Guarda prisional pesquisou nome de Jeffrey Epstein no Google minutos antes de corpo ser encontrado
Novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos
Estados Unidos revelaram detalhes adicionais sobre a morte do financista
Jeffrey Epstein, ocorrida em agosto de 2019.
Entre as informações agora conhecidas está o facto de uma
guarda prisional ter pesquisado o nome de Epstein no Google poucos minutos
antes de o seu corpo ser encontrado na cela.
Segundo informações publicadas pelo New York Post, a
guarda trabalhava no Metropolitan Correctional Center, a prisão onde Epstein se
encontrava detido enquanto aguardava julgamento.
Pesquisas feitas minutos antes da descoberta
De acordo com registos do Federal Bureau of Investigation, a
guarda prisional Tova Noel terá pesquisado no Google “últimas notícias sobre
Epstein na prisão” às 05h42 e novamente às 05h52.
As pesquisas terão sido feitas cerca de 40 minutos antes de
outro guarda, Michael Thomas, encontrar o corpo do financista morto na sua
cela.
Os documentos indicam ainda que, no início do turno, Noel
terá feito compras de mobiliário na internet e dormido uma sesta, em vez de
realizar as verificações obrigatórias à cela de Epstein.
Acusação de falsificação de registos
Tova Noel já tinha sido anteriormente acusada de falsificar
registos de vigilância que indicavam verificações periódicas ao recluso durante
a noite anterior à sua morte.
Quando questionada sobre as pesquisas feitas no Google, em
2021, a agente afirmou não se recordar de ter realizado essas buscas e alegou
que os registos apresentados pelo FBI não seriam precisos.
A guarda afirmou também que não era a única funcionária que
deixava de cumprir as rondas obrigatórias e disse que esse tipo de prática
ocorria com outros guardas da prisão.
Depósito de dinheiro também chamou a atenção
Outro ponto destacado nos documentos foi um depósito de
cinco mil dólares realizado pela agente cerca de dez dias antes da morte de
Epstein.
De acordo com o banco, Noel terá feito ao todo 12 depósitos
entre abril de 2018 e julho de 2019.
Últimas horas antes da morte
Um relatório adicional do FBI refere ainda que uma pessoa
vestida com uniforme laranja foi vista a aproximar-se da ala onde Epstein se
encontrava por volta das 22h40 na noite da sua morte.
Os investigadores acreditam que essa pessoa poderá ter sido
Tova Noel, que terá levado lençóis ou roupa de reclusos para a ala de segurança
máxima.
Em depoimento, contudo, a guarda afirmou que viu Epstein
pela última vez por volta das 22h e negou ter distribuído lençóis nessa noite.
Jeffrey Epstein foi encontrado morto na sua cela a 10 de
agosto de 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual
de menores. O caso gerou enorme repercussão internacional e deu origem a várias
teorias sobre as circunstâncias da sua morte.
Fonte: Newsrondonia, 8 de março de 2026
Vários elementos relacionados com a morte de Jeffrey Epstein continuam a suscitar dúvidas entre jornalistas, investigadores e antigos responsáveis do sistema prisional norte-americano. Um dos aspetos mais discutidos diz respeito ao sistema de videovigilância do Metropolitan Correctional Center, a prisão federal de Nova Iorque onde Epstein se encontrava detido. Na noite da sua morte, duas câmaras situadas na zona em frente à sua cela não tinham gravações utilizáveis. Segundo informações divulgadas posteriormente, algumas câmaras estariam avariadas e outras simplesmente não tinham imagens disponíveis ou tinham perdido as gravações. Num estabelecimento de segurança máxima, este tipo de falha simultânea em equipamentos de vigilância é considerado altamente anómalo e foi um dos primeiros elementos a alimentar suspeitas e especulação pública sobre as circunstâncias da morte.
Outro ponto frequentemente referido prende-se com o regime de vigilância a que Epstein estava sujeito nos dias anteriores. Pouco tempo antes de morrer, o detido tinha sido encontrado com ferimentos no pescoço na sua cela, num episódio que levantou dúvidas sobre se se tratara de uma tentativa de suicídio ou de uma agressão. Na sequência desse incidente, Epstein foi colocado sob vigilância especial para prevenção de suicídio. No entanto, essa medida foi retirada poucos dias depois, apesar de ele ser um recluso de alto perfil, acusado de crimes particularmente graves e sujeito a grande pressão mediática e judicial. Vários antigos responsáveis prisionais afirmaram posteriormente que a decisão de suspender a vigilância reforçada foi prematura e pouco habitual em casos deste tipo.
As falhas na vigilância humana também se tornaram um elemento central da investigação. Os dois guardas de serviço na ala naquela noite, Tova Noel e Michael Thomas, tinham a obrigação de verificar as celas aproximadamente a cada trinta minutos durante a madrugada. De acordo com os relatórios oficiais, ambos terão adormecido durante várias horas e não realizaram as rondas obrigatórias. Posteriormente, os registos de vigilância foram preenchidos de forma a indicar que as verificações tinham sido feitas, o que levou as autoridades a acusá-los de falsificação de documentos. Apesar disso, os dois acabaram por evitar penas de prisão após celebrarem um acordo judicial com o Ministério Público.
A morte de Epstein ganhou ainda maior dimensão pública devido à extensa rede de contactos que o financista mantinha entre figuras influentes da política, das finanças e do mundo empresarial. Essa rede de relações, associada às circunstâncias invulgares da sua morte enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores, contribuiu para que o caso continue a ser objeto de debate e especulação pública vários anos depois dos acontecimentos.
Alguns médicos legistas consideraram invulgar o padrão de lesões observado no pescoço de Jeffrey Epstein, sobretudo por causa do tipo de fraturas encontradas no osso hioide e na cartilagem da laringe durante a autópsia realizada pelo gabinete da médica-legista de Barbara Sampson.
O osso hioide é um pequeno osso em forma de U localizado na parte superior do pescoço, entre o queixo e a laringe. Ele ajuda a sustentar a língua e está ligado a vários músculos do pescoço. Em muitos casos de enforcamento — especialmente os chamados “enforcamentos incompletos”, comuns em ambientes prisionais, onde a pessoa utiliza lençóis ou cordas improvisadas e o corpo não fica totalmente suspenso — esse osso frequentemente não se parte.
No caso de Epstein, a autópsia revelou fraturas no osso hioide e em duas estruturas da cartilagem tiroideia. Esse conjunto de lesões levou alguns especialistas a afirmar que o padrão podia ser mais frequentemente observado em casos de estrangulamento manual ou compressão do pescoço. Um dos médicos que comentou publicamente o assunto foi o patologista forense Michael Baden, que foi contratado pela família de Epstein para acompanhar a autópsia. Baden afirmou que a combinação específica de fraturas era “mais típica de estrangulamento do que de suicídio por enforcamento”.
No entanto, outros especialistas sublinharam que essas fraturas também podem ocorrer em suicídios por enforcamento, sobretudo em pessoas mais velhas. Com a idade, os ossos e as cartilagens da laringe tornam-se mais rígidos e frágeis, o que aumenta a probabilidade de fratura mesmo quando a pressão resulta do próprio peso do corpo. Epstein tinha 66 anos, idade em que esse tipo de lesão já não é considerado raro em enforcamentos.
Por essa razão, o gabinete do médico-legista de Nova Iorque manteve a conclusão oficial de suicídio por enforcamento, embora tenha reconhecido que as fraturas no pescoço eram um elemento que merecia análise cuidadosa no contexto de todas as evidências — incluindo a cena da cela, os objetos utilizados e os relatórios prisionais. Essa divergência de interpretações entre especialistas é um dos fatores que continua a alimentar debate público sobre as circunstâncias da morte.

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