No meio de uma purga de oficiais, CIA lança vídeo a convidar militares chineses a ajudar os EUA


A CIA está a intensificar os seus esforços para recrutar espiões chineses com o lançamento, há uma semana, de um novo vídeo em mandarim, que apela diretamente aos oficiais militares do país que possam estar desiludidos com a corrupção no atual governo e com as extensas purgas de generais de alto escalão realizadas pelo presidente Xi Jinping.

O vídeo retrata um oficial militar fictício de nível médio “a tomar a difícil decisão de permanecer fiel aos seus valores e construir um caminho melhor para sua família, entrando em contato com a CIA”, explica um funcionário da CIA à CNN.

“Qualquer pessoa com capacidade de liderança será inevitavelmente temida e eliminada impiedosamente”, diz o narrador do vídeo. “Não posso permitir que esses loucos moldem o futuro da minha filha”.

O novo vídeo procura dar continuidade a uma campanha de recrutamento que a agência lançou no ano passado e ajudou a cultivar novas fontes dentro da China, que são essenciais para a recolha de informações humanas, continua a explicar o funcionário da CIA, em declarações à CNN, sugerindo que a agência teve algum sucesso recente ao visar um governo que historicamente teve dificuldade em penetrar.

Vamos continuar a oferecer aos funcionários do governo chinês e aos cidadãos a oportunidade de trabalhar juntos por um futuro melhor”, diz o diretor da CIA, John Ratcliffe, numa declaração à CNN.

Durante a sua audiência de confirmação, Ratcliffe enfatizou que a China seria uma prioridade máxima para a agência. E as autoridades americanas indicaram que a CIA fez progressos no restabelecimento da sua rede de fontes dentro do país, que se pensava estar perdida há apenas alguns anos.

“A China tomará todas as medidas necessárias para combater firmemente as atividades de infiltração e sabotagem por forças antichinesas no exterior e salvaguardar resolutamente a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento”, diz o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Lin Jian, numa conferência de imprensa, quando questionado sobre o vídeo.

“Os esquemas das forças antichinesas não terão sucesso”

A partir de 2010, os EUA perderam uma série de espiões na China na sequência de uma campanha de contraespionagem, que durou dois anos e que o The New York Times descreveu como “paralisante para a recolha de informações”. A reconstrução dessa rede tem sido uma campanha de anos para os chefes de inteligência.

Um funcionário da CIA diz à CNN que os vídeos levaram com sucesso ao recrutamento de novas fontes de inteligência dentro da China.

“Os vídeos estão a funcionar e a barreira deles não é perfeita”, diz o mesmo funcionário, referindo-se à perceção de que o governo de Xi Jinping se protegia em grande parte dos olhos curiosos das agências de inteligência dos EUA.

A CIA acredita que tem uma oportunidade de expandir potencialmente a sua visibilidade no governo de Xi Jinping, em parte, através da exploração da sua repressão cada vez mais intensa à liderança militar da China.

Desde que assumiu o poder em 2012, Xi Jinping tem procurado consistentemente manter a hierarquia militar da China sob controlo através de purgas periódicas dos principais líderes, que fazem parte de uma campanha anticorrupção mais ampla que puniu mais de 200 mil funcionários até agora.

Nos últimos anos, a purga de Xi Jinping esvaziou o escalão superior das Forças Armadas, com mais de 20 oficiais militares de alto escalão colocados sob investigação ou destituídos, desde 2023.

E agora, autoridades americanas acreditam que Xi Jinping pode estar a mover-se para consolidar ainda mais o poder, apontando para a destituição do general mais graduado da China no início deste ano, numa reorganização sem precedentes que, de acordo com os analistas, provavelmente teve como objetivo garantir ainda mais a lealdade dos oficiais dentro das fileiras das Forças Armadas.

Fonte: CNN Portugal, 1 de março de 2026

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