Blackrock e Blackstone em queda livre na bolsa com resgates dos fundos de crédito

Streets of Fire (1984) - Michael Paré, Diane Lane

A BlackRock (BLK) e a Blackstone (BX) estão a sofrer quedas significativas nas ações em bolsa, ligadas principalmente às notícias recentes sobre resgates elevados nos seus fundos de crédito privado (private credit)

A BlackRock e a Blackstone enfrentam um aumento expressivo de resgates nos fundos de crédito privado. O resultado é que em bolsa no pré-market a BlackRock tomba quase 8% e a Blackstone vai a caminho de uma queda de 5%.

Segundo a Bloomberg, as duas maiores gestoras de ativos alternativos do mundo estão perante uma escolha dolorosa: bloquear os investidores que pretendem sair dos fundos de dívida privada e enfrentar possíveis repercussões, ou honrar os pedidos e trair os seus princípios orientadores.

Há meses que os gestores de fundos de crédito privado pressentiam que o acerto de contas estava a chegar.

Falências de alto perfil tinham abalado os investidores. Crescia o mal-estar devido à elevada exposição a empresas de software vulneráveis à IA. Os clientes de retalho, que levaram anos a atrair, começaram a retirar dinheiro dos maiores fundos do setor, testando os limites concebidos para evitar a venda precipitada dos ativos.

A queda em bolsa acontece depois de a BlackRock ter limitado os resgates no seu fundo HPS Corporate Lending de 26 mil milhões de dólares a 5% após pedidos de 9,3% que ascendiam a 1,2 mil milhões de dólares.

Já a Blackstone aumentou temporariamente o limite de 5% para 7% no seu fundo de 82 mil milhões de dólares e injetou capital próprio para honrar mais resgates.

A Blackstone enfrentou pedidos recorde de 3,8 mil milhões de dólares (7,9% do fundo) no seu fundo BCRED. Ao contrário da BlackRock, a Blackstone optou por cumprir 100% dos pedidos, elevando o seu limite interno e injetando capital próprio.

Estes episódios refletem tensões no mercado de crédito privado de cerca de 2 biliões de dólares, com preocupações sobre liquidez, exposição a setores como o software e resgates por parte de investidores de retalho.

A pressão vem maioritariamente de investidores de retalho e de grandes fortunas (wealthy individuals) que procuram liquidez imediata face à instabilidade global.

O aumento nos pedidos de retirada está concentrado em fundos desenhados para investidores individuais de alto património (como o BCRED da Blackstone e o HLEND da BlackRock).

Fonte: O Jornal Económico, 9 de março de 2026

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