Joe Kent diz que Netanyahu e defensores da guerra criaram uma "câmara de eco" para convencer Trump a atacar o Irão
Joe Kent, que se demitiu esta semana do cargo de diretor do
Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA, acusou os defensores da guerra nos
EUA e em Israel de convencerem o presidente Donald Trump de que precisava de
atacar o Irão, apesar das poucas provas concretas de que o país representasse
uma ameaça iminente.
Durante uma participação no programa de rádio The Megyn
Kelly Show, Joe Kent afirmou que os líderes israelitas e os aliados dos
EUA, como o senador Lindsey Graham,
criaram uma "câmara de eco" em torno de Trump, pressionando-o durante
meses para lançar uma campanha militar e silenciando as vozes dissidentes.
"Vi a bolha a ser criada em torno do presidente
Trump", afirma Kent, que renunciou ao cargo no centro de contraterrorismo
por estar contra os ataques ao Irão. "O presidente estava isolado e, por
isso, só ouvia esta câmara de eco."
Kent acrescentou que o período que antecedeu o ataque ao
Irão contrastou fortemente com os preparativos para os ataques levados a cabo
por Trump no ano passado contra as instalações nucleares de Teerão, que,
segundo ele, só ocorreram após intensos debates dentro do governo.
Desta vez, segundo Kent, o primeiro-ministro israelita,
Benjamin Netanyahu, e os seus conselheiros, com a ajuda dos aliados pró-guerra
de Trump, pressionaram Trump a agir antes de o governo ter analisado todas as
possíveis repercussões.
“Qualquer que tenha sido o argumento utilizado, o efeito foi
que o presidente Trump foi levado a acreditar que, se agisse agora, tudo seria
rápido e fácil”, insiste Kent.
Esta foi a segunda entrevista de Kent desde que renunciou ao
cargo.
A Casa Branca nega os comentários de Kent. A secretária de
imprensa Karoline Leavitt argumentou, no início desta semana, que a sua carta
de demissão continha “inverdades” e que não teve qualquer participação nas
discussões que levaram à guerra.
Fonte: CNN Portugal, 20 de março de 2026

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