Epstein investiu em empresa que trabalhou com polícia
Os milhões de documentos revelados no âmbito dos ficheiros
Epstein continuam a revelar ligações, até agora desconhecidas, do magnata e
criminoso sexual a empresas, entidades públicas e também a players
políticos. O mais recente caso é o do
investimento de Jeffrey Epstein numa start-up tecnológica que foi contratada
pela polícia de Miami, entre outras entidades, num negócio com intermediação do
antigo primeiro-ministro israelita Ehud Barak.
Conforme revela o jornal Miami Herald, após analisar
documentos incluídos nestes ficheiros, já depois de ter confessado dois crimes
de prostituição no condado de Palm Beach, em Miami, em 2008, Epstein investiu
“de forma secreta” um milhão de dólares (mais de 865 mil euros) na start-up israelita Carbyne, que assinou
contratos com várias entidades públicas e forças policiais no estado da
Flórida, incluindo o departamento da polícia de Miami-Dade, assim como a
patrulha de autoestradas da Flórida e a polícia da praia do norte de Miami.
Várias destas agências usaram uma
aplicação desenvolvida pela Carbyne que
permite a quem ligar ao 911 — o 112 norte-americano, número utilizado para
contactar os serviços de emergência — mostrar em vídeo a situação que está a
enfrentar, para que os serviços percebam com o que é que estão a lidar e
avaliarem a situação.
No caso da polícia de Miami-Dade, foi gasto um valor de
quase dois milhões de dólares (1,7 milhões de euros) num contrato de três anos
com a Carbyne, em 2021, para “testar o sistema”. A agência disse, entretanto, a
este jornal que já não tem contratos ativos com a empresa, e o condado
respondeu que o contrato foi feito através de um procedimento “padrão” que não
inclui uma análise dos investidores das empresas em causa.
Entretanto, a “gigante” de
tecnologia na área de segurança Axon, do Arizona, comprou a Carbyne,
no ano passado, não sendo claro se sabia dos investimentos de Epstein na
empresa.
O mesmo jornal adianta que o investimento de Epstein na
empresa foi intermediado pelo antigo primeiro-ministro israelita, que conhecia
Epstein há vários anos, e que Barak seria um investidor no princípio da
história da empresa (fundada em 2015) e presidente da administração, mas os
documentos conhecidos agora mostram que “pelo menos um milhão de dólares dos
seus fundos” vieram da Southern Trust Company,
de Epstein.
Os emails incluídos nos ficheiros mostram conversas sobre o
investimento inicial, enviado por Epstein para uma das empresas de Barak em
2015, sendo que nenhum documento da empresa menciona que Epstein fosse um dos
investidores — e um email do seu advogado pessoal, Darren Indyke, de 2019 frisa
que o magnata não quereria “o seu nome associado a este investimento”. Um
advogado do antigo governante israelita respondeu ao jornal que era seu direito
manter o investimento confidencial, tendo Barak deixado a administração da
empresa em 2020.
Fonte: Observador, 19 de março de 2026

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