Jeffrey Epstein pode ter sido espião dos governos de Israel e da Rússia
Novos
documentos sugerem que o pedófilo norte-americano pode ter sido um agente
secreto para vários governos durante muitos anos
Jeffrey Epstein pode ter estado ligado à Mossad de Israel e
aos serviços secretos da Rússia. O último lote de ficheiros divulgados pelo
Departamento de Justiça dos EUA vem levantar suspeitas de que o milionário
pedófilo pode ter sido uma espécie de espião de vários governos. É verdade que
não existem provas diretas, mas os novos documentos revelam que Epstein tinha
contactos com personalidades russas de alto nível, algumas das quais com
ligações aos serviços secretos. Epstein trocou, por exemplo, mensagens com
Sergei Belyakov, formado na Academia do Serviço Federal de Segurança da Rússia
(FSB) e antigo vice-ministro da Economia. Numa troca de mensagens datada de
2015, o pedófilo americano pediu a Belyakov que recolhesse informações sobre
uma mulher russa que, alegadamente, estaria a tentar chantagear um importante
empresário norte-americano. Em resposta, Belyakov forneceu a Epstein
informações do passado da mulher, incluindo as suas atividades “sexuais e de
acompanhante” e as suas dificuldades financeiras que a terão levado a algumas
tentativas de chantagem. Epstein contactava também com Vitaly Churkin, antigo
diplomata russo que foi representante do país nas Nações Unidas. Há também uma
mulher russa que surge referenciada nos documentos, que dava pelo nome de Maria
Bucher. Tinha sido chefe do Nashi, o Movimento Juvenil de Putin, e tinha
trabalhado como publicitária para Epstein quando se mudou para os EUA.
No que toca à Mossad, a teoria de que Epstein estaria ligado
aos serviços secretos israelitas e que tinha treinado como espião surge num
memorando do FBI de 2020 incluído nos ficheiros. A amizade de longa data de
Epstein com o antigo primeiro-ministro israelita Barak sustenta ainda mais essa
teoria.
“Queria minar a democracia israelita”
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, já
rejeitou as teorias de que Epstein pudesse ter trabalhado para a Mossad. Diz,
aliás, que o empresário norte-americano tinha intenções contrárias e acusa-o
mesmo de ter trabalhado para “minar a democracia israelita” e “derrubar o governo
israelita eleito”. A convicção de Netanyahu baseia-se na troca de emails entre
Epstein e o antigo presidente dos EUA, Barack Obama. Este último consultou o
pedófilo durante a campanha para as eleições parlamentares de 2019 em Israel.
[Provavelmente, o jornalista queria escrever Ehud Barak].
Nome de Putin aparece mais de mil vezes nos ficheiros
O lote de novos documentos revela que Jeffrey Epstein tentou
marcar vários encontros com Vladimir Putin. O nome do presidente russo é mesmo
referenciado nos ficheiros por mais de mil vezes. O pedófilo norte-americano
tentou chegar ao contacto com o líder russo através de várias personalidades,
entre elas a do antigo primeiro-ministro norueguês Thorbjorn Jagland. Num email,
por exemplo, enviado a Epstein, Jagland promete-lhe que vai dizer a Putin que
ele é “um contacto útil”. A verdade é que não há qualquer prova documental que
sugira que Epstein alguma vez tenha conseguido encontrar-se pessoalmente com o presidente
russo. O milionário norte-americano chegou a dizer que nunca se tinha
encontrado com Putin, mas que lhe tinha sido solicitado um encontro “para
explicar ao presidente como é que a Rússia podia estruturar negócios de forma a
encorajar o investimento ocidental”.
Fonte: Correio da Manhã, 6
de março de 2026

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