússia de volta aos grandes palcos
Esta é a primeira vez que a Rússia compete nuns Jogos
Paralímpicos desde 2014, em Socchi. Desta feita, faz-se representar em três
disciplinas, isto é, no ski alpino (masculino e feminino), no ski
'cross-country' (também em ambas as vertentes) e no snowboard (exclusivamente
no masculino).
Em 2018, em Pyeongchang, na Coreia do Sul, o país foi
banido, devido ao escândalo de doping que assolou atletas das mais variadas
modalidades, alegadamente, promovido pelo próprio governo. O mesmo motivo pelo
qual foi afastado da edição de 2022, que decorreu na cidade chinesa de Pequim.
Neste período de tempo, os atletas russos foram autorizados
a competir, mas somente sob bandeira neutro e sem direito a hino nacional. Uma
decisão que acabou por ser revertido pelo presidente do IPC, Andrew Parsons.
Fonte: Notícias ao Minuto, 11 de março de 2026
Um mundo estranho em que até os cegos não veem.

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