Dentes partidos, estrangulada: Militar acusa 'ex', também do Exército
Perry Mason
(1957-1966) – Phillip Pine
Uma
militar do Exército receia ser agredida pelo ex-namorado, do mesmo ramo, após a
este já ter sido aplicada a medida de coação de termo de identidade e
residência. PJM levou caso até ao Ministério Público
Um caso de violência doméstica que envolve dois militares está
a abalar o Exército, que, na próxima segunda-feira, realiza um exercício
nacional no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, distrito de
Santarém.
O caso é avançado na rubrica "Exclusivo", da TVI,
a quem o Exército garantiu que tem salvaguardadas todas as situações que podiam
representar perigo. Na mesma resposta, a emissora foi ainda informada de que os militares não vão participar na mesma atividade de
treino, assim como estarão no exercício em contextos e locais distintos.
O exercício nacional tem a duração de duas semanas e envolve
armas e munições reais. A TVI, do mesmo grupo que a CNN Portugal,
informa ainda que já depois da resposta do Exército, a militar, que diz ter
sido estrangulada e perseguida e receia ser agredida pelo alegado agressor,
entre outras situações, foi informada de que não vai ao exercício em questão,
assim como nenhum colega do curso que frequenta.
Já o militar, contactado também pela emissora, não comenta
as alegadas agressões, dizendo que não vai ao exercício no Campo Militar de
Santa Margarida.
Superior reparou, PJM ativada e queixas de ambas as
partes
As alegadas agressões à militar terão durado cerca de um ano
e meio estando, atualmente, o militar sujeito à medida de coação mínima - termo
de identidade e residência. Isto depois de, explica a emissora, o Ministério
Público (MP) ter rejeitado os argumentos da militar para garantir o afastamento
do ex-namorado.
O caso avançou depois de uma
superior hierárquica da militar ter suspeitado que a jovem sofria de violência
doméstica, tendo depois sido ativada a Polícia Judiciária Militar
(PJM) e o caso encaminhado para o MP.
A alegada situação de violência doméstica começou primeiro com ciúmes, com, por exemplo,
um episódio em que depois de a jovem receber uma fotografia de dois colegas de
pelotão, os mesmos foram trancados numa casa de banho pelo então namorado.
À violência psicológica ciúmes e pressão, ter-se-á seguido a
violência física. Aconteceu num dia em que a
jovem recusou um "contacto físico". "Foi aí que
deu azo a um primeiro murro. No dia a seguir, acordou e tratou-me como se nada
tivesse acontecido", conta à TVI.
A mulher disse que vivia com medo que a situação se
repetisse e que chegou mesmo a ser agredida em casa dos avós, onde este lhe
terá "partido os dentes." O pai da vítima terá presenciado e levou a
filha ao hospital de Leiria, onde esta passou "várias horas." Quando
voltou, o então namorado "estava no sofá como se nada tivesse
acontecido."
Foi em julho do ano passado que a relação terminou, depois
de a jovem dizer ter sido estrangulada. Nesse dia, também
o militar se dirigiu à Polícia de Segurança Pública, onde apresentou queixa
contra ela, dizendo que esta "partia para a agressão de mão aberta e
fechada" e acusando-a de inventar. Nessa altura, no entanto, já
o MP averiguava o caso e elaborava o auto.
Segundo o que a mulher explicou à TVI, o ex-namorada
chegou-lhe mesmo a dizer que a "mulher tem de ser submissa a um
homem" e que, "se não é, vai apanhar." "Tu és mulher e deves respeito ao homem",
ouve-se num áudio obtido pela emissora.
Após o término o homem terá tentado contactar não só a
ex-namorada como os colegas dela. Já quanto ao seu redor, a jovem fala no
isolamento, para além das agressões. "Deixei de ter amigos, deixei de ter
contacto com os meus familiares", refere, dizendo que o homem tentou mesmo
proibi-la de ter contacto com "própria mãe."
Fonte: Notícias ao Minuto, 14 de março de 2026

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