Os Estados Unidos estão à beira de um novo tipo de ajuste de contas racial
Os
cartazes do Black Lives Matter que outrora enfeitavam relvados por toda a
América já não estão na moda. Os livros antirracismo que lideraram as listas de
vendas acumulam pó. Os exércitos de manifestantes que antes irrompiam pelas
cidades como lava, entoando “I Can’t Breathe” (“Não consigo respirar”),
desapareceram
Mas ponham os olhos no Minnesota. O que aconteceu ali marca
o início de um novo tipo de acerto de contas racial. Não terá o espetáculo nem
as expetativas elevadas dos protestos de 2020 após a morte de George Floyd.
Poderá, no entanto, ter maior capacidade de durar.
Esta afirmação pode parecer implausível. O homicídio de
Floyd por um agente da polícia de Minneapolis desencadeou o que alguns disseram ser o maior movimento de protesto
da história dos Estados Unidos. O apoio dos brancos ao movimento
Black Lives Matter atingiu um máximo histórico. Responsáveis eleitos removeram
monumentos confederados e o antigo presidente George W. Bush, republicano,
emitiu uma declaração pública questionando: “Como acabamos com o racismo sistémico na
nossa sociedade?”
Esse acerto de contas foi mais do que uma onda de protestos.
Muitos jornalistas que o cobriram, incluindo eu próprio, definiram-no como um momento em que os brancos foram “forçados a confrontar
o racismo” e a enfrentar “verdades incómodas”.
O
movimento acabou por não corresponder às expetativas e, na maior parte,
desvaneceu-se em 2021. Mas algumas dessas dinâmicas de 2020 voltaram a
estar presentes este ano em Minneapolis - juntamente com algo de novo. Com o
fim das ações de imigração da administração Trump no Minnesota, os protestos
contra o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) oferecem uma
abordagem para uma mudança transformadora que combina lições antigas e novas.
E assentam numa base mais sólida do que os protestos após a
morte de George Floyd - por três razões.
Houve um despertar racial em torno da imigração
Há ligações evidentes entre os protestos após a morte de
Floyd e as manifestações recentes no Minnesota. Ambos foram desencadeados
depois de testemunhas terem gravado vídeos de cidadãos a morrer às mãos das
forças de segurança. Ambos ocorreram praticamente no mesmo bairro do sul de
Minneapolis. Ambos se centraram numa resistência cívica perante acusações de
brutalidade policial.
E há outro fator comum: ambos obrigaram os americanos a
confrontar lições sobre racismo que tinham sido ignoradas ou esquecidas.
O presidente Donald Trump descreveu a sua agressiva
repressão à imigração como uma forma de expulsar imigrantes indocumentados que
cometeram crimes graves, um grupo que responsáveis da administração descrevem
como “os piores dos piores”. Mas os acontecimentos em Minneapolis obrigaram
muitos americanos brancos a considerar outra possibilidade: excluir as minorias raciais e étnicas é fundamental para
as políticas de imigração do presidente Donald Trump.
Trump tem feito pressão para acabar com o direito de
cidadania por nascimento, a garantia constitucional de cidadania para qualquer
criança nascida em solo norte-americano, independentemente do estatuto
migratório dos pais — uma mudança que afetaria de forma desproporcionada
pessoas oriundas de países asiáticos e da América Latina.
Também proibiu viagens para os Estados Unidos a partir de
vários países de maioria negra, ao mesmo tempo que acelerou o processo de
reinstalação de afrikaners brancos da África do Sul. Recentemente disse que “a
Somália cheira mal e não os queremos no nosso país”, mas afirmou abertamente
que gostaria que mais “pessoas agradáveis”
imigrassem para os EUA vindas da Noruega, Suécia e Dinamarca.
A administração Trump diz que enviou agentes federais para
Minneapolis e St. Paul, em parte para investigar alegadas fraudes em apoios
sociais cometidas por imigrantes somalis indocumentados, bem como violadores e
pedófilos. Mas as operações também foram acusadas de prender
indiscriminadamente cidadãos norte-americanos negros e latinos, assim como de
somalis com estatuto legal.
“Não há nada de legal que possa proteger-nos da supremacia
branca e do racismo que parecem ser a bússola desta operação”, disse à CNN no
mês passado Danez Smith, residente de Minneapolis que afirma possuir green
card.
Após os tiroteios fatais do mês passado que vitimaram Renee
Good e Alex Pretti, há sinais de que as ações de alguns agentes federais em
Minnesota mudaram a forma como muitos americanos veem a repressão migratória.
Sondagens indicam que os
acontecimentos em Minneapolis estão a mudar a opinião pública contra Trump num
tema em que ele era forte: a imigração. Não admira que o analista da
CNN Stephen Collinson tenha concluído recentemente que a ofensiva da
administração no Minnesota “foi muito além dos imigrantes indocumentados” e
conduziu a algo diferente: “um acerto de contas nacional.”
Mártires brancos tornaram esta “uma luta de todos”
Os protestos de 2020 após a morte de Floyd e os recentes
protestos no Minnesota lidam com a mesma questão: como transformar a indignação
perante a morte de um cidadão americano às mãos das autoridades numa mudança
política transformadora?
George Floyd era uma figura demasiado imperfeita para
suportar todo o peso desse desafio. Era um ex-condenado - condenado pelo seu
papel num negócio de droga no valor de 18 dólares - que tinha estado preso
várias vezes. Era um homem negro, alto e robusto. E tinha vestígios de droga no
organismo quando morreu. Por essas razões, alguns americanos tiveram
dificuldade em reconhecer a sua humanidade. Um conhecido comentador conservador
chamou-lhe “escumalha”.
Mas Pretti e Good, os dois residentes de Minneapolis mortos
por agentes federais, são figuras mais simpáticas devido a outra verdade
desagradável sobre o racismo: as vidas negras podem importar, mas quando se
trata de suscitar simpatia por um movimento de protesto, as vidas brancas
importam mais.
“O que torna a morte de Good única é o facto de ela ser uma
mulher branca, loira, e cidadã dos Estados Unidos. É a branquitude de Good e a
sua cidadania americana que a tornaram tão perigosa para a administração
Trump”, escreveu Adrian Carrasquillo no site de notícias The Bulwark.
Pretti, por seu lado, era um enfermeiro de cuidados
intensivos branco que trabalhava com veteranos e transportava legalmente uma
arma quando foi morto.
Muitos americanos brancos têm familiares e amigos que se
parecem com estas duas vítimas e as suas mortes afetam a América branca de uma
forma que a de Floyd nunca poderia.
Já vimos esta dinâmica antes. Foi ela que moldou uma das
vitórias mais agridoce do movimento pelos direitos civis.
A campanha de Selma, Alabama, em 1965, é hoje sobretudo
recordada pela marcha na ponte Edmund Pettus, quando o futuro congressista John
Lewis e outros ativistas negros pelos direitos civis foram espancados e
atacados com gás lacrimogéneo pela polícia estadual do Alabama enquanto
tentavam marchar pelo direito de voto.
Mas o assassínio de duas pessoas brancas em Selma também
galvanizou o apoio ao movimento.
Viola Liuzzo, uma dona de casa de Detroit, foi morta depois
de viajar para o Alabama para ajudar os manifestantes. Tal como Good, foi
abatida enquanto conduzia um carro. Também foi difamada por autoridades
federais - não como “terrorista doméstica”, como Good, mas como
toxicodependente e mulher promíscua. A sua morte ajudou a reformular o
movimento pelos direitos civis como “uma luta de todos” - a razão que tinha
dado aos filhos antes de fazer a sua viagem malfadada para Selma.
O reverendo James Reeb, um jovem pai, foi espancado até à
morte por segregacionistas brancos quando caminhava numa rua de Selma à noite.
O presidente Lyndon Johnson apareceu na televisão nacional e elogiou Reeb como
“um homem bom, um homem de Deus”, apelando ao Congresso para aprovar o Voting
Rights Act, o que acabou por acontecer.
Hoje, mais pessoas conhecem Reeb e Liuzzo do que outro
ativista, Jimmie Lee Jackson, que foi assassinado perto de Selma enquanto
protestava pelo direito de voto. A sua morte nunca recebeu a mesma atenção. Ele
era negro.
O “clickativismo” não substitui a comunidade
No verão de 2016, Leshia Evans deu ao movimento Black Lives Matter uma das suas
imagens mais poderosas.
Viajou da Pensilvânia para Baton Rouge, Louisiana, para protestar contra a morte de Alton Sterling, um homem negro, às mãos da polícia, e confrontou os agentes na rua. Um fotojornalista captou a imagem de Evans diante de uma fileira de polícias com equipamento antimotim. Quando se aproximaram dela, brandindo braçadeiras de plástico, Evans permaneceu imóvel e serena, como uma estátua de Buda, olhando decidida em frente enquanto o seu vestido esvoaçava ao vento.
A fotografia tornou-se um grito de guerra para os manifestantes pela justiça racial e espalhou-se pelas redes sociais, mostrando o poder de uma única imagem para levar milhões de americanos às ruas. 1
Mas não criou outra coisa essencial para um movimento social
sobreviver: comunidade. Em 2026, mais americanos estão conscientes dos limites
do “clickativismo” - protestos políticos impulsionados pelas redes sociais e
realizados sobretudo online.
Os protestos após a morte de Floyd dependiam demasiado do
poder das imagens para produzir mudanças transformadoras. Os líderes falavam em
aprovar leis e alterar políticas, mas o espetáculo das manifestações de 2020
não foi seguido por um segundo ato forte.
“O clickativismo está para o
ativismo como o McDonald’s está para uma refeição cozinhada lentamente”,
disse Micah Bornfree, cocriador do movimento Occupy Wall Street de 2011. “Pode
parecer comida, mas os nutrientes que dão vida há muito que desapareceram.”
É claro que houve outras razões para o fracasso das
manifestações de 2020. Apesar das promessas de campanha de Joe Biden de que
iria abordar questões de justiça racial quando fosse presidente, o Congresso não chegou a acordo sobre uma lei de reforma
da polícia. Ativistas conservadores arquitetaram uma reação à teoria
crítica da raça, que levou à censura da discussão sobre racismo nas escolas.
Além disso, a credibilidade do movimento Black
Lives Matter foi abalada quando alguns dos seus líderes foram acusados de
corrupção e uso indevido de donativos.
Mas em Minneapolis existem agora os ingredientes necessários
para um ativismo duradouro. Os residentes estão organizados e treinados,
formaram coligações e construíram redes de ajuda mútua. Estão a acompanhar
operações do ICE, a filmar agentes federais nas ruas com os telemóveis e a
levar comida a famílias imigrantes que estão escondidas.
Esses laços comunitários fortes muitas vezes levam anos a
serem construídos. O verão de 2020, com os seus confinamentos por causa da
covid-19, não permitiu que as pessoas estivessem fisicamente juntas. Mas os
protestos no Minnesota, onde a unidade cívica é tão palpável como o frio
cortante, assentam numa base mais sólida.
“Os últimos meses mostraram que um grande número de
americanos ama realmente os seus vizinhos - o suficiente para sair para as ruas
geladas para enfrentar agentes federais e até arriscar a morte”, escreveu Julie
Beck na revista The Atlantic. “A resposta
à presença da Patrulha de Fronteira e do ICE no Minnesota desencadeou uma das
maiores demonstrações de amor entre vizinhos que vi na minha vida.”
Esse tipo de amor ao próximo ultrapassa as fronteiras raciais. Foi esse tipo de solidariedade que transformou o reverendo James Zwerg, branco, num herói do movimento dos direitos civis. Rejeitado pela família por se juntar aos ativistas negros nos anos 60, quase foi morto por uma multidão racista no Alabama quando protestava com John Lewis. Mesmo assim continuou a participar no movimento. E disse que não teria conseguido fazê-lo sem a presença física dos seus amigos.
John Lewis (1940 - 2020, à esquerda) e James Zwerg
“Cada um de nós era mais forte por causa daqueles com quem
estávamos”, afirmou Zwerg.
“Se eu estivesse a ser
espancado, sabia que não estava sozinho. Conseguia aguentar mais porque sabia
que todos ali estavam a dar-me a sua força. E quando outra pessoa estava a ser
espancada, eu dava-lhe a minha força.”
Os protestos estão a espalhar-se para além do Minnesota
Será que o movimento iniciado no Minnesota se vai espalhar
pelo resto do país? Há sinais de que isso já está a acontecer.
Os protestos no Minnesota fazem parte de um movimento
crescente que também tem gerado forte resistência em Chicago e Los Angeles.
Pais, professores, membros do clero e organizadores comunitários noutras
cidades estão a procurar formação sobre o que podem fazer legalmente quando
testemunham uma detenção de imigrantes. Em Los Angeles e Chicago, há relatos de
que a resistência ao ICE chegou a clubes de bairro, grupos de chat de vizinhos
e paróquias católicas que normalmente não são alinhadas com o Partido Democrata.
Os protestos contra o ICE também se espalharam para estados
republicanos. Em Springfield, Ohio, foi criada uma rede de igrejas negras,
brancas e latinas chamada G92 para proteger a comunidade haitiana.
Os organizadores dos protestos “No Kings” do ano passado
anunciaram recentemente que vão realizar manifestações em todo o país no dia 28
de março, contra a repressão à imigração da administração Trump, afirmando que
“as comunidades negras e latinas estão a ser aterrorizadas” no Minnesota.
O que está a acontecer este ano em Minneapolis e em toda a
América seguirá provavelmente um guião diferente de 2020. Mas nada mudará a
menos que os americanos enfrentem algumas verdades difíceis sobre raça e etnia
e sobre o tipo de país em que querem viver.
Haverá manifestações tão grandes como as de 2020? Os protestos serão impulsionados por gestos
dramáticos partilhados nas redes sociais, como chefes de polícia ou CEOs a
ajoelhar-se pela justiça racial?
Provavelmente não. E talvez isso seja bom. Aquelas imagens #BlackLivesMatter acabaram por ser, em
grande parte, um entusiasmo passageiro. Levaram a algumas reformas
locais e estaduais, mas não deram ao movimento os “nutrientes vitais” de que
precisava para sobreviver.
Esses ingredientes existem agora no Minnesota. O que está a
acontecer ali já levou a uma “mudança duradoura na opinião pública” sobre a
forma como Trump gere a imigração.
Os americanos também estão hoje mais conscientes sobre os
elementos necessários para uma verdadeira mudança. Nem todas as transformações
anunciam a sua chegada com imagens virais ou confrontos dramáticos nas ruas.
A aceitação generalizada do casamento entre pessoas do mesmo
sexo, por exemplo, foi impulsionada em parte por pessoas comuns que,
silenciosamente, assumiram a sua orientação perante familiares, amigos e
colegas de trabalho.
A imigração continuará a ser uma questão complexa. A maioria
dos americanos quer fronteiras seguras. E as divisões raciais no país são hoje
mais profundas do que em 2020. Até o Super Bowl, o maior espetáculo desportivo
do país, não escapa aos debates intensos sobre identidade racial e étnica.
Mas, se olharmos com mais atenção para o que está a
acontecer pelo país, podemos ousar dizer algo que teria sido impensável há
poucos meses:
A América está à beira de um novo tipo de acerto de contas
racial.
Fonte: CNN Portugal, 14 de março de 2026
1. Black
Lives Matter: os bastidores de uma foto icónica
A
imagem desta jovem manifestante negra, impassível perante polícias fortemente
armados, tornou-se viral
O seu nome é Leshia Evans. É enfermeira em Nova Iorque, mas
participava numa manifestação no sábado em Baton Rouge, Louisiana, ao serviço
do movimento Black Lives Matter. Na quarta-feira, 6 de julho, Alton Sterling,
um homem negro de 37 anos, foi morto por dois polícias enquanto estava no chão.
O vídeo da tragédia e o da morte agonizante de Philando Castile, outro homem
negro, de 32 anos, baleado pela polícia dentro do seu carro, reacenderam a
indignação nos Estados Unidos. Isto culminou no tiroteio em Dallas, onde um
ex-soldado, Micah Johnson, um homem negro, abriu fogo contra os polícias que supervisionavam
uma manifestação contra a violência policial. Cinco polícias foram mortos.
Como se estivesse a ser contida por uma força invisível
Naquele sábado, Leshia Evans estava desarmada. A foto
mostra-a a usar um vestido que esvoaça ao vento, semelhante à túnica de uma
vestal. Está de pé, direita, com os dois pés bem assentes no asfalto. Diante
dela estão dois polícias antimotim. Sob as viseiras descidas, os seus rostos
estão pálidos, e estão prestes a prender a jovem. Mas, como que impedidos por
uma força invisível, parecem recuar e quase cambalear.
A foto inspirou os internautas que a partilharam amplamente nas redes sociais e a compararam imediatamente a outras imagens que se tornaram símbolos do poder da não-violência, como o jovem desconhecido a enfrentar os tanques na Praça Tiananmen em 1989. Ou "Menina com uma Flor", de Jean-Marc Riboud, tirada em Washington a 21 de outubro de 1967, durante as manifestações contra a Guerra do Vietname.
O poder da imagem valeu-lhe uma rara honra: um título.
"Tomar uma Posição em Baton Rouge". Expressão que significa
"tomar uma posição" e que, tal como em francês, enfatiza a afirmação
de uma ideia, mas também o compromisso do corpo.
O seu autor é Jonathan Bachmann, um repórter que cobriu as
manifestações para a Reuters, explica a BBC no seu site. "A polícia foi
chamada para desobstruir a autoestrada ocupada pelos manifestantes", disse
à emissora. "Conseguiram movê-los para a berma." Eu estava parado ao
lado, a fotografar os manifestantes que conversavam com a polícia. Olhei por
cima do meu ombro direito e vi a mulher entrar na rua. Ela parou. Não disse
nada e não se mexeu. Era claro que a polícia ia prendê-la.
O fotógrafo captou esta detenção em cinco fotos: mostram os polícias a correr em direção à jovem, que permaneceu impassível com os braços cruzados. A súbita perda de equilíbrio corresponde ao momento em que os dois homens pararam junto dela. Agarraram-na pelos braços e puxaram-na para longe. Ela não ofereceu resistência.
"Estou sã e salva."
Durante estas manifestações, a polícia fez inúmeras
detenções, incluindo a de uma das figuras de proa do movimento, Deray McKesson,
que tinha filmado a sua detenção no Periscope. Jonathan Bachman fotografou
várias dessas detenções, que foram muito menos pacíficas do que a da jovem.
Leshia Evans foi libertada. Ela explicou isso no Facebook em
resposta à enxurrada de mensagens geradas pela foto. "Estou sã e
salva", escreveu. "Agradeço as mensagens de apoio e carinho",
acrescentou, "mas isto é obra de Deus. Sou apenas um instrumento."
Uma amiga entrevistada pela imprensa norte-americana afirmou que Leshia foi ao
protesto porque quer "um futuro melhor" para o filho de 5 anos.
Fonte: Le Point, 12 de julho de 2016








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